Crítica Costas Mandylor: «Bright Star»
Esta semana fui ver o novo filme de Jane Campion. Como decidi começar a ver bom cinema e borrifar-me para os conselhos cinematográficos do meu assistente, nada melhor do que deixar-me levar pelo olhar de câmera da neozelandesa.
Sem nenhum filme desde 2003 (In The Cut), tem vindo desde então a realizar apenas algumas curtas e a participar em projectos colectivos. A senhora que me deslumbrou com The Piano (1993), poderia voltar a fazê-lo com este Bright Star (2009). O argumento escrito também por Jane Campion, retrata a vida do poeta John Keats e daquela que foi a sua musa inspiradora: Frances Brawne.
Para todos vocês que podem ter a ideia de que o Costas não é romântico, garanto-vos que estão enganados. O Costas chorou em filmes que vocês nem imaginam! Mas por favor! Este Bright Star de Jane Campion é tão lamechas que por vezes até dá vontade de revirar os olhos. Por falar nisso, experimentem tentar aguentar ver as suas 2 horas de duração sem deixarem cair a cabeça de sono. O filme é lento, sem ritmo, e não se passa rigorosamente nada a não ser os devaneios poéticos de John Keats, alternados com as crises amorosas de Fanny Brawne.

Mas porque nem tudo é mau, ou não fosse um filme do talento e mestria de Jane Campion, somos presenteados com excelentes qualidades técnicas. A câmera de Campion apresenta uma fotografia maravilhosa, a que se junta uma direcção artística com cenários naturais de extrema beleza, parecendo transportar o espectador para a época em questão. Campion é por si só uma poeta. A realizadora escreve com as imagens que capta, fazendo-nos por vezes lembrar alguns dos filmes de Ingmar Bergman. Conseguimos sentir o empenho e qualidade inquestionável de Campion como artista, sem no entanto conseguirmos sentir a sua qualidade como realizadora que apresenta um produto final. Penso que Jane Campion não consegue uma obra que funcione no seu todo, sendo fragmentada e incoerente em partes do filme, e em diferentes sectores.
Vejamos, por exemplo, os actores Ben Whishaw (Keats), Abbie Cornish (Fanny), e o conhecido Paul Schneider (Charles Brown). Longe de ser um elenco de luxo, o que era totalmente desnecessário, é um elenco em que bastava que os personagens de Keats e Fanny fizessem faísca. No entanto, tudo aquilo que temos é o rapaz que cheirava coisas no Perfume de Tom Tykwer, resumido a alguém que se assemelha estranhamente a um Hobbit. Verdade seja dita, este Ben Whishaw não me parece grande actor, e sinceramente não é merecedor de contracenar com a bela e talentosa Abbie Cornish. Cornish interpreta o seu papel de forma graciosa, e apenas ela nos consegue fixar a atenção. Paul Schneider é também uma mais valia no filme. Aliás, o seu personagem tem uma química com a personagem de Cornish muito mais notória do que Whishaw. Apesar dos relacionamentos serem diferentes, numa química deveríamos sentir uma reacção em cada acção. É o que acontece na relação Cornish/Schneider e o que não acontece na Cornish/Whishaw.

O filme acaba por perder o seu equilíbrio quando não se consegue centrar nem no romance, nem na poesia de John Keats. Campion não se decide quanto ao que pretende dar à sua película, e ficamos com a sensação que não funciona. Quando nos apercebemos disso, morremos juntamente com o filme. E digo-vos, não foi uma morte nada fácil! Juntamente comigo estavam a morrer mais uns quantos na mesma fila que eu. Simplesmente não me ocorreu gozar com o resto do filme. A morte parecia ser tão unânime na sala, que metade das pessoas riam-se das bacoradas que aquela cambada de macacos diziam. Era como uma interpretação cómica e ao mesmo tempo pornográfica de todo o filme. Raios! Tenho de admitir que me ri, e pronto, vá lá, graças às suas piadas livrei-me de um sono inevitável.
Para colocar os pontos nos ‘ís’, Bright Star é um filme secante, aborrecido, e que falha em todos os sentidos, exceptuando na interpretação de Abbie Cornish e talvez Paul Schneider (meio estranho lá mais para o fim). Podemos dar conta da boa banda sonora de Mark Bradshaw, dos excelentes apontamentos da direcção artística, e da escrita visual maravilhosa de Jane Campion. No entanto, nada compensa uma seca e um desinteresse por um filme que me fez olhar para o relógio umas 10 vezes.
NOTA MANDYLOR:
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O MELHOR:
A direcção artística, Abbie Cornish, e a poesia visual de Campion.
O PIOR:
Falta de ritmo, Ben Whishaw, a lamechice exagerada, e o desinteresse pela película ao ponto de Keats ser monótono.
A FRASE:
‘It ought to come like leaves to a tree, or it better not come at all.’ – John Keats

Bright Star – Estrela Cintilante ficou na promessa daquilo que poderia ser e não se tornou. É pena porque, no final, ficamos com a sensação que poderíamos ter gostado e sentido muito mais esta história.
Tiago Ramos, aquilo que disseste é muito verdade. Poderia ter sido um excelente filme acerca do poeta John Keats, que tantas damas já me providenciou com os seus poemas. Aqui nos E.U.A. as garinas derretem-se se sair Keats da tua boca. Mas lá está, Campion não conseguiu o que era necessário para fazer deste filme uma obra completa, triunfando apenas nos aspectos técnicos.
Obrigado pelo comentário, e um abraço do Costas.
Fiquei curioso quando apontaste Ben Whishaw como o pior do filme, dado que ainda não o vi, mas desde O Perfume e I’m Not There que me tem agradado bastante.
Abraço!
Jackson, não detesto o Ben Wisham mas acho-o um actor limitado, e neste caso em particular teve uma interpretação vazia, apresentando-se com um figurino digno do senhor dos anéis. Sinceramente a sua presença irritou-me, mas ei, é só a minha opinião. Mas não desgostei das suas interpretações em ‘Perfume’ e ‘I’m Not There’.
Abraço do Costas.
Perdoem-me pelo nome do actor. Estou a entrar na meia-idade e de vez em quando estas coisas acontecem! É Ben Whishaw e não Ben Wisham como está escrito em cima. As minhas sinceras e mandylorianas desculpas.
Abraço do Costas.
Nao gosto muito de romances,mas este filme teria ficado melhor com mais açao,apmentar mais o romance como romeu e julieta.
mas adoro costa mandylor, lindo, sexy e atraente nao me importo com as criticas beijos!!!
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