Antevisão: «Shutter Island»

O novo filme de Martin Scorsese parecia condenado. Desde a sua idealização, produção e concretização, que a película que junta Leonardo DiCaprio, Ben Kingsley, Michelle Williams, Max Von Sydow, Mark Ruffalo, Ted Levine, Jackie Earl Haley, Emily Mortimer, Patricia Clarkson e Elias Koteas, tinha tudo para ser posta na prateleira. Desde os problemas na escolha do realizador – que passou por David Fincher e Wolfgang Peterson – até aos adiamentos na estreia do filme, ou também na escolha dos actores – Brad Pitt foi falado para fazer dupla com David Fincher, e em vez de Mark Ruffalo foram levantados os nomes de Robert Downey Jr. e Josh Brolin. Finalmente a ordem parece ter sido estabelecida, e a partir de quinta-feira, dia 25 de Fevereiro, Shutter Island já poderá ser assistido num cinema perto de si.
Baseado no romance de Dennis Lehane – e adaptado ao cinema de forma a imprimir ritmo e dar novos contornos evitando assim o puro drama – por Laeta Kalogridis – responsável pelos argumentos de filmes como o russo Guardiões da Noite (2004), Alexandre, O Grande (2004), Pathfinder – O Guerreiro do Novo Mundo (2007), e num futuro próximo por Battle Angel, o novo trabalho de James Cameron previsto para 2011 – temos em mãos um filme que parece cair um pouco de ‘pára-quedas’ no meio da extensa filmografia de Martin Scorsese.

Isto porque, à primeira vista, Shutter Island parece um suspense/filme-pipoca, apelativo ao público em geral, e especialmente aos amantes do famoso thriller, a tender um pouco para o lado sobrenatural. Verificando a carreira de Scorsese, podemos facilmente constatar que a sua obra mais comparável – e ainda muito longe de ser relacionada – seria provavelmente O Cabo do Medo (1991), ou ainda Por Um Fio (1999), no caso deste último pela sua hipotética relação com o sobrenatural. Toda a restante filmografia do realizador foca temáticas especificas, maioritariamente relacionadas com máfia, religião, biografias sobre a ascensão e queda do indivíduo, e a música explorada numa vertente documental.
Shutter Island passa-se no ano de 1954, onde o U.S. Marshall Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio), investiga o desaparecimento de um assassino que escapou do hospital psiquiátrico criminal, que se presume permanecer escondido nas imediações da ilha, chamada de Shutter Island.
O filme promete um ambiente sinistro, aterrorizante, e sobretudo bem arquitectado. Vindo de quem vem, com certeza não irá deixar ninguém a pedir o dinheiro do bilhete de volta. Acima de tudo será interessante ver Martin Scorsese debruçar-se sobre outro tipo de obras em que não se sinta tão confortável, e deixarmo-nos surpreender pela linguagem cinematográfica deste senhor que tanto já deu à sétima arte.
NOS CINEMAS A 25 DE FEVEREIRO
(ARTIGO INSERIDO NA SEMANA «SHUTTER ISLAND» – UM EXCLUSIVO ANTE-CINEMA)

Boa antevisão Diogo.
Estou com grandes expectativas para este filme, espero que Scorsese não desiluda.
Abraço.
Obrigado Fernando.
Também estou com grandes expectativas para este filme, tanto mais não seja por ter a dupla Scorsese/DiCaprio, e por estar repleto de excelentes actores.
Amanhã veremos!
Cumprimentos*
Não quero parecer pessimista (apesar de o ser) mas algo me diz que este filme me vai desiludir. O que não é o mesmo que dizer que vá ser “mau”, mas parece-me improvável que chegue aos calcanhares dos melhores filmes de Scorsese. Principalmente, como foi dito, pelo género em questão. Mas espero que esteja enganado
Abraços.
Pedro Ponte,
Sinceramente não precisa de chegar aos calcanhares de nenhum dos melhores filmes de Scorsese. Os clássicos Scorsese já foram definidos há muito tempo, e o cinema hoje em dia já não define épocas como o fazia nos anos 70, 80, ou 90. Parece-me que vai ser um excelente filme, que só um mestre como Scorsese sabe orquestrar.
Cumprimentos*
Do meu ponto de vista, dúvido que alguem vá querer o dinheiro do bilhete de volta. É uma muito boa adaptação do extraordinário livro de Dennis Lehane (autor de «Mystic River», por exemplo). Prefiro não dizer mais nada para não condicionar a perspectiva com que cada um vai ver o filme…
Pontos Realmente Interessantes, Diogo. Parabéns.
Acredito que será bacana acompanhar essa nova linguagem de Scorsese. Adeus Gangsters, bem-vindas novas peripécias de Martin Scorsese. \õ/
Deixe o seu comentário!
Crítica Ante-Cinema de «A Origem»
Passatempos
Estreia da Semana: «Toy Story 3»
Publicidade
Artigos Recentes
Artigos Mais Comentados
Comentários Recentes