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«Estado de Guerra» vence 6 Óscares e «Avatar» sai derrotado

8 Março 2010 Visto 604 vezes Escrito por: Fernando Ribeiro 22 Comentários

Decorreu durante esta madrugada de domingo para segunda-feira (hora portuguesa), mais uma edição dos Óscares da Academia. Estado de Guerra, tradução portuguesa para The Hurt Locker, foi o grande vencedor da noite com 6 Óscares. O filme de Kathryn Bigelow fez ainda história por consagrar a realizadora como a primeira mulher a vencer a estatueta dourada na categoria de Melhor Realização. Avatar, outro dos fortes candidatos a par de Estado de Guerra, arrecadou apenas 3 Óscares, não conseguindo tantos prémios técnicos como se esperava.

Os 6 Óscares de Estado de Guerra foram para Melhor Filme, Realização, Argumento Original, Montagem, Edição de Som e Mistura de Som. Avatar, o grande êxito de bilheteira mundial, apenas conseguiu ganhar nas categorias de Melhor Fotografia, Efeitos Visuais e Direcção Artística. Logo atrás ficaram Precious e a animação da Pixar Up – Altamente!, ambos com dois Óscares cada.

No que toca às categorias das interpretações, a noite acabou por não trazer grandes surpresas. Logo na abertura da cerimónia conheceu-se o vencedor do Óscar para Melhor Actor Secundário, onde Christoph Waltz, pela sua interpretação em Sacanas sem Lei, conseguiu o mais que merecido reconhecimento. Uma das grandes revelações de Precious, Mo’Nique, venceu na categoria de Melhor Actriz Secundária. Jeff Bridges, que estava nomeado pela quinta vez, venceu o Óscar de Melhor Actor Principal pelo seu desempenho em Crazy Heart (ainda sem data de estreia no nosso país), e Sandra Bullock foi considerada a Melhor Actriz Principal pelo filme Um Sonho Possível (a estrear no fim deste mês em Portugal).

Jeff Bridges Oscar

A grande surpresa da noite recaiu, como aconteceu no ano passado, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Aparentemente a grande disputa centrava-se em O Laço Branco e Um Profeta, mas o vencedor acabou por ser o filme argentino El secreto de sus ojos.

A cerimónia decorreu de uma forma bastante dinâmica e a dupla de apresentadores, Alec Baldwin e Steve Martin, mostraram-se ao mais alto nível. De destacar o pequeno sketch em que ambos referenciaram o recente fenómeno Actividade Paranormal, acabando por ser um dos grande momentos comediantes da noite. De notar também a apresentação individual de Ben Stiller, que surgiu em forma de Avatar, propiciando outro dos grandes momentos da cerimónia. Uma altura emocionante do espectáculo decorreu durante a homenagem ao recentemente falecido argumentista e realizador John Hughes.

Durante cerca de três horas e meia, o mundo do cinema esteve reunido para uma festa com muito glamour e emoções. Este ano a Academia seguiu quase à risca a nova regra dos discursos, onde os vencedores apenas podiam falar durante 45 segundos. Como é óbvio, nas categorias mais importantes este tempo aumentou um pouco mais.

Todos a lista de vencedores desta 82ª edição dos Óscares da Academia AQUI.

22 Comentários »

  • Nasp diz:

    De salientar que a anuncio do Oscar para Melhor Filme foi um pouco diferente do habitual… só percebi quando a Bigelow voltava para o palco :)

  • Fernando Ribeiro diz:

    Nasp,

    Coisas à Tom Hanks. Lá achou que se calhar a cerimónia estava a ser muito longa. Vai-se lá saber… :P

  • VJ diz:

    Mais uma vez ganha o filme politicamente correcto,estado de guerra é um filme que valoriza essencialmente a politica externa americana e o valoroso soldado americano que anda a desarmadilhar bombas no iraque salvando civis.
    Sabendo que actualmente grande parte da população americana é contra a presença de soldados americanos no iraque estes oscars vieram mesmo a calhar.
    Até a intervenção da realizadora ao receber o oscar é a politicamente correcta quando dis qualquer coisa como “Eles estão lá por nós e nós aqui por eles” realmente muito comovente.
    Não ponho em causa os oscars que ganhou embora ache estranho um filme onde um actor anda metade do tempo dentro dum fato tipo mergulhador ganhe todos os oscars principais sendo o de melhor argumento original uma anedota,foi militar e posso dizer que a guerra tem tudo menos originalidade.
    Em relação a avatar não são só os efeitos especiais que contam como a maioria quer fazer querer,as mensagem anti-bélicas e pro-ecologistas estão lá.
    Imaginem por exemplo pandora como sendo o amazonas os na’vi como uma tribo india quantos de nós já não vimos a destruição de ambos nos noticiarios por parte das grandes companhias que só pensam no lucro.
    Para terminar queria só dizer que avatar já bateu tudos os records de assistência e de lucro que pertenciam a titanic do mesmo realizador,e quem faz o sucesso de um filme somos nós o publico e não uma academia viciada que atrbui os oscars a quem mais interessa no momento.

    Ora sendo os estados unidos o maior produtor de armamento e o maior poluidor a nivel mundial um filme como avatar numca poderia ganhar.

  • Joao Bastos diz:

    Realmente não percebi a “opção” de Tom hanks!
    Mas uma coisa é certa: Hurt Locker é um justissimo vencedor. Para mim seria ele ou Basterds… Nunca o Avatar (apesar de ter gostado muito do filme)…
    De resto seria giro ver Tarantino levar um Oscar e Colin Firth também!

    Já agora, ainda bem que Meryl Streep nao ganhou! Já não ha paciencia para tanta nomeação! (e nao quero tirar o mérito da actriz)

  • Ricardo Vieira diz:

    Eh pá a do Melhor Argumento ir para The Hurt Locker deu-me risos. Queria que fosse noite do Tarantino, mas não foi…

  • Jay diz:

    o jeff bridges só ganhou porque ninguém fez de homossexual este ano.
    bem sei que o basterds não podia varrer isto, não seria coerente, mas acho que há coisas que merecem o seu mérito, e o melhor argumento seria mais que justo.
    direcção artística penso que é um prémio que a academia utiliza para compensar o filme “perdedor”, baseando-se no facto de grande parte do público geral não saber (nem querer saber) o que é “art direction”. No ano passado ganhou Benjamin Button (em detrimento do Dark Knight) e este ano avatar (que penso que não é tão satisfatória como a do parnassus).
    O avatar ganhar a melhor fotografia também me parece estranho. Mauro Fiore? Quem? O gajo do smoking aces e do the island do michael bay? Por coerência, o Wall-E tinha ganho este prémio no ano passado.
    Não vi o filme da Sandra Bullock, mas sabia-se que todos a apontavam como a grande favorita (o que acabou por se confirmar), apesar de ter um grande adversário: o facto dela ser péssima actriz.
    O filme estrangeiro todos falavam do alemão, com talvez o francês a sacar surpresa, então vi-os. Ganhou o argentino.
    De referir a não nomeação de Mary and Max nem de 9 nos nomeados de melhor animação.

  • JM diz:

    O Tom Hanks disse no Twitter que a entrega do Melhor Filme não foi apressada por ele. Já tinha sido ensaiada assim.

    Quanto ao resto, Inglourious Basterds não merecia isto. Uma desgraça enorme esta cerimónia.

  • Filipe Coutinho diz:

    Longa vida ao Hurt Locker. Foi justíssimo, pelo menos perante o cenário azul que se fazia adivinhar. Ganhou o filme que é realmente um “filme”. Espero que o presente ano traga mais obras como a que na noite de ontem arrecadou os primordiais galardões. E porque não mais obras como Up in the Air ou Inglourious Basterds? É na simplicidade que está o ganho.

    Abraço

  • Fernando Ribeiro diz:

    Obrigado pelos vossos comentários. Já deu para reparar que alguns gostaram da cerimónia mais que outros, e que nem todos estão contentes com os vencedores das estatuetas. Nesse aspecto é sempre difícil agradart a todos, mas penso que ‘Estado de Guerra’ foi um justo vencedor, mesmo tendo gostado muito de ‘Avatar’ também. Mas lá está, são filmes completamente diferentes.

  • Jackie Brown diz:

    O de argumento original foi uma vergonha.
    E o Tom Hanks passou-se. Devia estar aflito pra ir à casa de banho..

    Abraço!

  • Fernando Ribeiro diz:

    Jackie Brown,

    O meu preferido nessa categoria era o ‘Inglourious Bsterds’, mas percebo a escolha pelo ‘The Hurt Locker’. Apesar de tudo também é um excelente argumento.

  • Diogo Alçada Tavares diz:

    Caro Filipe Coutinho,

    ‘Hurt Locker’ até pode ter sido um justo vencedor. Aliás penso que qualquer um entre ‘Basterds’, ‘Avatar’ ou ‘Locker’ seriam justos vencedores. Agora dares a entender que ganhou o filme que é realmente um ‘filme’, parecendo obviamente referires-te a ‘Avatar’ como não sendo um ‘filme’, isso já é motivo para barulho. ‘Avatar’ não só é um FILME! como é um grande filme, possivelmente um dos mais revolucionários dos últimos tempos, e sinónimo da diversidade e evolução do cinema contemporâneo. Se não fosse um ‘filme’, então teríamos de anular todos os filmes de animação como ‘filmes’, passando a considera-los como, sei lá, uma cambada de pixeis construídos arduamente por meia dúzia de desgraçados. Para mim um ‘filme’ seja qual for a técnica, tem de ter o dom de comunicar com o espectador. Com certeza todos os espectadores de ‘Avatar’ devem estar muito errados, não?

    Cumprimentos*

  • JM diz:

    A questão não é Avatar ser um filme ou não. A questão é não ser um filme completo a ponto de ser nomeado para Oscar de Melhor Filme. Animação. Veja-se o caso do Up: não há qualquer ponto do filme descurado. Enquanto que Avatar é muito pobre em storyline e representações. Dava o Oscar de melhor filme mais depressa ao Up do que ao Avatar. Um filme não é só o visual, também é história e precisa de um bom argumento, coisa que Avatar não tem.

  • Ricardo Vieira diz:

    Avatar fez o que muitos tentam fazer! Levar pessoas ao cinema, aliás, levar legiões de pessoas ao cinema. Caraças, eu não consigo entender o movimento anti-avatar. A sério que não. O meu preferido para o Óscar era m os bastardos, mas não ganhou! Acho injusto, mas não ando a dizer antes o Hurt Locker que o Avatar. Lol, qual é a crise?
    É entretenimento! As pessoas querem ver isso. E para não falar na evolução técnica que trouxe! Gosto de cinema clássico, mas vejo com óptimos olhos novas tecnologias ao serviço do cinema,nomeadamente o 3D,
    Hurt Locker ganhou o prémio, mas Avatar será muito mais lembrado. Disso não tenho dúvidas.

  • Filipe Coutinho diz:

    Diogo,

    Por acaso não era uma boca para o barulho. Mas se quiseres posso justificar melhor a minha opinião e, até, confesso, agressividade na forma como me dirigi à obra de Cameron.

    É inegável que Avatar representa uma evolução a nível técnico no que ao mundo da cinefilia diz respeito. O seu visual pode ser notável, o 3D até funciona e a criação de Pandora é um prodígio das novas tecnologias. Avatar é, portanto, um filme que percorre a estrada da evolução. Ora, se me perguntares se a arte associada ao cinema é apenas visual, eu responderia-te, mesmo na condição de leigo na matéria, que não. E se Avatar é prolífico na tal componente visual (embora eu considere que haja filmes, na sua simplicidade, bem mais estimulantes visualmente como The Night of the Hunter ou Hero ou até On the Waterfront. Porque não referir Sin City?) não se poderá dizer mesmo no que toca à sua essência. A história é bem desenvolvida mas não passa de uma mescla de produtos já existentes primando, em determinados momentos, pela pieguice e pela previsibilidade. E já agora, não faltam momentos de acção impossíveis que só não são criticados porque “isto é Avatar”. Se aparecesse num filme do Van Damme ou do Vin Diesel já era uma situação escabrosa. E, sendo sumário nas palavras, digo-te que sinceramente, quer goste de Avatar quer não, não o considero um “filme” para ganhar uma estatueta dourada que não nos aspectos técnicos. Nesse particular, The Hurt Locker, em toda a sua simplicidade, é bem melhor.

    Também gostei imenso, imenso, do Star Trek mas nunca diria que é filme para figurar nos Oscares. Porque efectivamente não o merece.
    É um bom entretenimento, excelente até, mas é só. A diferença face ao Avatar é que não se tornou no filme mais caro de sempre. Que seria dos Oscares se o filme mais caro de sempre não estivesse lá???

    Mas claro caro Diogo, é apenas uma opinião. Não é uma boca para o barulho nem pretende ser maliciosa.

    Cumprimentos

  • Pedro Ponte diz:

    Bem, ainda não me manifestei em relação a domingo, por isso aqui vai:

    … E aproveitanto o ‘barulho’ Avatar, começo por dizer que concordo que não merecia o Óscar de melhor filme. Não vou ao ponto de dizer que fiquei feliz por não ter ganho (se calhar um pouco) mas concordo com o Filipe Coutinho, o vencedor desse prémio TEM que ser um filme forte em todos os aspectos. A minha experiência de visionamento de Avatar foi fantástica (tirando o 3D, mas isso é outra história). Entreteve-me imenso, surpreendeu-me e fascinou-me. Mas tudo isso que senti não teve rigorosamente nada a ver com a história. E para mim a história vem sempre primeiro, sempre. Mesmo quando estamos a falar daquele que é provavelmente o filme mais revolucionário dos nossos tempos.

    Dito isto, foi The Hurt Locker um vencedor justo? Foi. Era a minha escolha? Não. O melhor filme de 2009, e já estou farto de dizer isto, foi Inglorious Basterds. É tão simples quando isso. Mas é óbvio que não ia ganhar. Não ganhando, acho que ficou muitíssimo bem entregue. Tanto por The Hurt Locker ser um filme lindíssimo e brilhante a nível técnico, como por não ser preciso óculos 3D para o ver.

    Abraço!

  • Diogo Alçada Tavares diz:

    JM,

    Perdoa-me discordar contigo na parte do ‘Up’ não ter nada descurado. Pessoalmente achei um filme com muitas fragilidades, tanto a nível de argumento, bem como a nível de ritmo e maturidade no tema. Tem um inicio arrasador para um filme de animação, com muita força emocional, mas à medida que desenrola torna-se um filme bastante infantil. Nunca dava um Óscar ao ‘Up’, e nem na categoria de melhor filme de animação me convenceu, uma vez que o meu preferido era o ‘Fantastic Mr. Fox’, mas claro, a Pixar leva sempre tudo. ‘Avatar’ tem um bom argumento, simplesmente é usado e abusado na história, que apesar de já muito vista, é sempre apelativa. Mas tudo bem, concordo que não é o ponto forte do filme. Mas uma coisa é a história, e outra é o argumento. Um argumento não é só uma história. É a criação de personagens, diálogos, uma extensão para a parte visual precisa e exacta! E aquele universo está em papel. Portanto ‘Avatar’ não deve ser sacrificado por isso.

    Ricardo Viera,

    Concordo com o que o Ricardo diz. Qual é o problema de ‘Avatar’? É definitivamente um filme que será imortalizado, e provavelmente um marco que será recordado daqui a muitos anos como se faz com ‘Star Wars’ ou o ‘Padrinho’. Eu não sou anti-’Hurt Locker’, nem a favor do Avatar, porque para mim até ganhava o ‘Barterds’. Mas irrita-me ver toda a gente contra o ‘Avatar’ caso ganhasse. Se ganhasse era bem dado, assim como a qualquer um dos 3 que referi.

  • Diogo Alçada Tavares diz:

    Filipe Coutinho,

    Desculpa lá Filipe, mas é óbvio que opiniões não são soberanas, e como tal vou contestar algumas das coisas que disseste. Como é que podes falar de simplicidade, comparando um filme que aplica técnicas de animação 3-D, algo muito complexo, com complexas escolhas técnicas de filmes como ‘On the Waterfront’, ‘Night Of The Hunter’, e ‘Hero’? A evolução e o primor desses filmes que mencionaste não estão em plataformas diferentes de fazer filmes, estão sim, em diferentes valores estéticos. Não podes comparar isso a ‘Avatar’. Uns são imagem real, outros são animação 3-D. Agora tanto uns como outros são, efectivamente, filmes. Isso é inegável. Falaste-me em ‘Sin City’, aí talvez já te estejas a aproximar da questão, pois o seu conteúdo brinca com elementos visuais criados a computador. Não concordo que ‘Avatar’ seja uma mescla de momentos piegas. ‘Titanic’ tem momentos bem mais piegas, e com certeza muita gente gostou. Quanto á acção, é óbvio que por ali devem acontecer coisas impossiveis, porque também estamos inseridos num ambiente completamente diferente e irrealista. Já filmes do Van Damme e Vin Diesel, como estão inseridos na sua maioria na nossa realidade, têm um desconto menor quanto à credibilidade das cenas. Dou-te o exemplo de ‘Matrix’.
    Tudo isto para dizer que respeito a tua opinião, e até concordo que para se ganhar o Óscar há que existir o filme equilibrado em todos os sentidos. Mas repara. Há que ter em conta que os Óscares não são um festival, são uma cerimónia. Uma cerimónia que celebra maioritariamente Hollywood como indústria. E filmes como ‘Avatar’, capazes de erguer o cinema mais dirigido ao público, não aparecem todos os dias. ‘Hurt Locker’ é excelente, mas também é bem mais comum. Basta darem uma olhada no ‘The Messenger’ para qual o Woody Harrelson estava nomeado.

    Não gostei muito do ‘Star Trek’, e nem sequer considero comparável ao ‘Avatar’. Acho que o ‘Avatar’ tem uma força descomunal, é grandioso, apesar das fragilidades. Já o ‘Star Trek’ é mais um filme remodelado, que comemora uma popular e amada saga. Mas são opiniões.

    Um grande abraço Filipe.

  • Diogo Alçada Tavares diz:

    Pedro Ponte,

    Sábia opinião amigo. Disseste tudo, apesar de discordarmos em 2 ou 3 pontos. ‘Avatar’ tem uma história e um tema reciclado, mas o argumento é outro assunto, pela sua parte técnica. Concordo com o facto de o prémio até ter sido bem entregue ao ‘Hurt Locker’, mas fico irritado com tanta festa anti-’Avatar’. Para mim se ganhasse, podia até nem ser o melhor filme, mas seria merecido por muitos outros aspectos. Como dizes, um filme tem de ser bom em todos os aspectos, e ‘Avatar’ conseguiu se-lo onde mais nenhum se consegui assemelhar: Na comunicação com o público. Só por isso, já seria um bom motivo.

    Para mim também ganhava o ‘Basterds’, mas lá está, todos os 3 eram bons candidatos para mim.

    Cumprimentos*

  • Filipe Coutinho diz:

    Todas as artes são sujeitas a um elemento de subjectividade e o cinema não é excepção. Daí que podemos estar aqui a “discutir” durante muito tempo. Ainda assim queria realçar essa subjectividade, nomeadamente no que é belo aos olhos de cada um. Se me perguntares “gostaste do Avatar?”, eu respondo-te “Foi um bom entretenimento. Valeu o preço do bilhete”. Ir mais além do que isso, nunca o consideraria. Nesse seguimento e segundo as tuas palavras de que os Oscares festejam o cinema como uma indústria, faz todo o sentido que Avatar esteja nomeado. Mas porque esse facto há de o fazer um dos principais candidatos? Se o cinema começou como exclusivamente como uma forma de fazer dinheiro e é inegável que todas as decisões acabam por ter contornos monetários, também é verdade que com o movimento impressionista fez com que o cinema evoluísse para o estatuto de arte. Porque não podem os Oscares evoluir nesse sentido também, exactamente como Avatar também evoluiu tecnologicamente?

    Mas já me estou a distanciar da componente visual. Existe uma evolução sim mas repara que nem todas as evoluções são premiadas. Sin City é o exemplo. Não conheço a tua opinião acerca do filme mas conheço a do Fernando e sei que ele não se sente atraído pelo seu estilo visual. Contudo, também foi um tanto ou quanto revolucionário e nem por isso foi nomeado para Melhor Filme. Aliás, nem para “melhor Efeitos Visuais” foi considerado. Um exemplo mais rebuscado será o de Memnto. A sua inovação a nível de escrita de argumento é notável. E se realmente foi nomeado para a categoria de Melhor Argumento, nem sequer o venceu, perdendo para Gosford Park. E mesmo a sua revolução não foi suficiente para lhe garantir a nomeação para Melhor Filme. Porque? Contornos monetários talvez…Tenho dificuldades em acreditar que haja por aí alguém que considere Memento inferior a In the Bedroom, Gosford Park ou mesmo o vencedor desse ano A Beuatiful Mind.

    Mas enfim, dificilmente chegaremos a um consenso :p

    Abraço

  • Diogo Alçada Tavares diz:

    Amigo Filipe Coutinho,

    Nota-se que andas em direito. Eheheheh, fundamentaste com distinção, e preparaste bem o teu argumento =p. Repara, os Óscares evoluíram a vários níveis, e evoluíram principalmente a nível artístico. Concordo plenamente com muitas das coisas que dizes, principalmente no factor ‘Memento’ e no factor ‘Sin City’. Ao contrário do Fernando, considero ‘Sin City’ uma obra de topo, obviamente nota máxima! Mas uma coisa que é necessário entender, é que existem 2 biliões de pessoas no mundo, todas elas com gostos peculiares. Eu não consigo entender como é que alguém gosta de Tony Carreira, exactamente da mesma maneira que tu não consegues entender porque é que alguém acha o Memento inferior a tantos outros. No entanto, isso é algo impossível de apurar. Se os Óscares são uma cerimónia premiada por seres humanos, mesmo que sejam pessoas da indústria, cineastas, cinéfilos, etc., estamos sempre sujeitos à opinião e influência dessas pessoas. Os Óscares são apenas o veredicto de alguém. No final de contas se não gostares, tens direito à tua opinião. ‘Sin City’ foi premiado e distinguido em outros sítios, assim como ‘Memento’ o foi com toda a certeza. Porque raio é tão importante, e irritante quando os filmes que mais gostamos não são nomeados ou vencedores de um Óscar? Simplesmente porque a sociedade nos incutiu esse valor, porque na realidade não passa da opinião de alguém, que possivelmente até se deixa corromper por meia dúzia de influências politicas. Agora, os Óscares não poderiam seguir o exemplo de Cannes, ou Veneza, pois isso obviamente corromperia os alicerces da cerimónia. E mesmo assim, os Oscares continuam a ser o expoente cinematográfico do cinema ‘mainstream’, e obviamente que transcende o circulo cinéfilo, chegando um pouco a toda a gente. Daí ‘Avatar’ ter tido a importância que não teve ‘Memento’, ou ‘Sin City’, obviamente muito menos acessíveis que o filme de Cameron.

    Grande ‘chat’ Filipe =)

    Um grande abraço.

  • Diogo Alçada Tavares diz:

    Correcção: Filipe Coutinho afinal anda em Economia e Gestão. Eheheheh perdoa-me o erro crasso Filipe. De qualquer das formas devias ir para Direito =p.

    Cumprimentos*

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