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Exclusivo: Entrevista a Duncan Jones, realizador de «Moon»

11 Novembro 2009 Visto 1.195 vezes Escrito por: Sérgio Rodrigues 9 Comentários

PhotobucketSam Rockwell e Duncan Jones

SOBRE OS ACTORES:

Como é que se consegue Sam Rockwell e Kevin Spacey no mesmo filme?
DJ: Bem, basicamente a ideia de fazer ‘Moon’ deve-se a Sam Rockwell. Eu tinha-lhe enviado há 3 anos atrás um script de um filme completamente diferente. Ele adorou o argumento mas estava inclinado em fazer outro papel e não aquele que tinha em mente para ele. Nós reunimo-nos num café em Nova Iorque, mas cada um tentava convencer o outro do contrário e então isso não resultou. Mas demo-nos incrivelmente bem. Falamos dos mais variados assuntos, e de filmes que ambos gostamos e que género de personagens gostaria de Sam Rockwell de ter representado. Praticamente temos os mesmos gostos e então eu disse-lhe que provavelmente escreveria algo para ele… E pronto!

Já Kevin Spacey foi uma adição de última hora. Eu queria que fosse ele a voz de Gerty desde o início, mas depois demorou bastante para ele ler o argumento. Quando o leu adorou e ficou entusiasmado com o facto de Sam Rockwell também entrar, mas ainda ficou muito na dúvida devido à sua agenda. Foi então que sugeriu que começássemos a produção sem ele e para depois o contacta-lo. E assim fizemos, mas praticamente foi só quando Kevin Spacey viu a interpretação de Sam que finalmente disse que sim, de tão impressionado que ficou.

Então foi sempre Sam Rockwell a sua primeira e única escolha para a personagem principal?
DJ: Sem dúvida. Mais que isso, como o script foi totalmente escrito para ele, se Sam caso não quisesse fazer o filme, penso que haveria muitos poucos actores que eu poderia recorrer para que ‘Moon’ resultasse.

Quais foram os seus melhores momentos na produção de ‘Moon’?
DJ: Foram muitos para mim. Sempre que finalizávamos qualquer efeito especial era uma pequena vitória… Mas o melhor foi capturar tudo o que Sam fez com a sua interpretação. Eu e o meu director de fotografia olhávamos sempre um para o outro com um sorriso de satisfeitos em cada frame conseguido e apenas abanávamos a cabeça como quem diz ‘é mesmo isto’, e tudo take a seguir de take. Ele é um actor fantástico. Eu já sabia disso antes de trabalhar com ele, mas vê-lo a trabalhar é que nos apercebemos o que isso realmente significa.

Como foi trabalhar com ambos? Mesmo com Kevin Spacey fazendo apenas a voz, foi divertido?
DJ: Bem, eu e o Sam Rockwell, como já disse, ficamos muito amigos. Ele é uma pessoa adorável e temos muito em comum. Estou confiante que iremos trabalhar novamente juntos no futuro.

Kevin Spacey foi super-divertido, mas um verdadeiro profissional. Apesar de só trabalharmos juntos uma tarde, foi inesquecível. Após gravarmos as linhas todas de Gerty, até tivemos tempo para ele fazer algumas imitações… Só é pena é que, se calhar, não vamos poder pôr no DVD a sua imitação de Christopher Walken como Gerty. Muito engraçado. (risos)

Sobre Sam Rockwell e a sua interpretação, foi tudo o que esperava como personagem para a história?
DJ: Sim, sem dúvida. Nós trabalhamos bastante na personagem e a sua devida interpretação. Tivemos uma semana de ensaios antes de começarmos as filmagens, onde deixamos muito trabalho adiantado em relação ao seu desempenho. Quando chegamos ao set, nós já sabíamos o que queríamos fazer, mas, mesmo assim, estávamos constantemente a trabalhar e a afinar a personagem, ou quem Sam Bell era. Existe muito de nós na personagem, eu e Sam Rockwell estávamos ambos numa relação à distancia na altura, e isso alimentou bastante a verdade na personagem de Sam.

PhotobucketSam Rockwell e Duncan Jones na rodagem de ‘Moon’

SOBRE OS FESTIVAIS:

O que mudou na sua vida desde que ‘Moon’ estreou no Festival de Sundance?
DJ: Para mim, a melhor mudança é ser aceite e conhecido como um realizador de cinema, sem dúvida. Mas também posso dizer que conheci bastantes pessoas que eu admiro e que me inspiraram a fazer este filme, a maioria que até já tinham visto o filme e adoraram, e isto é extraordinário para mim… Que dizer, ter Riddley Scott, Terry Gilliam e Peter Hyams a dizer-me que adoraram o meu filme de ficção cientifica… Wow!

E esperava uma reacção tão boa ao seu filme?
DJ: Bem, eu sabia que ia ser um filme diferente do que a maioria que andam por aí, então sempre esperei que fosse mais uma surpresa para as pessoas que iam ter a oportunidade de o ver… Mas não, a reacção dos críticos tem sido soberba, e isso é muito gratificante. É muito bom saber que ainda existe uma audiência para este tipo de ficção cientifica. Só espero que este tipo de recepção venha junto comigo quando começar a fazer outro tipos de filmes.

Como é ter o seu filme em festivais? E como é isso importante para um filme?
DJ: Para o nosso filme foi essencial! A falta de promoção para ‘Moon’ significou que o filme iria depender de duas coisas: as reacções dos festivais e a minha disponibilidade para os media, e também, já agora, a internet. Felizmente ambos os esforços parecem compensados, permitindo que o nosso ‘pequeno filme’ fosse descoberto para uma audiência maior do que o estúdio estava inicialmente à espera.

Nos festivais, de certo que existe muito pressão, como é que um realizador se sente a assistir ao seu filme com uma audiência?
DJ: Das poucas vezes que me sentei junto a uma audiência, foi para mim bastante doloroso no início, depois habituei-me e até comecei a apreciar o filme e o acontecimento. É uma experiência de facto bastante agradável e divertida. O que gosto mais enquanto promovemos o filmes nos festivais, é fazer as sessões de Q&A (questions and answers/perguntas e respostas) depois do filme ter sido exibido. É fabuloso comunicar com as pessoas essas reacções imediatas e discutir isso com elas.

Como se sentiu ao vencer o festival de Edimburgo na categoria de Best New British Feature?
DJ: Isso foi muito importante para nós! Vencer um festival deste calibre e em casa… É mais do que alguém podia sequer imaginar. Eu próprio frequentei uma escola na Escócia. Significou muito saber que o ‘meu povo’ gostou do que eu fiz… E ainda para mais, curiosamente, o prémio soube-me extra especial, já que foi entregue por Sir Sean Connery, o actor principal de ‘Outland’, um filme que ‘Moon’ foi bastante influenciado!!!

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9 Comentários »

  • Ricardo V. diz:

    Que excelente entrevista!

    Os meus parabéns. É bom ver que o ante-cinema se torna cada vez mais num ponto de referência no panorama cinéfilo nacional. Espero por mais surpresas destas! :)

    Estou com elevadas expectativas para este filme. A ver vamos se realmente irei gostar.

  • Carlos Martins diz:

    Excelente estrevista.

    E o filme aprovou, embora gostasse de colocar algumas questões ao realizador… Já que ele próprio mencionou o facto do sci-fi por vezes “estúpido”, e neste filme também haver uma premissa um pouco… irrealista. :)

  • Bruno Ramalho diz:

    Muito bom! :D

  • Loot diz:

    Excelente iniciativa. Eu não resistiria a perguntar-lhe se o trabalho do pai teve alguma influência principalmente na banda sonora. Afinal ouve um período espacial bem presente na música de Bowie.

    O filme ainda não vi mas estou bastante curioso.

    Bom trabalho, espero que estas entrevistas sejam algo a contar também no futuro :)

    Abraço

  • Sérgio Rodrigues diz:

    Loot: Não na banda sonora, já que foi toda da autoria de Clint Mansell e o realizador não contribuiu com ideias. Mas pode-se dizer que talvez pode ter influenciado no género, já que Duncan Jones é um enorme fã de ficção-cientifica, e cresceu com as influencias do pai, e com as grandes obras literárias e os clássicos do cinema do género.

    Mas ele é tipo uma pessoa ‘eu cá e tu lá’, não gosta de ser comparado com o pai dele, até que podia muito bem usar o nome de Duncan Bowie, mas preferiu Duncan Jones. Claro que se sabe, mas um nome diz tudo… ;) Ou até por exemplo podia muito bem ter usado um tema do pai no filme, que não teria problemas nenhuns com isso… lol

    Carlos Martins: O ‘estúpido’ é mais dirigido à nova ficção-cientifica vinda de Hollywood, nos grandes blockbusters e não no género em si. ;)

    Obrigado a todos pelos comentários, ainda bem que gostaram. :)

  • Loot diz:

    Eu sei mas ouvi na rádio que o Clint Mansell se tinha inspirado em Bowie para compôr alguns temas, era neste sentido a pergunta.

    Duncan Jones não tem de viver na sombra do pai obviamente.
    Obrigado

  • Fifeco diz:

    Parabéns pela excelente entrevista. Gostei bastante de conhecer um pouco mais sobre o filme. Filme esse que infelizmente ainda não consegui ver porque não chegou cá…

    Mas sou fã de Rockwell e parece-me que esta “odisseia espacial” tem tudo para se tornar num clássico do género.

    Abraço

  • Mais detalhes sobre os próximos projectos de Duncan Jones diz:

    [...] Foi uma mudança de planos para o realizador britânico Duncan Jones, e que o Ante-Cinema destacou o seu primeiro filme Moon com a publicação de uma entrevista exclusiva com o mesmo. (ver aqui) [...]

  • Realizador de «Moon» insatisfeito com a Sony Pictures Classics diz:

    [...] entrevista que o Ante-Cinema realizou a Duncan Jones, este demonstrou largos elogios ao seu actor principal de [...]

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