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Antevisão: «Shutter Island»

24 Fevereiro 2010 Visto 561 vezes Escrito por: Diogo Alçada Tavares 6 Comentários

O novo filme de Martin Scorsese parecia condenado. Desde a sua idealização, produção e concretização, que a película que junta Leonardo DiCaprio, Ben Kingsley, Michelle Williams, Max Von Sydow, Mark Ruffalo, Ted Levine, Jackie Earl Haley, Emily Mortimer, Patricia Clarkson e Elias Koteas, tinha tudo para ser posta na prateleira. Desde os problemas na escolha do realizador – que passou por David Fincher e Wolfgang Peterson – até aos adiamentos na estreia do filme, ou também na escolha dos actores – Brad Pitt foi falado para fazer dupla com David Fincher, e em vez de Mark Ruffalo foram levantados os nomes de Robert Downey Jr. e Josh Brolin. Finalmente a ordem parece ter sido estabelecida, e a partir de quinta-feira, dia 25 de Fevereiro, Shutter Island já poderá ser assistido num cinema perto de si.

Baseado no romance de Dennis Lehane – e adaptado ao cinema de forma a imprimir ritmo e dar novos contornos evitando assim o puro drama – por Laeta Kalogridis – responsável pelos argumentos de filmes como o russo Guardiões da Noite (2004), Alexandre, O Grande (2004), Pathfinder – O Guerreiro do Novo Mundo (2007), e num futuro próximo por Battle Angel, o novo trabalho de James Cameron previsto para 2011 – temos em mãos um filme que parece cair um pouco de ‘pára-quedas’ no meio da extensa filmografia de Martin Scorsese.

Shutter Island

Isto porque, à primeira vista, Shutter Island parece um suspense/filme-pipoca, apelativo ao público em geral, e especialmente aos amantes do famoso thriller, a tender um pouco para o lado sobrenatural. Verificando a carreira de Scorsese, podemos facilmente constatar que a sua obra mais comparável – e ainda muito longe de ser relacionada – seria provavelmente O Cabo do Medo (1991), ou ainda Por Um Fio (1999), no caso deste último pela sua hipotética relação com o sobrenatural. Toda a restante filmografia do realizador foca temáticas especificas, maioritariamente relacionadas com máfia, religião, biografias sobre a ascensão e queda do indivíduo, e a música explorada numa vertente documental.

Shutter Island passa-se no ano de 1954, onde o U.S. Marshall Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio), investiga o desaparecimento de um assassino que escapou do hospital psiquiátrico criminal, que se presume permanecer escondido nas imediações da ilha, chamada de Shutter Island.

O filme promete um ambiente sinistro, aterrorizante, e sobretudo bem arquitectado. Vindo de quem vem, com certeza não irá deixar ninguém a pedir o dinheiro do bilhete de volta. Acima de tudo será interessante ver Martin Scorsese debruçar-se sobre outro tipo de obras em que não se sinta tão confortável, e deixarmo-nos surpreender pela linguagem cinematográfica deste senhor que tanto já deu à sétima arte.

NOS CINEMAS A 25 DE FEVEREIRO

(ARTIGO INSERIDO NA SEMANA «SHUTTER ISLAND» – UM EXCLUSIVO ANTE-CINEMA)

6 Comentários »

  • Fernando Ribeiro diz:

    Boa antevisão Diogo. :)

    Estou com grandes expectativas para este filme, espero que Scorsese não desiluda.

    Abraço.

  • Diogo Alçada Tavares diz:

    Obrigado Fernando.

    Também estou com grandes expectativas para este filme, tanto mais não seja por ter a dupla Scorsese/DiCaprio, e por estar repleto de excelentes actores.

    Amanhã veremos!

    Cumprimentos*

  • Pedro Ponte diz:

    Não quero parecer pessimista (apesar de o ser) mas algo me diz que este filme me vai desiludir. O que não é o mesmo que dizer que vá ser “mau”, mas parece-me improvável que chegue aos calcanhares dos melhores filmes de Scorsese. Principalmente, como foi dito, pelo género em questão. Mas espero que esteja enganado :)

    Abraços.

  • Diogo Alçada Tavares diz:

    Pedro Ponte,

    Sinceramente não precisa de chegar aos calcanhares de nenhum dos melhores filmes de Scorsese. Os clássicos Scorsese já foram definidos há muito tempo, e o cinema hoje em dia já não define épocas como o fazia nos anos 70, 80, ou 90. Parece-me que vai ser um excelente filme, que só um mestre como Scorsese sabe orquestrar.

    Cumprimentos*

  • Filipe Almeida diz:

    Do meu ponto de vista, dúvido que alguem vá querer o dinheiro do bilhete de volta. É uma muito boa adaptação do extraordinário livro de Dennis Lehane (autor de «Mystic River», por exemplo). Prefiro não dizer mais nada para não condicionar a perspectiva com que cada um vai ver o filme…

  • Davi Anthony diz:

    Pontos Realmente Interessantes, Diogo. Parabéns.
    Acredito que será bacana acompanhar essa nova linguagem de Scorsese. Adeus Gangsters, bem-vindas novas peripécias de Martin Scorsese. \õ/

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