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Costas Mandylor: «Lua Nova» e a vampirada desdentada

27 Novembro 2009 Visto 883 vezes Escrito por: Costas Mandylor 8 Comentários

costas-mandylor1Convidei o meu querido amigo Fernando Ribeiro para visitar a maravilhosa cidade dos anjos, a pretexto de assistirmos em primeira mão à antestreia oficial da mais recente adaptação das obras de Stephenie Meyer: New Moon, no seu tuga Lua Nova. Estamos a falar do último grito da ‘vampirada’ à ‘morangos com açúcar’ meus amigos, e como não podia haver facilitismos para infelicidade nossa, levamos com as claques ensurdecedoras de fãs com as hormonas aos pinchos. Obviamente alguns de vocês estão-se a questionar do porquê de termos estado presentes numa sequela do qual nem gostamos do original. A resposta é simples: temos um sentido de humor bestial, e o Robert Pattinson é meu amigo.

O êxito de Crepúsculo (2008), levado a cabo por Catherine Hardwicke, foi um sucesso a vários níveis, inclusivamente a nível crítico. Se o filme não esteve no mesmo patamar da obra literária, sinceramente não sei responder visto que não tive a oportunidade de a ler. O que sei é que na minha modesta opinião, o filme sem incomodar nenhum santo, é perfeitamente aceitável. Argumento ranhoso, realização pobre, actores medianos da nova geração, mas surpreendentemente uma química inquestionável entre Kristen Stewart e Robert Pattinson. Um filme de domingo à tarde.

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Sem surpresas, a sequela Lua Nova continua a história de Bella (Stewart) e Edward (Pattinson), e centra-se no patamar seguinte da sua relação. Bella decide-se cada vez mais a trocar carne bem passada por sangue fresco e bifes crus, e Edward acredita que ser branco como o cal, ter lentes de contacto e andar por aí a voar e a fazer de macaco nas árvores, não é o melhor caminho para Bella. Segue-se um incidente no aniversário de Bella, e a muito custo Edward é obrigado a acabar o fervoroso namoro numa atitude sincera de macho protector. Eis que Jacob (Taylor Lautner), o índio mecânico musculado e sem camisola que parece directamente saído da banda ‘Extreme’, decide aproveitar a oportunidade e aproximar-se de Bella, que por sinal devia ser internada num hospital psiquiátrico. Isto tudo origina o triângulo amoroso esperado, e a partir daqui a ‘morangada’ começa a sério.

Meus amigos, este pretexto de filme é um autêntico desastre a todos os níveis. Para além de parecer que estava a assistir a uma película desesperadamente a tentar ser melhor do que aquilo que é, vi-me submerso até ao pescoço de lugares comuns como a obra de Shakespeare Romeu e Julieta. Quantas vezes já vimos a mesma história contada e recontada? Obviamente que numa temática amorosa é comum ver esse conto imortal presente. Mas de forma tão pretensiosa e descarada? Levamos durante grande parte do filme com um Taylor Lautner exageradamente musculado, e constantemente sem camisola, faça chuva, neve, ou sol. Kristen Stewart esqueceu-se de ser actriz e numa sequência irritante de gemidos tenta mostrar que sofre muito, mais parecendo que sofre de uma doença terminal. Robert Pattinson mal aparece durante o filme a não ser nos delírios de Bella, ou então a fazer pose naquilo que se assemelha a um desfile de moda.

Lua Nova teve direito a Chris Weitz, realizador responsável pelo agradável About a Boy (2002) e pelo épico de fantasia The Golden Compass (2007), onde mais uma vez trabalha fora da parceria de Paul Weitz. Mas a sua carreira não parece correr da melhor forma. O trabalho de Weitz é fraco, recorrendo variadas vezes ao 3D para encher o olho, quando soluções muito mais simples chegariam, e provavelmente confeririam um ambiente mais real. Tecnicamente é limitado, e a adaptação de Melissa Rosenberg é pobre, principalmente no que toca aos diálogos. Por falar em diálogos, não estranhem se vos parecer que estão a ver uma tentativa de cinema europeu, e se a única coisa que sair da boca dos personagens for uma declaração da dificuldade que é viverem um sem o outro, e do quanto se amam.

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O filme é ridículo. Existiam promessas de que seria mais negro, mais adulto, mas nem a química entre Stewart e Pattinson foi preservada. Tudo parece simulado, arrastado, e lamechas. O esforço em conter as gargalhadas era tal, que o Fernando Ribeiro tinha lágrimas nos olhos. Pelo menos foi o que ele disse quando o confrontei do porquê de estar a tapar a cara. Dakota Fanning entra 1 segundo no filme, e Michael Sheen não dá nem para apreciar. O incrível é que me apercebi que muitos dos fãs que ali se encontravam, convenciam-se a si próprios de que aquilo não era barrete nenhum. No entanto aqui o Costas apanhou alguns fãs que se sentiam não só desiludidos, como enganados ao ponto de agradecerem não ter pago para ver o filme.

Pois é minha gente, este é daqueles momentos em que preferia ter ficado pela minha cadeira reclinável, o estúpido portátil de 13 polegadas, e o conforto da minha roulotte. Em vez disso tive de separar o nosso querido director do Ante-Cinema de andar à batatada com alguns dos fãs que discutiam de forma acesa a qualidade do filme. Por incrível que pareça, o senhor director sucumbiu ao sangue latino e desatou aos insultos e cuspidelas (com o Robert Pattinson e a Kristen Stewart ali mesmo ao lado!!!). Escusado será dizer que acabámos escondidos na roulotte, e surpreendentemente ninguém se apercebeu que a pessoa ao seu lado era aqui o ilustre Costas Mandylor. Enfim, já mandei o ‘galo de Barcelos’ de volta ao Porto. Só espero que não me venham bater à porta à procura do Fernando Ribeiro. Levar porrada por causa de um filme tão fraco é um castigo demasiado severo.

NOTA MANDYLOR:

1 estrela

O MELHOR:

Se este filme não tivesse sido feito.

O Pior:

Tudo. Desde a animação 3D, aos actores, ao argumento, à realização. É um filme da qualidade invejável das séries juvenis da SIC e TVI.

A FRASE:

Será uma das mais míticas frases do ano: ‘You’re sorta beautiful’“És mais ou menos bonito” – Bella Swan

8 Comentários »

  • João Albuquerque diz:

    Estou rendido ao Costas, agora convence-me a não ir ver o 2012!
    Cumprimentos de um admirador recente

  • Tiago Ramos diz:

    A partir do momento em que o próprio realizador diz que já estava à espera das más críticas, que reconhece que o filme é mau, bom só para os fãs e que o material de origem também não dava para mais, não há muito que possa dizer…

  • Costas Mandylor diz:

    Caros amigos, muito obrigado pelos vossos comentários.

    Tiago, Chris Weitz é um realizador competente e como tal ainda bem que me confirmou as suspeitas. Um realizador que admite, seja no bom ou no mau, é um realizador com carácter. Obviamente deve ter sido sujeito a uma pressão esmagadora por parte dos estúdios. Duvido que este fosse o produto final que desejaria. Vamos esperar pela sua próxima película para apurar os factos.

    Amigo João, afasta-te desse filme! Sem me querer prolongar muito neste assunto, é um fim do mundo que acaba com o próprio filme. O Roland Emmerich devia ter juízo! Já teve uma porrada de oportunidades para ganhar tino, e no entanto o seu ‘Independence Day’ (1996) continua a ser o melhor que já fez. O homem parece não se saciar com tanta destruição! É um obcecado nato. Bem, Deus o ilumine!

    Um abraço do Costas.

  • Fernando Ribeiro diz:

    Tiago, se ele próprio o disse então não sei porque o realizou. Geralmente, quando o guião é mau e quando um realizador que se preze tem a sua visão, costuma recusar filmes como este, sem qualquer conteúdo. O filme é de facto péssimo. Bem haja aqui ao meu amigo Costas pela sua extrema frontalidade.

    Um abraço.

  • Andresa diz:

    O meu interesse por romances e as várias recomendações levaram-me a ler os quatro livros. Sempre notei um certo exagero nas personagens e na história, no entanto, acabei por ser levada a ver o primeiro filme e fiquei totalmente desiludida.
    Sem referenciar os actores, as posturas, os diálogos e a interacção das personagens o que mais me chocou foi a forma como saltaram passagens que evidenciam o desenvolvimento e que fazem significar o filme. Este não respeita o desenvolvimento da história escrita no livro e a sensação que transmite é que o filme é um longo trailer, com cenas cortadas e encadeadas. Os livros são longos e todo o encadeamento é importante para perceber o nível de envolvimento das personagens (ao invés de ter sido criado um filme talvez uma série fizess jus à história).

    O filme estende-se em cenas ‘secas’ e ‘engole’ o desenvolvimento. O exagero destrói o romantismo e a ficção torna-se comédia.

    Lamento o olhar pouco crítico e o comportamento de massas dos fãs que se contentam com a representação infiel da história imaginada.

  • Raquel Silva diz:

    Concordo em pleno.
    Achei o filme completamente ridículo, fartei-me de rir… Tem cenas que até metem dó x)
    Não valeu o bilhete de cinema, mas enfim, deu para espairecer.

  • fernanda diz:

    Gente,
    Jacob é um gato, lindo , gostoso, td de bm
    perfeito pra o papel. parabéns pra ele.

  • Costas Mandylor: Os piores filmes de 2009 diz:

    [...] cinema este ano amigos. É a minha resolução para 2010. E chega de vampiros por favor! Pelo menos daqueles que nós sabemos de quem [...]

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