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Crítica: «Ágora» – Um filme Épico!

10 Dezembro 2009 Visto 5.952 vezes Escrito por: Pedro Gomes 15 Comentários

Agora

Com um orçamento de 50 milhões de dólares, um elenco onde se salienta Rachel Weisz, elementos de acção equilibrados com momentos dramáticos e momentos onde o espectador é obrigado a usar o seu espírito crítico, o filme Ágora, de Alejandro Amenábar, tem tudo para ser considerado um filme épico.

Uma história com séculos de idade, filmado em pleno Egipto com detalhes autênticos e um elenco de diversas nacionalidades, Ágora prima pela precisão, pelo entretenimento que oferece e carácter educacional que assume. Infelizmente, por não se tratar de um filme que aborde aspectos mais comerciais, talvez não venha a ter o retorno merecido, face a um orçamento dispendioso.

Rachel Weisz é a protagonista com a sua personagem Hypatia, uma lendária filosofa e matemática da antiga Alexandria, numa altura em que o Império Romano começava a entrar em declínio e a aceitar o Cristianismo como a religião legal, sendo que a religião é um dos pontos chave do enredo do filme. Seria o confronto entre o Cristianismo e os interesses pagãos a despoletar uma revolta dos Cristãos.

Na primeira parte do filme conhecemos Hypatia como professora, a ensinar matemática e astronomia aos seus discípulos e a tentar solucionar o enigma das órbitas planetárias em torno do Sol. Famosa por guiar a sua vida pelas Ciências e não seguir cegamente uma religião, normalmente não fazia distinções entre os seus alunos, quer fossem Cristãos ou Pagãos, embora, em situações de maior pressão, revelasse algum desdém pelos escravos. Ao não revelar diferenças entre as duas religiões, originou uma situação de um triângulo amoroso, entre o seu escravo Davus (Max Minghella) e Orestes (Oscar Isaac). No entanto, este aspecto não seria bem explorado, uma vez que a acção principal centra-se no confronto entre as duas principais religiões da região. Na segunda parte do filme, verifica-se novo confronto entre ideiais religiosos, visto que grande parte dos Pagãos se converteram ao Cristianismo, os Cristãos focaram as suas atenções nos Judeus, uma religião emergente.

Agora

Ágora viveu para as expectativas de um filme épico, muito simples, muitos bons pormenores na sua filmagem, perfeito equilíbrio entre a história e a dramatização, onde o elenco esteve soberbo, especialmente na performance de Max Minghella, onde a sua passagem de escravo a soldado Cristão é uma das imagens que será certamente recordada. Amenábar correu um risco deste filme poder ficar um manifesto anti – Cristianismo, com diversas cenas de violência, o que não foi um caso, embora possamos considerar um manifesto contra o extremismo. A única crítica que se aponta deve-se ao facto de ter ficado por explorar de forma mais profunda o triângulo amoroso entre Hypatia e dois dos seus discípulos. Não seria o aspecto mais dominante num filme de forte componente histórica, religiosa e científica, no entanto, uma boa longa metragem não deve ter pontas soltas.

Num filme com grande componente histórica e científica, à qual a figura de Hypatia tem obrigatoriamente de vir associada, existe o perigo de não corresponder à exigência de um público que prefira produções mais actuais e comerciais. Será Ágora muito avançado para o seu tempo? Talvez! No entanto, o seu carácter épico, seja de que forma for, deixará uma importante marca em todos os espectadores.

NOTA:

4 estrelas

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15 Comentários »

  • Sérgio Rodrigues diz:

    Verdadeiramente épico! Magistral!

    Abraços,

  • Jonas diz:

    Pelo que li o filme foi filmado em Malta.

  • Anabela Caldas diz:

    Esqueci-me de que “via” um fime e vivi factos! Isso ninguém muda. Ainda que mudasse o “cenário” do triângulo amoroso (que quanto a mim ficou aquém das expectativas) nada modificaria a verdade transposta. Porque a verdade nunca mente!
    Um excelente elenco fez-nos recordar o quanto a religião é importante entre os homens. Uma leitura e um olhar atento de como em nome de Deus se cometeu e continuam a cometer tantas barbaridades. Parece que não foi há tantos séculos assim… .

  • Pedro Gomes diz:

    Boas Anabela!

    Realmente o filme tem uma elevada carga emocional para o espectador e os 126 minutos de duração do filme passam num instante e deixam-nos a desejar por mais. Creio que será do desejo de todos que este filme tenha o reconhecimento que merece.

    Boas festas!

  • Diogo Alçada Tavares diz:

    Sérgio tinhas razão! Adorei o filme! Nem dei pelo tempo passar. Achei simplesmente divinal a forma como o Amenábar filmou esta obra, misturando algumas características do cinema Europeu, nomeadamente na forma de contar a história, e principalmente na sexualidade presente, que apesar de pouca, sente-se bastante. Um épico à moda antiga, cheio de cenários, belezas visuais, digno de relembrar clássicos dos anos 50 onde se gastavam balúrdios, e se demoravam anos a acabar um filme. É tudo genuíno, e credível. O elenco estava soberbo, o argumento extremamente bem estruturado, e a exploração das lutas religiosas fizeram-me pensar bastante e reflectir cada vez mais na legitimidade de alguns ensinamentos. Tal como ‘Avatar’ fez-me pensar sobre nós seres humanos e a nossa condição. Muito bom mesmo!

    P.S.: Rupert Evans, o actor que interpreta o papel de Synesius, é escandalosamente igual ao Brad Pitt!! Fiquei de boca aberta porque por vezes eram tão confundíveis que podia ser mesmo o Brad Pitt a fazer o papel.

    Cumprimentos*

  • José Ramos diz:

    Um bom filme sobre o sectarismo religioso.
    A ver sem qualquer sombra de dúvida.
    Filme para meditar sobre o que é a Governação quando orientada por qualquer um dos “Livros Sagrados”. Muito pertinente!
    Parece-me é que o filme tem um marketing insuficientemente forte… será por não ter vindo de Hollywood!?… não dá jeito aos cristãos!?… enfim, cá estamos nós a blogar para promover a sua vizualização por todas aquelas almas que acreditam… na liberdade e na capacidade da humanidade para perdoar todas as atrocidades e vilanias cometidas em nome de todos os “deuses”!

  • Pedro Gomes diz:

    Boas!

    Não poderia deixar de mostrar a minha satisfação em constatar que não fui o único a considerar Ágora como uma bela obra de arte, com uma elevada componente intelectual que deveria ser vista nas salas de cinema mais frequentemente.

    José Ramos, tem toda a razão! O filme deveria ter sido alvo de um marketing mais forte, no entanto, acredito que tal tenha sido motivado pela forte mensagem religiosa que o filme pretende passar e que com algum grau de certeza, acredito que muitos ainda não estejam prontos para a compreender com olhos de ver.

    Continuação de bons filmes!

  • Margarida diz:

    Vi ontem este filme e sai da sala mesmo incomodada… o filme é muito forte… Achei a realização, cenografia, figurinos, actuações de um excelente nível e realmente demonstra um período da história que nos faz pensar…

  • Pedro diz:

    Artisticamente adorei o filme, mas não posso deixar de apontar várias dissonâncias históricas. A precisão que tanto ouvi falar falhou quer no objecto dos estudos da Hipatia (ninguém sabe se alguma vez tratou o heliocentrismo)quer na relação de Cirilo com o seu assassinato. Simplifica muito as circunstâncias históricas e os documentos que temos daquela época.

  • Maria diz:

    Adorei o filme ágora, exepccional, quis ver no cinema, mas infelizmente este filme não estriou em quase nenhuma sala de cinema no país. Um pena pois é um épico que deve ser visto e revisto. Em relação ao triângulo amoroso da história penso que há coisas que não têm necessáriamente de serem totalmente exploradas e a cena final vale por tudo e explica tudo,magistral.. Adorei!

  • Solange diz:

    O filme de Amenabar é pertinente nesse momento em que o fanatismo religioso se revigora mundo afora. Contudo, toca também outro tema mais profundo: a opressão contra a mulher. Hoje, ela se manifesta por recursos tão sofisticados que chegam a convencer as próprias mulheres de que esse é o caminho certo da libertação feminina.
    Vale a pena a reflexão em ambas situações.

  • José Moreira diz:

    O melhor filme que vi nos últimos tempos. Uma surpresa em termos técnicos e artísticos. E ainda, um grande documento histórico.

  • Ágora « diz:

    [...] detalhes: Hipátia, Cinema 1, Cinema 2, Ágora [...]

  • Juliano Moniz diz:

    Será que Jesus Cristo pregou o extremismo e a violência? Que eu saiba ele pregava o amor a Deus sobre todas as coisas e o amor ao próximo. Jesus não pregou nem o radicalismo e nem a violência. Tudo isso é obra do Homem, que se diz inspirado por Deus e que tudo está escrito na Bíblia. A Bíblia torna-se uma arma letal quando utilizada por líderes vaidosos e sedentos por poder e aplicados em pessoas incultas que não questionam o que lhes é imposto.

    Que mal fez Hipátia à população da época?
    Acreditemos em Deus e Jesus e não em líderes religiosos. Muitos são gananciosos, vaidosos e seres humanos (que erram muito).

  • josinete diz:

    e muito interessante o filme pois tem um conteudo abragente com estilo epico e e recomendavel para pessoas que querem adquirir um conhecimento a tempos passados a prender sobre uma nova cultura.

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