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Exclusivo: Entrevista a Duncan Jones, realizador de «Moon»

11 Novembro 2009 Visto 1.477 vezes Escrito por: Sérgio Rodrigues 9 Comentários

ATENÇÃO: Este artigo encontra-se dividido em três páginas

Duncan_Jones

Moon – O Outro Lado da Lua estreia esta quinta-feira, dia 12 de Novembro, e o Ante-Cinema tem o prazer e o orgulho de apresentar a segunda parte do nosso Especial Moon’: a entrevista exclusiva ao realizador Duncan Jones.

Tivemos o privilégio de falar com o realizador britânico em inícios de Setembro, onde Duncan Jones foi demasiado gentil em dispor algum do seu tempo para responder às nossas perguntas e falar-nos sobre os seus gostos pessoais; sobre as filmagens de Moon e como foi trabalhar com os actores principais; o percurso do filme pelos mais diversos festivais e da sua aclamada e fervorosa recepção.

Ao agradecer-mos, primeiro que tudo, a disponibilidade para esta entrevista, Duncan Jones responde apenas com duas palavras em inglês que mostram de imediato a sua simpatia perante o convite: ‘Happy too!’

SOBRE O FILME:

Pelo trailer, ‘Moon’ parece ter muitas influências em ’2001 – Uma Odisseia no Espaço’ e ‘Solaris’. Quais foram as suas maiores referências para a realização deste filme?
Dunca Jones (DJ): Bem, acho que esses dois títulos influenciaram praticamente todos os filmes de ficção-cientifica duma forma ou de outra. Mas era essa a abordagem idêntica que queríamos aproximar-nos, esses filmes dos fins dos anos 70 e inícios dos 80 quando havia aquele interesse em contar histórias de astronautas, ou trabalhadores no espaço. Filmes como ‘Outland’ com Sean Connery, ‘Silent Running’ com Bruce Dern e até mesmo ‘Alien’ de Ridley Scott, este último, claro, antes de se tornar num filme de terror.

Para além desses filmes, ‘Moon’ foi bastante influenciado pelo livro de fotografias ‘Full Moon’, de Michel Light, e por ‘Entering Space’, de Robert Zubrin, um colaborador da NASA que no seu livro retrata os planos de uma colonização lunar, no nosso caso como Helium-3 poderia de facto funcionar na lua. E finalmente o filme foi inspirado pelo próprio Sam Rockwell! Ele é um actor que admiro muito.

O seu filme tem sido aclamado por alguns como um dos melhores filmes de ficção-cientifica dos últimos anos. Acha que o género tem-se perdido ao longo do tempo?
DJ: Acho que os estúdios actualmente têm uma visão errada no que verdadeiramente faz os filmes do género populares e intemporais. Hoje em dia acredita-se que é tudo sobre efeitos especiais e explosões, sobre grandes orçamentos a serem gastos. Por estas e outras razões eles têm a tendência em fazer os filmes de ficção-cientifica caros e algumas vezes estúpidos.

‘Moon’ viaja atrás no tempo em que a ficção-cientifica era sobre ideias e personagens, e penso que ainda existe audiência para isso, mesmo aqueles que não conhecem para perceberem o que têm perdido…

‘Moon’ tem tido excelentes críticas, principalmente nos festivais, e apesar do filme apenas ter tido lançamento limitado nos Estados Unidos da América, acha que merecia mais promoção mundialmente? Ou prefere que ele mantenha este estatuto de ‘filme de culto’ independente?
DJ: Hum… não. Eu sei que ‘Moon’ não será o típico grande blockbuster, mas também acho que é uma pena que mais dinheiro não fosse gasto na promoção do filme. Penso que ‘Moon’ faria um maior ‘alarido’ com mais publicidade: mais trailers na televisão, mais posters na rua. Claro que a reacção do público faz uma enorme diferença, e são essas pessoas que já viram o filme que podem ajudar-nos a espalhar mais a palavra para que chegue ainda a uma maior audiência.

Como se sente em ter o seu primeiro filme no Top 250 dos melhores filmes de sempre do site IMDB?
DJ: É maravilhoso! Mas talvez bom demais para ser verdade! (risos) Apesar de que, se isso significar alguma coisa, mostra pelo menos o quanto apaixonado o público ficou em relação ao filme. Espero que esse público continue a mostrar o o seu apoio a ‘Moon’ como têm feito, e que também siga os próximos filmes que eu vou realizar.

Como está a correr a promoção de ‘Moon’?
DJ: Bem, confesso que passei uma altura talvez um bocado estranha, principalmente nesse facto que toca à promoção do filme. Sam Rockwell esteve muito ocupado com as filmagens de ‘Iron Man 2′, e Kevin Spacey, pronto, com outros projectos, então sobrou para mim todas as viagens, todos os festivais e entrevistas…

Devido à sua relação com os media e até mesmo com os bloggers, parece que é uma pessoa verdadeiramente orgulhosa do seu filme. Está ‘Moon’ exactamente como gostaria?
DJ: Sim estou! Isto é, eu estou muito orgulhoso em tudo o que conseguimos como um filme ‘pequeno’ e é como eu já disse anteriormente: se eu não estou disponível para o promover quem o fará? Penso que, acima de tudo, com o tempo e o dinheiro que tivemos, fizemos um excelente trabalho.

Está a querer dizer que consegue fazer melhor?
DJ: Claro que sim! O futuro é brilhante e está à minha frente, e eu vou sempre olhar com orgulho para este filme e saber que foi aqui que provei que sei fazer cinema!

Quais foram então as maiores dificuldades na produção deste filme?
DJ: Wow… tantas. Falta de tempo, falta de dinheiro, muitos desafios técnicos tanto para a equipa como para Sam Rockwell. Talvez o maior desafio foi dar a Sam Rockwell a confiança necessária na interpretação, e ‘jurar’ que os efeitos técnicos iriam funcionar da maneira que afirmávamos, deixando-o a fazer o que ele sabe tão bem. A primeira semana de filmagens foi como uma fase de aprendizagem, foi um período de muito nervosismo, mas depois todos nós ‘despertamos’ e tudo o resto foi pura excitação e adrenalina.

Clint Mansell é um grande nome na composição de bandas sonoras, como foi trabalhar com ele? Trabalharam em conjunto para ideias nos temas?
DJ: Clint tem um talento enorme e trabalhar com ele foi um enorme prazer. Ele vive em Los Angeles, mas é inglês, e ainda é muito inglês e fã de futebol! (risos) Nós demo-nos muito bem, e praticamente o meu trabalho com ele foi muito fácil. Deixei-o fazer o seu trabalho, mas sim, dei-lhe algumas sugestões quando as coisas não estavam a funcionar tão bem, mas foi só isso. Não sou músico, por isso todos os temas são de sua autoria, mas foi uma colaboração fantástica.

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9 Comentários »

  • Ricardo V. diz:

    Que excelente entrevista!

    Os meus parabéns. É bom ver que o ante-cinema se torna cada vez mais num ponto de referência no panorama cinéfilo nacional. Espero por mais surpresas destas! :)

    Estou com elevadas expectativas para este filme. A ver vamos se realmente irei gostar.

  • Carlos Martins diz:

    Excelente estrevista.

    E o filme aprovou, embora gostasse de colocar algumas questões ao realizador… Já que ele próprio mencionou o facto do sci-fi por vezes “estúpido”, e neste filme também haver uma premissa um pouco… irrealista. :)

  • Bruno Ramalho diz:

    Muito bom! :D

  • Loot diz:

    Excelente iniciativa. Eu não resistiria a perguntar-lhe se o trabalho do pai teve alguma influência principalmente na banda sonora. Afinal ouve um período espacial bem presente na música de Bowie.

    O filme ainda não vi mas estou bastante curioso.

    Bom trabalho, espero que estas entrevistas sejam algo a contar também no futuro :)

    Abraço

  • Sérgio Rodrigues diz:

    Loot: Não na banda sonora, já que foi toda da autoria de Clint Mansell e o realizador não contribuiu com ideias. Mas pode-se dizer que talvez pode ter influenciado no género, já que Duncan Jones é um enorme fã de ficção-cientifica, e cresceu com as influencias do pai, e com as grandes obras literárias e os clássicos do cinema do género.

    Mas ele é tipo uma pessoa ‘eu cá e tu lá’, não gosta de ser comparado com o pai dele, até que podia muito bem usar o nome de Duncan Bowie, mas preferiu Duncan Jones. Claro que se sabe, mas um nome diz tudo… ;) Ou até por exemplo podia muito bem ter usado um tema do pai no filme, que não teria problemas nenhuns com isso… lol

    Carlos Martins: O ‘estúpido’ é mais dirigido à nova ficção-cientifica vinda de Hollywood, nos grandes blockbusters e não no género em si. ;)

    Obrigado a todos pelos comentários, ainda bem que gostaram. :)

  • Loot diz:

    Eu sei mas ouvi na rádio que o Clint Mansell se tinha inspirado em Bowie para compôr alguns temas, era neste sentido a pergunta.

    Duncan Jones não tem de viver na sombra do pai obviamente.
    Obrigado

  • Fifeco diz:

    Parabéns pela excelente entrevista. Gostei bastante de conhecer um pouco mais sobre o filme. Filme esse que infelizmente ainda não consegui ver porque não chegou cá…

    Mas sou fã de Rockwell e parece-me que esta “odisseia espacial” tem tudo para se tornar num clássico do género.

    Abraço

  • Mais detalhes sobre os próximos projectos de Duncan Jones diz:

    [...] Foi uma mudança de planos para o realizador britânico Duncan Jones, e que o Ante-Cinema destacou o seu primeiro filme Moon com a publicação de uma entrevista exclusiva com o mesmo. (ver aqui) [...]

  • Realizador de «Moon» insatisfeito com a Sony Pictures Classics diz:

    [...] entrevista que o Ante-Cinema realizou a Duncan Jones, este demonstrou largos elogios ao seu actor principal de [...]

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