Delorean apresenta: «Paris, je t’aime»
O Ante-Cinema apresenta a todos os leitores um novo espaço chamado «Delorean». O conhecido e mediático carro da trilogia de O Regresso ao Futuro parte como imagem integral desta nossa nova secção, onde o objectivo passa por apresentar críticas a filmes mais antigos, dando asas para que todos os leitores descubram longas metragens interessantes. Assim sendo, em vez de um ‘Regresso ao Futuro’, o Delorean transporta-nos para um ‘Regresso ao Passado’. (Escrito por: Fernando Ribeiro)
Delorean apresenta: «Paris, je t’aime», por Sérgio Rodrigues
Com a estreia nacional marcada para esta semana de New York, I Love You, o Ante-Cinema revisita o filme original Paris, je t’aime (2006).
O filme de aproximadamente duas horas, e que teve a sua estreia mundial no festival de Cannes em 2006, contém 18 curtas-metragens entre 21 realizadores diferentes, todas sobre o mesmo tema: o amor em Paris.
Entre os vários realizadores, contamos com nomes como Joel e Ethan Coen, Gus Van Sant, Alfonso Cuarón, Walter Salles e Daniela Thomas, West Craven, Gérard Depardieu, Alexander Payne, Nobuhiro Suwa, Olivier Assayas, Guriender Chadha, Sylvian Chomet, Vincenzo Natali, Richard LaGravanese, Tom Tykwer, Isabel Coixet, Christopher Doyle, Bruno Podalydès, Oliver Schmitz e Frederic Auburtin.
No seu vasto elenco, temos como protagonistas nomes como Steve Buscemi, Juliette Binoche, Willem Dafoe, Nick Nolte, Ludivine Sagnier, Maggie Gyllenhaal, Bob Hoskins, Olga Kurylenko, Elijah Wood, Emily Mortimer, Natalie Portman, Ben Gazzara, Gena Rowlands entre muitos outros…
Portanto, são 21 realizadores de nome que contribuem para esta antologia sobre o romantismo cinematográfico passado em Paris. Em 18 histórias segmentadas, com uma duração aproximada de 5 a 7 minutos cada, o amor é retratado de diferentes maneiras ao longo do filme conforme a visão e objectivo de cada cineasta.
Com isto, sabe-se à partida que o filme não é certo ou linear, já que entre os diferentes segmentos nada tem a ver o anterior com o próximo, a não ser o local. É um projecto curioso e singular, e o resultado final, esse no seu todo, pode-se dizer com confiança e sem receios que, no meio de tantos nomes do cinema, praticamente a maioria das “curtas-metragens” merecem o destaque.
(Steve Buscemi em ‘Tuileries’, dos irmãos Coen)
O filme tem muito para oferecer, ‘Quais de Seine’, de Gurinder Chadha, é o segundo segmento apresentado e tem uma visão muito tímida e destemida sobre a paixão juvenil, sobre um rapaz que cria amizade com uma rapariga muçulmana. ‘Le Marais’, de Gus Van Sant, também retrata a paixão juvenil mas esta virada para a homossexualidade sobre o encontro de dois jovens que se ligam espiritualmente e não verbalmente, duas almas gémeas. ‘Tuileries’, dos irmãos Coen e com Steve Buscemi, é de longe o momento mais cómico do filme.
(Catalina Sandino Moreno em ‘Loin du 16e’, de Walter Salles e Daniela Thomas)
Os três registos mais melancólicos são eles ‘Loin du 16e’, de Walter Salles e Daniela Thomas, um olhar triste e com o peso da imigração sobre o amor de uma mãe e o seu filho recém-nascido. Catalina Sandino Moreno interpreta uma jovem mãe que tem de deixar a sua criança numa creche o dia todo para poder ir trabalhar, e isto é cuidar de um bebé de outra pessoa… O segmento é com poucos diálogos, mas o olhar da protagonista diz tudo. ‘Bastille’, da espanhola Isabel Coixet é o típico ’só se da valor quando se perde’ mas neste segmento o protagonista tem uma segunda oportunidade de amar de novo antes de perder. ‘Place des Victoires’, do realizador Japonês Nobuhiro Suwa, conta com Juliette Binoche a superar ainda a perda do seu filho, sendo que este segmento tem também uma pequena aparência final de Willem Dafoe.
(‘Tour Eiffel’ de Sylvian Chomet)
O momento mais divertido e original passa por ‘Tour Eiffel’, de Sylvain Chomet, sobre um rapaz que conta a história dos seus pais, ambos mimos, e como se conheceram na prisão e apaixonaram-se. Do mexicano Alfonso Cuarón surge ‘Parc Monceau’, com Nick Nolte e Ludivine Sagnier, um fabuloso segmento filmado apenas com um único plano contínuo. O mais trágico e também um dos melhores segmentos é ‘Place des Fêtes’, de Oliver Schmitz, que só mesmo visto.
(Olga Kurylenko em ‘Quartier de la Madeleine’, de Vincenzo Natali)
O realizador canadiano Vincenzo Natali, nome mais virado para o cinema fantástico, apresenta-nos um segmento gótico através do seu registo muito clássico com ‘Quartier de la Madeleine’, com Elijah Wood que interpreta um turista que se apaixona por uma vampira (Olga Kurylenko). De Wes Craven, vêm um registo diferente, mais leve e cómico, ‘Père-Lachaise’ é sobre um casal que quando visitam o cemitério Père Lachaise, o homem (Rufus Sewell) é aconselhado pelo fantasma de Oscar Wilde após uma discussão com a sua noiva, Emily Mortimer.
(Natalie Portman e Melchior Beslon em ‘Faubourg Saint-Denis’, de Tom Tykwer)
Do alemão Tom Tykwer, surge ‘Faubourg Saint-Denis’, sobre um jovem cego que reflecte instantaneamente na sua inteira relação, que assistimos por flashbacks, após acreditar que a sua namorada (Natalie Portman) está a acabar com ele por telefone.
No meio de tanto qualidade, os restantes segmentos – como o primeiro capitulo ‘Montmarte’, de Bruno Podalydés; o bizarro ‘Porte de Choisy’, de Christopher Doyle; ‘Quartier des Enfants Rouges’, de Olivier Schmitz e com Maggie Gyllenhaal; ‘Pigalle’, de Richard LaGravanesse; ‘Quartier Latin’, de Gerard Departieu e o capítulo final ‘14e Arrondissement’, de Alexander Payne – poderão ser considerados como os mais fracos do conjunto, ou pelo menos os que não se conseguem destacar.
Devido ao sucesso do projecto, surge agora com a mesma estrutura o filme New York, I Love You, acabado de estrear esta quinta-feira nas nossas salas, e desta, como o próprio nome indica, para retratar várias histórias de amor passadas em Nova Iorque. Outros projectos similares e pelos mesmos produtores também poderão ver a luz do dia nos próximos anos, entre eles ‘Rio, Eu Te Amo’ e ‘Shangai, I Love You’. Mas entretanto esta nova colectânea é um filme a não perder e os próximos serão também bem-vindos.
NOTA:
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