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Crítica: «Moon – O Outro Lado da Lua»

17 Novembro 2009 Visto 703 vezes Escrito por: Sérgio Rodrigues 8 Comentários

Moon

“Ground control to major Tom, take your protein pills and put your helmet on. Ground control to major Tom, commencing countdown engines on…”, abria assim David Bowie o seu álbum de 1969, ‘Space Oddity’, sobre um astronauta deprimido no espaço. Em 2009, o seu filho, Duncan (Zowie) Jones, estreia-se na realização filmando a sua própria visão de uma odisseia no espaço. Perdoem-me os clichés, mas depois da espera, da antecipação e interesse perante Moon, pode-se dizer que o filme está bem ao nível das expectativas criadas.

Mais do que um filme de ficção-científica, ou até de uma visão pensativa e desconcertante de um futuro muito próximo, Moon é um filme inteligente, que consegue injectar um interessante e intrigante relato humano neste ambiente futurista, concentrando-se totalmente na sua história. Um retrato de apenas um simples trabalhador no espaço (Sam Rockwell), onde a sua única companhia é Gerty (voz de Kevin Spacey) um robô de controlo (e muito anti HAL), atencioso, amigo e preocupado, apesar de algumas cenas fazerem mesmo lembrar o mítico e intenso robô de 2001: Uma Odisseia no Espaço. As suas plantas e a sua maqueta que Sam perdeu horas e horas a construir são as suas únicas distracções, assim como podcasts em indirecto. A 2 semanas de acabar o seu contracto de 3 anos, Sam sofre um acidente que dá origem a um estranho acontecimento onde começa a duvidar da sua insanidade e até mesmo da sua existencialidade. Sam apenas tem um desejo: de voltar a casa para junto da sua mulher e da sua filha de 2 anos, que apenas a viu crescer por emissões em diferido. Moon é nada mais do que um drama humano, uma história de amor e coragem a si próprio.

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A interpretação de Sam Rockwell vale pelo seu todo, tanto emocionalmente como fisicamente. Ele é dinâmico, multi facetado, ele é a grande parte do filme. O empenho do actor é notável, mais que isso, ele respira a personagem de Sam Bell. Apenas quem anda distraído não sabe as potencialidades deste actor, e, no entanto, voltamos à mesma história: nunca foi nomeado para os Óscares apesar dos mais variados registos em filmes como Choke – Asfixia, Amigos do Alheio, Confissões de uma Mente Perigosa e À Procura de um Milagre, só para numerar alguns. Ao que nos chega ao facto de se perceber quanto compreensível é a campanha online para uma nomeação para Sam Rockwell. Aqui parece-se justificar plenamente, e para não falar que recentemente foram vários os ‘pequenos filmes’ que encontraram o caminho para os Óscares nas últimas edições, este ano pode ser a vez de Moon. Se não for, a interpretação fala por si!

Os outros grandes destaques vão para a fotografia de Gary Shaw, que é de um realismo impressionante. E os efeitos especiais filmados com modelos de miniatura (num presente onde o CGI reina) podia não parecer mas ainda são muito credíveis nos dias de hoje. Portanto, ‘o muito’ não significa ‘melhor’, e Moon é um perfeito exemplo disso. De referir também a grande banda sonora de Clint Mansell que ajuda para a lenta progressão do ambiente do filme, isto tudo a juntar a uma realização convicta e inspirada.

Longe dos actuais blockbusters do género e apesar das suas pesadas e notáveis influências, Moon nem precisava de ser rotulado como uma aproximação aos filmes de ficção-cientifica dos anos 70/80, porque ele é de facto um excelente filme em qualquer década. Melhor que isso, é um filme que certamente irá crescer pelos anos fora. Obra prima? Isso só o tempo o dirá…

“I’m the original Sam Bell! I’m Sam fucking Bell!”

NOTA:

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8 Comentários »

  • ZB diz:

    Inicialmente, preocupou-me que fossem enveredar pelo cliché de tornar o robô vilão, mas felizmente isso não aconteceu e este Moon revelou-se realmente um os melhores filmes de sci-fi que vi nos últimos tempos. E este ano, com o Distric 9, o (mais comercial, mas bem interessante) Star Trek e (o que espero ser grandioso) The Road, o género não está mesmo nada mal representado…

  • Fifeco diz:

    Muito bom.. Sam Rockwell é basicamente perfeito. Uma nomeação, pelo menos, ficava muito bem no seu currículo.

    A obra honra bem as suas origens e peca apenas por ser não ser totalmente original. The Island (ainda que fraquinho) aborda o tema de forma muito semelhante.

    Abraço

  • Sérgio Rodrigues diz:

    Não acho, a premissa do The Island tem uma finalidade muito diferente, e nem se pode dizer que seja muito original já que é um misto (ou rip-off) de dois grandes clássicos do género: THX e Logan’s Run.

  • Elusyn diz:

    Apesar do “feeling” que deixa ( “Já vi isto em qualquer lado” ), foi uma surpresa bem agradável!
    Só me deixou duas duvidas no final: (Spoilers! )

    - O que aconteceu ao Sam Original ( será que não voltou a terra, e ficaram os clones lá em cima. Quando ele telefona à filha a voz do “pai” parecia idêntica ).
    - Os clones tinham “duração” de 4 anos?

  • RUY MASCARENHAS diz:

    (Spoilers)
    Será que realmente havia clones ?
    A estória dá a impressão que foram experiencias transcedentais vindas da mente dele. Efeitos do isolamento sobre o ser humano. Ele se acidentou com o jipe, ali ficou, e ali ’sonhou’. Observe que nao aparece a missão de resgate encontrando o 3º clone. Aparece ela apenas encontrando o corpo de Sam no jipe lunar. A cena do jogo de ping pong também mostra o novo Sam jogando sozinho. Alguem jogava com ele enquanto o outro apenas observava. Tem tb a cena em q o Sam agonizante com roupa de astronauta aparece por debaixo dos lençois do novo suposto clone recêm desperto. Até o acidente é um filme, depois do acidente passa a ser outro. O filme me passou a idéia de q ele sofreu um mal do espaço, mas ou menos tipo em ‘Solaris’.

    Um belo filme, e profundo tb, não tão complicado como ‘ a fonte da vida’ , mas q vale ao menos duas interpretações. Um filme pra vermos mais de uma vez…

  • RUY MASCARENHAS diz:

    e a outra interpretação que caberia no filme, talvez a mais sensata, é que sim, foi realmente tudo real. E as únicas coisas de fato vieram de sua imaginação foram as duas visões da menina q Sam teve.

    e quem era o Sam original ?

    No fim do filme diz q o 6º clone resolveu contar tudo …

    Eu contei 5 clones:

    O Sam original que o robô citou
    O Sam que se acidenta no Jipe lunar
    O Clone q veio para substituí-lo
    O segundo clone da estação criado pelo primeiro Clone de Sam
    e o Sam Pai , que ficou na terra com a filha , quando aparece sua voz na mensagem.

    Faltou o 6º (??)….

  • elusyn diz:

    Quanto ao teu primeiro reply, é uma boa maneira de ver as coisas, mas acho que o final tira isso de questão quando se ouve as noticias antes dos créditos finais.

    Vou mais pela segunda =)

  • Marquinhos diz:

    Eu, bem mais espectador que crítico de cinema, vejo 2009 como um ano otimamente servido de ficção científica (Moon, Star trek, Destrito 9, Avatar…), ficções que tratam de um futuro próximo como “Moon” acabam nos levando a refletir sobre uma posteridade que concretiza
    o que para nós hoje ainda é inviavel, porém, há muito tempo descutido, Clones e seu atrelamento ao próprio progresso do mercado capitalista selvagem, que engana e ludibria sem medir esforços, deixando para mim uma quastão fundamental que é a fabricação de seres humanos a serviço da humanidade irrelevando consquência e carateristicas sentimentais dos mesmos, Moon, veio carregado de significado e questionamentos, chegou aos olhos do espectador perguntando:Quem consome o que?, visto que há a situação do planeta deteriorado e ainda assim dominado por um mercado que não deixa de explorar e consumir, esse filme sem duvida intrigante, acaba por expandir o horizonte dos espectadores que andam acostumados a ficções de cunho totamente comercial, sem duvida há características que lembram o “2001, uma odisséia no espaço” do Kubrick, matando assim
    a vontade de quem não acompanhou o lançamento do clássico de Stanley Kubrick e esperava por algo parecido em sua geração.

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