Exclusivo: Entrevista a Duncan Jones, realizador de «Moon»

E DEPOIS DE MOON?:
Sobre o seu próximo filme, já se falou de ‘Mute’ e de ‘Escape from the Deep’… O que poderá vir a seguir?
DJ: O mais certo é ser ‘Mute’ sim. É um outro filme de ficção-cientifica, uma espécie de carta de amor ao ‘Blade Runner’ e muito diferente de ‘Moon’. Mas é certo que vai pelo mesmo caminho no sentido das personagens e ideias interessantes. Está previsto ser filmado em Berlim, com um orçamento ligeiramente superior a ‘Moon’, que é uma das fases mais difíceis: o financiamento. (ver AQUI a arte conceptual de ‘Mute’)
Quais são agora as expectativas para a sua carreira? Existe algum tema em particular que gostaria de explorar?
DJ: Sim, muita coisa! Como já tinha dito, o futuro é brilhante. Sobre o resto, não queria estar a dizer muito já… Não quero que ninguém chegue lá em antes de mim! (risos)
O que acha da industria de Hollywood? Agora que ‘Moon’ está-se a tornar num filme aclamado, o que pensava se eles comprassem os direitos para uma sequela por exemplo?
DJ: Ok, desde que nos paguem bem por isso… (risos) Bem, eu sinceramente não sei, acho que ‘Moon’ funciona bem e como quero sozinho, mas não é certamente um mau filme para se fazer uma sequela. Mas se Hollywood pensar em fazer uma sequela, espero que pelo menos me ofereçam o trabalho de o realizar primeiro em vez de o darem ao McG ou ao Michael Bay! (risos)
SOBRE O PRÓPRIO DUNCAN JONES:
Quais foram os realizadores que mais o influenciaram na sua carreira?
DJ: Sou um grande fã de Ridley Scott, Terry Gilliam, Luc Besson, Kurosawa e Robert Altman. Mas também sou grande fã de muitos outros grandes realizadores! Eu gosto principalmente de realizadores que gastem tempo e dão atenção aos detalhes, em contar as histórias visualmente e que enchem esses mundos com personagens interessantes que contem histórias que prendam. E é esse o tipo de cinema que eu quero fazer.
E consegue enumerar uns 5 filmes dos seus favoritos?
DJ: Bem, isso não é muito justo (risos)… Classificar filmes não é algo que me surge assim naturalmente. Mas certamente ‘Blade Runner’ de Ridley Scott, ‘MASH’ de Robert Altman, ‘12 Monkeys’ de Terry Gilliam, ‘The Princess Bride’ de Williem Goldman e realizado por Rob Reiner e ‘Sanjuro’ de Kurosawa, são todos soberbos filmes que adoro, mas não tão pouco quanto mais 100 que gosto da mesma forma…
Fale-nos um pouco sobre a sua primeira curta-metragem ‘Whistle’?
DJ: Hah! ‘Whistle’ é um thriller futurista, num futuro não muito distante, que decorre nas ruas de Londres e nos Alpes Suíços. Eu fiz-lo praticamente para mostrar que tinha tudo o que era preciso para fazer um filme. São 26 minutos de duração, e não é assim tão mau! (risos) É muito difícil de encontra-lo, mas a boa notícia é que vão incluí-lo como extra no DVD de ‘Moon’. (Duncan Jones refere-se à edição Inglesa do DVD)
SOBRE O CINEMA BRITÂNICO:
O que acha do cinema actual feito no Reino Unido?
DJ: Eu não sei… Às vezes é-me difícil entender o meu próprio país… Especialmente quando se trata de cinema. Temos tanto pessoal talentoso a nível criativo: realizadores, actores, argumentistas e equipas técnicas… E ainda assim somos conservadores ao ponto de escolhermos o que será feito e o que será posto à parte. ‘Moon’, por exemplo, teve de ser feito independentemente, porque o sistema de filmes britânico não o queria financiar. Penso que é parte da velha doença britânica, ser apaixonado debaixo da pele, mas depois falta a confiança necessária por fora. Talvez isto mude com o tempo. Para já parece que continuam a insistir nos mesmos filmes de sempre… Há tanto para oferecer, se ao menos dessem a oportunidade.
O Ante-Cinema agradece ao Duncan Jones toda a simpatia e tempo dispensado para a realização desta entrevista.

Que excelente entrevista!
Os meus parabéns. É bom ver que o ante-cinema se torna cada vez mais num ponto de referência no panorama cinéfilo nacional. Espero por mais surpresas destas!
Estou com elevadas expectativas para este filme. A ver vamos se realmente irei gostar.
Excelente estrevista.
E o filme aprovou, embora gostasse de colocar algumas questões ao realizador… Já que ele próprio mencionou o facto do sci-fi por vezes “estúpido”, e neste filme também haver uma premissa um pouco… irrealista.
Muito bom!
Excelente iniciativa. Eu não resistiria a perguntar-lhe se o trabalho do pai teve alguma influência principalmente na banda sonora. Afinal ouve um período espacial bem presente na música de Bowie.
O filme ainda não vi mas estou bastante curioso.
Bom trabalho, espero que estas entrevistas sejam algo a contar também no futuro
Abraço
Loot: Não na banda sonora, já que foi toda da autoria de Clint Mansell e o realizador não contribuiu com ideias. Mas pode-se dizer que talvez pode ter influenciado no género, já que Duncan Jones é um enorme fã de ficção-cientifica, e cresceu com as influencias do pai, e com as grandes obras literárias e os clássicos do cinema do género.
Mas ele é tipo uma pessoa ‘eu cá e tu lá’, não gosta de ser comparado com o pai dele, até que podia muito bem usar o nome de Duncan Bowie, mas preferiu Duncan Jones. Claro que se sabe, mas um nome diz tudo…
Ou até por exemplo podia muito bem ter usado um tema do pai no filme, que não teria problemas nenhuns com isso… lol
Carlos Martins: O ‘estúpido’ é mais dirigido à nova ficção-cientifica vinda de Hollywood, nos grandes blockbusters e não no género em si.
Obrigado a todos pelos comentários, ainda bem que gostaram.
Eu sei mas ouvi na rádio que o Clint Mansell se tinha inspirado em Bowie para compôr alguns temas, era neste sentido a pergunta.
Duncan Jones não tem de viver na sombra do pai obviamente.
Obrigado
Parabéns pela excelente entrevista. Gostei bastante de conhecer um pouco mais sobre o filme. Filme esse que infelizmente ainda não consegui ver porque não chegou cá…
Mas sou fã de Rockwell e parece-me que esta “odisseia espacial” tem tudo para se tornar num clássico do género.
Abraço
[...] Foi uma mudança de planos para o realizador britânico Duncan Jones, e que o Ante-Cinema destacou o seu primeiro filme Moon com a publicação de uma entrevista exclusiva com o mesmo. (ver aqui) [...]
[...] entrevista que o Ante-Cinema realizou a Duncan Jones, este demonstrou largos elogios ao seu actor principal de [...]
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