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Francis Ford Coppola e o seu «Tetro» – Estoril Film Festival

10 Novembro 2009 Visto 495 vezes Escrito por: Fernando Ribeiro Nenhum comentário

Coppola

POR INÊS REBANDA (AUTORA CONVIDADA):

Francis Ford Coppola, após ter feito filmes que marcaram a história do cinema como é o caso da trilogia de O Padrinho e Apocalypse Now, volta a surpreender com o seu Tetro, tanto pela positiva como pela negativa, visto que divide muitas opiniões. Este filme foi exibido em antestreia nacional dia 8 de Novembro no Estoril Film Festival e levou à abertura de uma segunda sessão à meia-noite, a que eu tive o privilégio de assistir, não tivesse esta esgotado logo na sexta-feira. Coppola foi recebido calorosamente pelos espectadores que o aplaudiram de pé.

Tetro foi um filme escrito, produzido e realizado por ele, e o qual nomeou como o mais íntimo e pessoal que alguma vez fez. Escreveu-o com 22 anos de idade e trata-se do segundo filme da sua “segunda carreira”: mais pequeno, mais individual e alternativo, e que diz ter tido muito gosto em financiar, visto que se pode dar ao luxo disso. Tetro foi rodado totalmente na Argentina, sendo que o elenco de actores e a própria equipa técnica foram escolhidos também neste país, limitando-se apenas a levar o equipamento consigo. Coppola, para além de ter falado sobre o filme, quis salientar o facto de só ter descoberto o que era a fama quando fez o O Padrinho e o que esta fazia e não fazia.

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Falando agora no Tetro propriamente dito, eu gostei particularmente do filme, talvez nem tanto pela história mas pela forma como esta nos é desvendada e pela maneira como nos envolve. Temos Vincent Gallo no papel principal interpretando Tetro, também conhecido por Angelo, e como personagens secundárias mais influentes na história Alden Ehrenreich como Bennie, talvez mais conhecido por pequenas participações em séries como CSI e Supernatural, e Maribel Verdú como Miranda, actores que não marcam as suas personagens mas que se inserem bem nelas e transmitem uma certa química.

Este é um filme dramático, que conta a história de uma família desfeita devido à rivalidade e ao poder, havendo também uma valorização do nome e da sua influência na sociedade, sendo a típica crítica social ao esquecimento da origem com a obtenção do poder, assim como das pessoas que sempre estiveram do nosso lado e à sua constante desvalorização após este acontecimento. Também critica a hipocrisia das pessoas que se deixam influenciar por um simples nome só porque têm um estatuto social elevado e conhecido. Vemos também, para além destas temáticas, o renascer, o encarar do passado, a raiva, a tristeza e o rancor acumulados ao longo dos tempos, o ansiar pela vingança, entre muitas outras. É um filme que de certa forma nos remete para O Padrinho devido a algumas das suas temáticas. O que talvez tenha levado algumas pessoas a não gostarem dele, foi o facto deste não nos contar nada de novo e de ser um drama tido como leve. Não nos mexe muito com a emoção, não nos leva às lágrimas nem ao desespero e não nos choca. O máximo que ele faz é deixar-nos numa situação de suspence, por vezes até um bocado angustiante por não conseguirmos perceber o que se segue mas nada muito profundo. Ainda assim, um bom argumento não se resume só ao conteúdo mas também à sua forma, embora haja provavelmente muita gente que discorde disso.

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Este não é um argumento brilhante no que toca ao seu conteúdo mas, para mim, está muito bem escrito e gostei dele por isso mesmo. Esteticamente é um filme maioritariamente a preto e branco, com imenso contraste mas que também utiliza a cor, embora não da forma convencional, em que o preto e branco é para o passado e a cor para o presente, assim como esta também é ligada à teatralidade, não fosse este um filme que está relacionado ao teatro e à sua escrita. A escolha estética é algo que está muito bem pensada e conseguimos percepcionar isso à medida que a história se vai desenrolando. Pode-se verificar também na filmagem e enquadramento desta um certo jogo de espelhos e de sombras que me chamou à atenção pela positiva. No entanto, a coisa mais interessante que Coppola fez foi juntar a dicotomia ficção/realidade, em que a ficção é a teatralidade mas que está sempre ligada à realidade na história, sem que lhe dê um aspecto forçado. Há uma grande espontaneidade e realismo quando deve haver, por parte dos actores e das situações que os envolve, assim como exagero. Vê-se também um enorme cuidado no desvendar da história, nunca nos é dado muito a conhecer (só o necessário), o que deixa o espectador completamente preso à narrativa e mostra-nos um controlo estremo desta.

Foi um filme que eu não me arrependi de ver e penso que ninguém que o veja se irá arrepender, mesmo que não goste da história devido a todos os outros factores.

NOTA:

3 estrelas

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