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Crítica: «Pânico em Hollywood»

11 Outubro 2009 Visto 458 vezes Escrito por: Diogo Alçada Tavares Nenhum comentário

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Barry Levinson regressa à realização depois do seu anterior trabalho Man Of The Year em 2006. Sinceramente, não consigo perceber porque é que filmes que deveriam transmitir alguma credibilidade como este Pânico em Hollywood, apenas nos chegam no final de 2009, quando o filme foi exibido em festivais no início de 2008. Com isto não critico minimamente as distribuidoras portuguesas… Só gostava de tentar encontrar uma razão para um filme realizado por Barry Levinson, e interpretado por Robert De Niro, John Turturro, Bruce Willis, Stanley Tucci, Sean Penn, Robin Wright Penn, Kristen Stewart, Catherine Keener, não ter o devido respeito e atenção que nomes como estes merecem. Verdade seja dita, Levinson à muito que não realiza um Sleepers (1996) ou um Rain Man (1988), mas daí a darmos prioridade a filmes de terrível qualidade como o clássico, mas reciclado, Fame (2009), que estreou em Portugal apenas semanas depois da sua estreia nos E.U.A., é realmente uma tristeza.

What Just Happened, no seu título original, é um filme que longe de ser brilhante, acabou por me proporcionar um sorriso sincero. Há quanto tempo não via um Robert De Niro com vontade de trabalhar e de realmente não se dar por vencido aos 66 anos de idade. Depois de o vermos ao lado de Al Pacino no terrível Righteous Kill (2008), curiosamente do mesmo ano que What Just Happened, sérias dúvidas ficaram sobre se De Niro ainda tinha estofo. Realizou em 2006 o impecável The Good Shepard, e interpretou em 2007 o divertido Stardust. Mas onde foi o Travis Bickle, o Jake La Motta, o Max Cady, e tantos outros a que nos habituou? Não o encontramos na última película de Levinson, mas pelo menos conseguiu notar-se uma pequena chama que já deu para podermos acreditar que este senhor ainda não atirou a toalha ao chão.

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O filme, uma espécie de Entourage com tons mais sérios e dramáticos, conta a história de Ben, um produtor que durante as duas semanas que o filme retrata da sua vida, tenta convencer um teimoso realizador a alterar o final do seu último filme, ao mesmo tempo que tenta convencer Bruce Willis a cortar a gigante barba para o grande ‘blockbuster’ que se avizinha. O argumento, escrito pelo produtor Art Linson, é adaptado do livro do próprio Linson, que consiste numa compilação de experiências que o autor viveu na sua relação com Hollywood. Facto engraçado é que a paranóia de Bruce Willis com a barba pelos vistos aconteceu realmente, mas com o actor Alec Baldwin, no filme The Edge (1997) de Lee Tamahori.

Pânico em Hollywood é uma verdade crua sobre o sistema de Hollywood e a indústria do cinema americano, que efectivamente não traz nada de novo, mas que retrata com humor a luta dos produtores com as obsessões mais excêntricas de algumas estrelas do meio e que mostra que o realizador não é o único sofredor nas mãos do sistema. Vemos um De Niro dividido entre as duas famílias e a fatídica missão de tentar sobreviver num meio extremamente competitivo, em que no caso do produtor, qualquer falha significa menos poder, obviamente o objectivo de qualquer produtor bem sucedido. No papel de realizador temos o saudoso Michael Wincott, conhecido por papéis de vilão em filmes como Robin Hood: Prince of Thieves (1991), ou The Crow (1994), que na perfeição interpreta o perturbado Jeremy Brunell. Aliás, Wincott é das melhores coisas que este filme nos proporciona, com o seu sotaque do Sul de Londres, e a convicção de que o final do seu filme, bruto e agressivo, é o melhor clímax que se poderia imaginar. Bruce Willis a fazer de Bruce Willis é hilariante, e John Turturro, Keener, e Tucci, são mais cartas para um baralho de actores excelente.

NOTA:

3 estrelas

O MELHOR:

Robert De Niro e Michael Wincott. A leveza da película.

O PIOR:

Não tem ambição de algo mais, sendo este um filme de Levinson.

A FRASE:

’You’re an agent. Delivering bad news is part of your job description.’ – Ben

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