Costas Mandylor: «Os Substitutos»
Saudações caros amigos. O Costas dirigiu-se ao cinema mais próximo e decidiu dar um abraçito ao amigo Bruce Willis. Para os que se estiverem a questionar sobre uma possível amizade entre o Costas e o Bruce, tirem o cavalinho da chuva porque nunca aconteceu, e com os filmes que faço não me parece que acontecerá. Dei um abraço ao Willis na mais pura das metáforas cinematográficas, ou seja, fui ver o seu novo filme Os Substitutos.
O filme realizado por Jonathan Mostow, e adaptado por Michael Ferris e John D. Brancato, da ‘graphic novel’ The Surrogates de Robert Venditti e Brett Weldele, é uma obra de ficção-cientifica passada no ano de 2017. Com a evolução da tecnologia são criados andróides capazes de serem controlados individualmente pelo ser humano, apenas através de impulsos eléctricos enviados pelo cérebro. Dessa forma as pessoas podem permanecer seguras, correndo menos riscos de contraírem doenças, sofrerem acidentes, e ainda de superarem adversidades que os limitam fisicamente, como a paralisia. Assim, qualquer indivíduo pode ser quem quiser, tendo ao seu dispor um variado número de modelos que dependerá da capacidade monetária de cada um. Mas como não se agrada a gregos e a troianos, há um grupo de humanos que se recusa a fazer parte da chachada, e quais inconformados, formam um grupo de resistência intitulado ‘Dreads’, liderados por um homem enigmático a quem chamam ‘The Prophet’ (Ving Rhames).

Este é o cenário em que Surrogates, no seu título original, nos insere. A partir desta pequena premissa surge o desenvolvimento da história, e onde nos aparece o agente Tom Greer (Willis) e a sua parceira Jennifer Peters (Radha Mitchell), que investigam aquele que poderá ser o primeiro homicídio desde há muitos anos, uma vez que as pessoas deixaram de sair à rua. Ao que parece dois andróides foram destruídos, e, insolitamente, os cérebros das pessoas que os controlavam explodiram sem explicação. A investigação leva à procura de um misterioso homem chamado Miles Strickland (Jack Noseworthy), e à ligação de um dos homicídios a Lionel Canter, o criador dos andróides.
Tenho-vos a dizer, caros amigos, que aqui o Costas de certeza não vai ver Bruce Willis nos ‘Razzie Awards’ deste ano, ou tampouco irá presenciar Jonathan Mostow e restante equipa, pela nomeação a pior filme ou pior realizador. No entanto confesso que apesar de prezar bastante o careca mais fixe de Hollywood, este filme é simplesmente deplorável. Eu não me canso de dizer. Porquê? Porque é que se gastam tantos recursos e tanto dinheiro a fazer filmes que já foram vistos vezes sem conta? Porque é que se adaptam obras que já nos mostraram o mesmo ponto de vista e já fizeram a mesma pretensiosa crítica social? Sinceramente daqui a nada formamos um sindicato de originalidade no cinema, que consistirá em armar confusão só para que se façam filmes sobre isso. Pode ser que assim os ‘manda-chuvas’ lá dos estúdios invistam noutra coisa.

A falar a sério, é aqui do Costas ou ultimamente só se vê lixo? Que é feito daqueles ‘Sci-Fi’ poderosos, cheios de ambiente e personalidade da década de 70 e 80? Que é feito de um Matrix, Dark City, e até de um I, Robot? Surrogates pode até ser uma obra interessante como ‘graphic novel’ até porque não tive a oportunidade de a ler. Mas meus amigos, não minto quando vos digo que o filme é vago, com uma duração ridícula de 88 minutos para um filme de ficção-cientifica, com uma realização modesta de Mostow, e um argumento básico, acessível e infantil de tão previsível. Excesso de planos inclinados sem qualquer objectivo aparente, efeitos especiais sem nada de especiais, ausência de um número razoável de sequências de acção, e um leque de actores de bom calibre completamente desinteressados. Não sei porquê mas durante o visionamento lembrei-me umas quantas vezes de Aeon Flux. Nota para uma boa sequência lá mais para o final do filme, que com certeza, caso o vejam, irão notar quanto mais não seja pelo contraste com o resto da obra.
Concluindo, meninos e meninas, Os Substitutos tem o Bruce Willis mas acho que nem o homem sabe que entrou no filme. Aliás, o cabelinho que o seu andróide usa é de rir e chorar por mais. Parece que por momentos estamos perante uma paródia. O filme é simplesmente mais uma metáfora sobre a forma como as pessoas socializam exageradamente através da internet e das novas tecnologias, e como isso nos afecta verdadeiramente ao ponto de não nos sentirmos bem com a nossa identidade. Tenho de concordar com isso de facto. Mas, mesmo assim, Os Substitutos não se safa da desgraça ‘mandyloriana’. Não há força, não há coração, nada de verdadeiramente sentido. Um mero fantoche, tal como os andróides.
Um abraço do Costas.
NOTA MANDYLOR:
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O MELHOR:
O cabelo de Bruce Willis digno do ‘Hall of Fame’ dos piores cabelos eleitos pelo Costas. Alguma imaginação em relação ao futuro deveras engraçada. A sequência final.
O PIOR:
A duração do filme. A consciência social já vista, barata, e pretensiosa. Pouca acção e não haver efeitos especiais estonteantes. Que raio há neste filme?
A FRASE:
‘We are confronted with an unprecedented situation. Two People have died while connected to their surrogates. I think we may actually have a homicide here.’ – Bruce Willis.









Eu chegaria facilmente às 3*. Mas também não passa disso. A ideia é óptima, mas o argumento torna-se relativamente vazio…
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