Exclusivo: Entrevista a Duncan Jones, realizador de «Moon»
Sam Rockwell e Duncan Jones
SOBRE OS ACTORES:
Como é que se consegue Sam Rockwell e Kevin Spacey no mesmo filme?
DJ: Bem, basicamente a ideia de fazer ‘Moon’ deve-se a Sam Rockwell. Eu tinha-lhe enviado há 3 anos atrás um script de um filme completamente diferente. Ele adorou o argumento mas estava inclinado em fazer outro papel e não aquele que tinha em mente para ele. Nós reunimo-nos num café em Nova Iorque, mas cada um tentava convencer o outro do contrário e então isso não resultou. Mas demo-nos incrivelmente bem. Falamos dos mais variados assuntos, e de filmes que ambos gostamos e que género de personagens gostaria de Sam Rockwell de ter representado. Praticamente temos os mesmos gostos e então eu disse-lhe que provavelmente escreveria algo para ele… E pronto!
Já Kevin Spacey foi uma adição de última hora. Eu queria que fosse ele a voz de Gerty desde o início, mas depois demorou bastante para ele ler o argumento. Quando o leu adorou e ficou entusiasmado com o facto de Sam Rockwell também entrar, mas ainda ficou muito na dúvida devido à sua agenda. Foi então que sugeriu que começássemos a produção sem ele e para depois o contacta-lo. E assim fizemos, mas praticamente foi só quando Kevin Spacey viu a interpretação de Sam que finalmente disse que sim, de tão impressionado que ficou.
Então foi sempre Sam Rockwell a sua primeira e única escolha para a personagem principal?
DJ: Sem dúvida. Mais que isso, como o script foi totalmente escrito para ele, se Sam caso não quisesse fazer o filme, penso que haveria muitos poucos actores que eu poderia recorrer para que ‘Moon’ resultasse.
Quais foram os seus melhores momentos na produção de ‘Moon’?
DJ: Foram muitos para mim. Sempre que finalizávamos qualquer efeito especial era uma pequena vitória… Mas o melhor foi capturar tudo o que Sam fez com a sua interpretação. Eu e o meu director de fotografia olhávamos sempre um para o outro com um sorriso de satisfeitos em cada frame conseguido e apenas abanávamos a cabeça como quem diz ‘é mesmo isto’, e tudo take a seguir de take. Ele é um actor fantástico. Eu já sabia disso antes de trabalhar com ele, mas vê-lo a trabalhar é que nos apercebemos o que isso realmente significa.
Como foi trabalhar com ambos? Mesmo com Kevin Spacey fazendo apenas a voz, foi divertido?
DJ: Bem, eu e o Sam Rockwell, como já disse, ficamos muito amigos. Ele é uma pessoa adorável e temos muito em comum. Estou confiante que iremos trabalhar novamente juntos no futuro.
Kevin Spacey foi super-divertido, mas um verdadeiro profissional. Apesar de só trabalharmos juntos uma tarde, foi inesquecível. Após gravarmos as linhas todas de Gerty, até tivemos tempo para ele fazer algumas imitações… Só é pena é que, se calhar, não vamos poder pôr no DVD a sua imitação de Christopher Walken como Gerty. Muito engraçado. (risos)
Sobre Sam Rockwell e a sua interpretação, foi tudo o que esperava como personagem para a história?
DJ: Sim, sem dúvida. Nós trabalhamos bastante na personagem e a sua devida interpretação. Tivemos uma semana de ensaios antes de começarmos as filmagens, onde deixamos muito trabalho adiantado em relação ao seu desempenho. Quando chegamos ao set, nós já sabíamos o que queríamos fazer, mas, mesmo assim, estávamos constantemente a trabalhar e a afinar a personagem, ou quem Sam Bell era. Existe muito de nós na personagem, eu e Sam Rockwell estávamos ambos numa relação à distancia na altura, e isso alimentou bastante a verdade na personagem de Sam.
Sam Rockwell e Duncan Jones na rodagem de ‘Moon’
SOBRE OS FESTIVAIS:
O que mudou na sua vida desde que ‘Moon’ estreou no Festival de Sundance?
DJ: Para mim, a melhor mudança é ser aceite e conhecido como um realizador de cinema, sem dúvida. Mas também posso dizer que conheci bastantes pessoas que eu admiro e que me inspiraram a fazer este filme, a maioria que até já tinham visto o filme e adoraram, e isto é extraordinário para mim… Que dizer, ter Riddley Scott, Terry Gilliam e Peter Hyams a dizer-me que adoraram o meu filme de ficção cientifica… Wow!
E esperava uma reacção tão boa ao seu filme?
DJ: Bem, eu sabia que ia ser um filme diferente do que a maioria que andam por aí, então sempre esperei que fosse mais uma surpresa para as pessoas que iam ter a oportunidade de o ver… Mas não, a reacção dos críticos tem sido soberba, e isso é muito gratificante. É muito bom saber que ainda existe uma audiência para este tipo de ficção cientifica. Só espero que este tipo de recepção venha junto comigo quando começar a fazer outro tipos de filmes.
Como é ter o seu filme em festivais? E como é isso importante para um filme?
DJ: Para o nosso filme foi essencial! A falta de promoção para ‘Moon’ significou que o filme iria depender de duas coisas: as reacções dos festivais e a minha disponibilidade para os media, e também, já agora, a internet. Felizmente ambos os esforços parecem compensados, permitindo que o nosso ‘pequeno filme’ fosse descoberto para uma audiência maior do que o estúdio estava inicialmente à espera.
Nos festivais, de certo que existe muito pressão, como é que um realizador se sente a assistir ao seu filme com uma audiência?
DJ: Das poucas vezes que me sentei junto a uma audiência, foi para mim bastante doloroso no início, depois habituei-me e até comecei a apreciar o filme e o acontecimento. É uma experiência de facto bastante agradável e divertida. O que gosto mais enquanto promovemos o filmes nos festivais, é fazer as sessões de Q&A (questions and answers/perguntas e respostas) depois do filme ter sido exibido. É fabuloso comunicar com as pessoas essas reacções imediatas e discutir isso com elas.
Como se sentiu ao vencer o festival de Edimburgo na categoria de Best New British Feature?
DJ: Isso foi muito importante para nós! Vencer um festival deste calibre e em casa… É mais do que alguém podia sequer imaginar. Eu próprio frequentei uma escola na Escócia. Significou muito saber que o ‘meu povo’ gostou do que eu fiz… E ainda para mais, curiosamente, o prémio soube-me extra especial, já que foi entregue por Sir Sean Connery, o actor principal de ‘Outland’, um filme que ‘Moon’ foi bastante influenciado!!!
CONTINUA NA PÁGINA SEGUINTE… Clique em baixo na página “3″.

Que excelente entrevista!
Os meus parabéns. É bom ver que o ante-cinema se torna cada vez mais num ponto de referência no panorama cinéfilo nacional. Espero por mais surpresas destas!
Estou com elevadas expectativas para este filme. A ver vamos se realmente irei gostar.
Excelente estrevista.
E o filme aprovou, embora gostasse de colocar algumas questões ao realizador… Já que ele próprio mencionou o facto do sci-fi por vezes “estúpido”, e neste filme também haver uma premissa um pouco… irrealista.
Muito bom!
Excelente iniciativa. Eu não resistiria a perguntar-lhe se o trabalho do pai teve alguma influência principalmente na banda sonora. Afinal ouve um período espacial bem presente na música de Bowie.
O filme ainda não vi mas estou bastante curioso.
Bom trabalho, espero que estas entrevistas sejam algo a contar também no futuro
Abraço
Loot: Não na banda sonora, já que foi toda da autoria de Clint Mansell e o realizador não contribuiu com ideias. Mas pode-se dizer que talvez pode ter influenciado no género, já que Duncan Jones é um enorme fã de ficção-cientifica, e cresceu com as influencias do pai, e com as grandes obras literárias e os clássicos do cinema do género.
Mas ele é tipo uma pessoa ‘eu cá e tu lá’, não gosta de ser comparado com o pai dele, até que podia muito bem usar o nome de Duncan Bowie, mas preferiu Duncan Jones. Claro que se sabe, mas um nome diz tudo…
Ou até por exemplo podia muito bem ter usado um tema do pai no filme, que não teria problemas nenhuns com isso… lol
Carlos Martins: O ‘estúpido’ é mais dirigido à nova ficção-cientifica vinda de Hollywood, nos grandes blockbusters e não no género em si.
Obrigado a todos pelos comentários, ainda bem que gostaram.
Eu sei mas ouvi na rádio que o Clint Mansell se tinha inspirado em Bowie para compôr alguns temas, era neste sentido a pergunta.
Duncan Jones não tem de viver na sombra do pai obviamente.
Obrigado
Parabéns pela excelente entrevista. Gostei bastante de conhecer um pouco mais sobre o filme. Filme esse que infelizmente ainda não consegui ver porque não chegou cá…
Mas sou fã de Rockwell e parece-me que esta “odisseia espacial” tem tudo para se tornar num clássico do género.
Abraço
[...] Foi uma mudança de planos para o realizador britânico Duncan Jones, e que o Ante-Cinema destacou o seu primeiro filme Moon com a publicação de uma entrevista exclusiva com o mesmo. (ver aqui) [...]
[...] entrevista que o Ante-Cinema realizou a Duncan Jones, este demonstrou largos elogios ao seu actor principal de [...]
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