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Especial Michael Mann

25 Agosto 2009 Visto 871 vezes Escrito por: Diogo Alçada Tavares 1 Comentário

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Michael Mann

“A 65-ft.-wide screen and 500 people reacting to the movie, there is nothing like that experience.”

Michael Mann

A primeira vez que o nome Michael Mann teve para mim um significado verdadeiramente paralisante, foi logo a seguir ao visionamento do seu filme Heat (1995). Claro que este filme suscitou o meu interesse acima de tudo pelos seus actores principais, Robert DeNiro e Al Pacino, e pelo conflito mediático óbvio que sempre existiu entre os dois. Para mim o importante no filme seria colocar os dois actores na posição de confronto que qualquer fã queria ver resolvida, depois de terem contracenado 21 anos antes na segunda parte da trilogia The Godfather, sem nunca terem tido uma oportunidade de disputar directamente o pódio, uma vez que as suas personagens nunca se cruzam. Ora 21 anos depois, eis que chega essa grande oportunidade, dado que não haveria melhores papéis para o efeito do que DeNiro como ladrão e Al Pacino como polícia. No entanto o confronto entre os dois foi aproveitado da melhor forma, sendo que tanto um como outro desempenham interpretações brilhantes, proporcionando momentos que me fizeram recuar no agora velho VCR vezes sem conta. O filme era um autêntico estrondo, deixando-me de queixo completamente caído. No final, apenas me questionei quem era o responsável por tamanha obra-prima. Esperei pelos créditos e lá o encontrei…

Michael Kenneth Mann, nasceu em Chicago a 5 de Fevereiro de 1943. Criado na classe trabalhadora do bairro de Humboldt Park, Michael licenciou-se em 1960 na Universidade de Wisconsin onde recebeu o seu BA em literatura Inglesa. Mann considerou seriamente seguir uma carreira académica, mas o encanto pelo cinema e pelos mistérios da realização foram mais fortes, levando o realizador a mudar-se dos Estados Unidos para Inglaterra. Nesse país ingressaria na ‘London International Film School’ onde completaria o seu mestrado em realização no ano de 1967. Este foi um período riquíssimo para Mann em termos de formação cinematográfica, pois viveu de perto os anos da ‘Nouvelle Vague’ e as manifestações em Paris. Era também a época do realizador como autor e da afirmação do realizador independente provido de liberdade de expressão, sendo a principal influência no produto final.

Em Londres os compatriotas de Mann, os realizadores Adrian Lyne e Alan Parker, que começaram as suas carreiras na publicidade, viram Michael seguir um caminho bastante semelhante, mas que bifurcou também para o documentário televisivo e para as curtas-metragens. Um dos seus primeiros projectos foi um documentário para a NBC baseado nos motins de 1968 em Paris intitulado, Insurrection (1968), seguido de uma curta-metragem experimental Janpuri (1971), premiado com o Prémio do Júri no Festival de Cannes em 1971.

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Mann regressou a Chicago no início dos anos 70,  e realizou o documentário 17 Days Down the Line (1972), que relata a história de um correspondente da ‘Newsweek’ que redescobre a sua terra natal depois de cinco anos fora, o que se assemelhava bastante ao seu próprio percurso até então. Michael Mann muda-se para Los Angeles onde foi trabalhar para a 20th Century Fox como produtor executivo, e até formou a sua própria empresa. Participou como actor em pequenos papéis em filmes como Smokey and the Bandit (1977), House Calls (1978), Every Which Way But Loose (1978) com Clint Eastwood, e The China Syndrome (1979). Foi, no entanto, no seu talento como argumentista, que Mann se começou realmente a destacar. O seu contributo para séries televisivas como Police Story (1973-1977), Starsky and Hutch (1975-1979), ou a realização de um episódio de Police Woman (1977), foram reconhecidos e aplaudidos, abrindo portas para o desenvolvimento da sua própria série Vega$ (1978).

O seu sucesso televisivo levou à realização do telefilme The Jericho Mile (1979), que também teve distribuição para cinema, e que conta a história de Rain Murphy (Peter Strauss), um prisioneiro a cumprir prisão perpétua por ter morto o seu pai, e que tem como ambição ir aos Jogos Olímpicos. Aqui começavam a delinear-se as principais características de Mann, nomeadamente o realismo a nível de localizações, uma vez que este telefilme foi filmado dentro da prisão de Folsom, com prisioneiros reais como figurantes, e diálogos extremamente ritmados, fluidos, muito próximos da realidade. O telefilme foi um êxito de crítica, galardoando Michael Mann com um prémio da ‘Director’s Guild of America’, para além do filme ter sido nomeado para o Emmy de Melhor Drama, e vencendo ao lado de Patrick Nolan o Emmy de Melhor Argumento Dramático.

Em 1980 trabalhou como argumentista noutro telefilme, intitulado de Swan Song, antes de enveredar na sua primeira aventura cinematográfica Thief (1981), com James Caan como protagonista.  O filme, também conhecido como Violent Streets,  é uma obra altamente estética e metafórica passada na noite sombria e húmida de Chicago. A banda sonora electrónica orquestrada por Tangerine Dream proporciona uma atmosfera única, o que faz com que constitua por si só uma personagem. O filme conta a história de Frank (James Caan), um ladrão de jóias que tem como objectivo acabar com a sua actividade criminal de forma a poder levar uma vida decente. The Thief é considerado um exemplo dos filmes neo-noir pela sua estilização expressiva, mas apesar das boas críticas, este trabalho nunca chegou a ter um grande sucesso comercial.

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