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Crítica: «Alice no País das (Tristezas) Maravilhas»

11 Março 2010 Visto 2.114 vezes Escrito por: Costas Mandylor 18 Comentários

Aposto a minha cadeira reclinável e a minha humilde roulotte, como vocês, caros leitores, já sentiam saudades aqui do vosso amigo Costas. Pois é! Depois de umas relaxantes férias nas Bahamas de charuto na boca, voltei para atormentar os vossos juízos. Pelos vistos por terras lusas, andaram todos tolos com o Fantasporto. Hum, pelo menos o chefão Fernando Ribeiro andou. Que doente mental dedicado que o nosso director é. Acreditam que ele foi todos os dias ao festival? Deus me livre, não tem vida o homem.

Mas volto a falar-vos por maus motivos. Quando cheguei das Bahamas preto como o carvão, a primeira coisa que quis fazer foi meter-me num cineminha bem escuro e confortável, acompanhado pela pipoca e pela borbulhante Coca-Cola. Estava com saudades do Timmy. Já não via nada dele desde Sweeney Todd, e considero-me um fã confesso do seu cinema macabro, original, e visualmente estonteante. Ah! Peço desculpa. Timmy é o nome que dou ao Tim Burton. Desde que brincávamos na caixinha de areia do parque infantil que o trato assim. Parece impossível acreditar nisto, mas é ele mesmo que mo exige! Ainda hoje me sinto constrangido em chamar ‘Timmy’ a alguém que se veste de preto todos os dias, e que dorme em quartos separados da mulher.

Alice in Wonderland

O seu novo filme, Alice no Pais das Maravilhas, é nada mais nada menos, que uma adaptação do conto de Lewis Carroll, já infinitamente adaptado, ora em versões mais subtis, – o fabuloso O Labirinto do Fauno – ora em versões fiéis à obra literária. Mas afinal estamos a falar de Tim Burton, certo? Esperamos um filme com uma direcção artística de chorar por mais, personagens mirabolantes, – aliás, Alice no Pais das Maravilhas parece ter sido feito à medida de Burton – a banda sonora mágica de Danny Elfman, e um Johnny Depp fora de série. Contudo meus amigos, o Timmy parece ter vestido algo mais colorido que o seu habitual preto, e provavelmente dormiu na mesma cama de Helena Bonham Carter. O filme é invariavelmente fraco.

Por quanto será que a Disney comprou o génio artístico do realizador? Pelo quê, ou porque é que Tim Burton abdicou do seu habitual controlo artístico? Ou pior ainda, porque é que este não parece ser um filme realizado por ele? Estive perante 108 minutos de pura chatice, e para juntar à festa, levei com um 3-D que para o bem e para o mal, nunca mais terá encanto depois de se verem obras-primas visuais como Avatar. A verdade é inevitavelmente essa. Avatar torna qualquer filme em 3-D no maior ‘poio’ cinematográfico alguma vez visto, e acreditem que o ‘cheiro’ veio para ficar durante algum tempo. Portanto, o que tem o filme de Burton que se aproveite? Alguns bons apontamentos na parte do elenco, onde por exemplo, Helena Bonham Carter, desempenha o papel mais notável de todo o filme. A sua interpretação de Rainha Vermelha é hilariante.

Alice in Wonderland

Mas pouco mais há a realçar. A história é fiel à obra, portanto a nível de argumento são ‘favas contadas’. No que toca à direcção artística, é tão comum e vulgar como um dos capítulos da saga As Crónicas de Narnia, ou outro filme baseado em obras literárias com tons mais infantis. A animação 3-D é de longe aquilo em que não queremos ver Tim Burton metido, ou não fosse ele fascinante por toda a sua imaginação, que consequentemente é posta em prática pelos directores artísticos. Perde fortemente a sua genuinidade. Por falar em infantil, esse é um dos maiores problemas deste filme, pois a sua leveza é tal, que aconselho os responsáveis do canal ‘Baby TV’ a comprarem imediatamente os direitos de exibição. Vocês perguntam: ‘Que tal o Johnny Depp?’, e eu respondo: ‘Qual Johnny Depp?’. O actor que interpreta a personagem de Chapeleiro Louco, não arranha nem por um momento a genialidade que se lhe conhece, principalmente em filmes cujo teor alucinante é, sempre um mote para sacar interpretações memoráveis por parte do actor. Anne Hathaway como Rainha Branca consegue irritar até um padre canonizado, e Mia Wasikowska, a Alice desta versão, é como alguém me disse, uma espécie de jovem Gwyneth Paltrow. Apesar disso, a rapariga cumpre, mas não deslumbra. O restante elenco é composto por nomes como: Michael Sheen, Stephen Fry, Alan Rickman, e Timothy Spall, que dão o seu contributo através das vozes. Temos ainda Crispin Glover, no papel de Stayne, o guardião da Rainha Vermelha, que não favorece nada a carreira praticamente ‘morta’ do actor.

Alice in Wonderland

Dito isto minha gente, o Costas achou o último filme do Timmy um disparate digno apenas daqueles que não ostentam o selo de qualidade a que Burton nos acostumou, onde nem a banda sonora de Danny Elfman conseguiu proporcionar ambiente. Se O Planeta dos Macacos era provavelmente o seu filme mais fraco, então Alice no Pais das Maravilhas rouba descaradamente o cinto de campeão a qualquer macaquinho do ‘remake’ do original de 1968. A adaptação da obra de Lewis Carroll é um percalço do realizador para esquecer rapidamente. Esperemos agora por A Bela Adormecida, onde aguardo com expectativa uma abordagem negra e traumatizante, capaz de provar que afinal o Timmy voltou a ir dormir sozinho para o seu quarto, e que definitivamente não assinou um contrato de escravo artístico com a Disney.

NOTA:

Photobucket

O MELHOR:

Helena Bonham Carter e a personagem do Gato Cheshire.

O PIOR:

A infantilidade da abordagem. A banalidade da linguagem cinematográfica, que nos faz pensar se foi Burton a realizar este filme, ou alguém que por coincidência também se chama Tim Burton. Anne Hathaway dá vontade de dar um tiro. Ter de dar uma nota simpática, apenas por respeito ao realizador.

A FRASE:

‘There is a place. Like no place on Earth. A land full of wonder, mystery, and danger! Some say to survive it: You need to be as mad as a hatter.’ – Chapeleiro Louco.

18 Comentários »

  • Tiago Ramos diz:

    Cada vez tenho menos vontade de o ver!

  • JM diz:

    Realmente o filme desiludiu-me muito mesmo!

  • catia gomes diz:

    Concordo com a parte da Anne Hathaway. É ridícula. E concordo com o seu “o melhor”. Todo o resto discordo. O filme é muito, muito bom. Acho os efeitos especiais do melhor. O gato está tão bem feito que eu quero ter um igual. As caras das flores estão fabulosas. O Tweedledee / Tweedledum está espectacular. A cena do jogo de cricket é deliciosa. A cena do porco e da raínha de copas também. Aliás, todas as cenas da Helena são boas. Podia ser mais assustador? Podia. Mas mesmo assim é um filme delicioso. Não fosse o cinema tão caro e ía ver outra vez.

  • Carlos Guedes "Boladão" diz:

    Catia you should’ve said SPOILER ALERT!

  • catia gomes diz:

    Sorry, sorry, sorry. Não pensei nisso. Só falei numa cena que tem no filme que toda a gente conhece. E numa que aparece no trailer. Espero que não seja grave.

  • Raquel diz:

    De certeza que não viste o mesmo filme que eu.

    As personagens, os cenários e o 3D estão fantásticos.

    Bem.. e se agora formos sempre qualquer filme o avatar tamos bem tramados, todos os filmes vao desiludir entao.

    Penso que só não gosta deste filme quem vai para o cinema acompanhado pela pipoca,pela borbulhante Coca-Cola e com expectativas demasiado altas, pois apesar de o realizador ser o Tim Burton, este é um filme da disney e como tal de certeza que tiveram que proceder a algumas alterações e cedências de ambas as partes.

    Esta nota é completamente injusta.

  • João Pereira diz:

    Bem em relação à crítica feita, o filme não é fiel à obra porque este é uma continuação da obra, o regresso da Alice ao País das Maravilhas, onde maravilhas já não existem, apenas destruição provocada por a Rainha Vermelha que procura desenfreadamente a Alice.

    Da obra original temos apenas um flashback da Alice, quando era mais nova(10 anos talvez) e alguns hábitos de certas personagens, introduzidos anteriormente por o filme de animação da Disney (como por exemplo a loucura de algumas personagens, o jogo de cricket, etc). Neste filme a Alice já tem 19 anos.

    Por outro lado concordo que a Rainha Vermelha destaca-se mais que os outros personagens, e que a Rainha branca é algo do outro mundo que caiu ali de para-quedas.
    No geral gostei do filme.

  • JM diz:

    Eu acho a nota bastante justa. Um filme não é feito exclusivamente de cenários, personagens e 3D. Pelo contrário, não sou espectador de cinema de pipoca e Coca Cola, mas esperava um filme muito melhor. Pois o que me parece é que o Tim Burton teve que ceder em muitas coisas e daí o filme ter sido uma desilusão. Algumas personagens não têm “propósito” (apesar de ser este um mundo de loucura) e o argumento é muito, muito fraco. A storyline é demasiado linear e a personagem de Alice é muito mal aproveitada. No final do filme, não fico com a sensação de “viagem realizada” ou de “missão cumprida”.
    E sim, por várias vezes senti que estava a ver as Crónicas de Narnya, ou algo do género. Talvez se o filme não estivesse preso à Disney, o Burton tivesse feito algo bastante melhor.

  • Costas Mandylor diz:

    Ah! Meus queridos leitores, o quanto aprecio o poder da opinião. Ainda bem que assim é!

    João Pereira, quando falei na adaptação da obra de Carrol, falo no sentido de não ser uma adaptação subjectiva, inspirada, como o ‘Labirinto do Fauno’ que falei, mas uma adaptação que utiliza todos os personagens, e todos os elementos da história de Carrol e do posterior filme da Disney. De qualquer forma, confesso que não me tinha apercebido do que disseste. Na altura estranhei a Alice ser mais velha, e não associei os ‘flashbacks’ ao filme de animação da Disney. Agora que o disseste, acendeu-se uma lâmpada na minha cabeça capaz de me pôr abaixo da cadeira!

    Raquel, percebo a tua frustração. Apesar de tudo, é bom saber que houveram pessoas a gostar do filme. Longe de mim querer influenciar negativamente alguém com as minhas palavras. Simplesmente, sim, precisamente por ser um filme de Tim Burton, deveria oferecer a visão que queremos de Tim Burton como fãs do seu cinema. Para mim isto é como dizes, um filme de alguém que teve de fazer cedências por ser um filme da Disney. Ou seja, poderia ter sido outra pessoa qualquer, e para mim continuava fraco. Simplesmente se é de Burton, tem de estar á sua altura, factor que me fez desiludir ainda mais com o filme.

    PS: Tens razão! A expectativa era alta. No entanto saí tão desiludido que nem a pipoca e a cola ajudaram.

    Abraço do Costas*

  • tiago carvalho diz:

    bah, mas desde quando é que o 3D de avatar foi bom? nao confundir efeitos especiais com o 3D. é que a aplicaçao do mesmo no avatar estava muito aquem, e o despertar sensorial era ineficaz para nao dizer nulo…

    ainda nao vi alice, mas o trailer em 3D despertou-me muito mais que todo o tempo de avatar

  • Box Office USA: «Alice no País das Maravilhas» continua em grande diz:

    [...] Alice no País das Maravilhas, que teve uma estreia em grande no passado fim de semana, volta a fazer uma boa receita e mantém-se assim na primeira posição do top 10 do box office americano. O novo filme realizado por Tim Burton fez neste último fim de semana 62 milhões de dólares, levando já um total desde a sua estreia de 209 milhões de dólares. A nossa crítica a Alice no País das Maravilhas pode ser lida aqui. [...]

  • Tim Burton vai realizar «A Família Addams» em animação Stop-Motion diz:

    [...] O último trabalho de Tim Burton, Alice no País das Maravilhas, encontra-se actualmente em exibição nos cinemas e as críticas têm-se mantido divididas. Para ler a nossa opinião sobre esse filme clique AQUI. [...]

  • João Vagos diz:

    Adoro os filmes do Tim Burton. Mas detesto 3D. Gostei da experiência do Avatar, mas é cansativo, monocromático, e espero sinceramente que seja uma moda que não “pegue”. No fundo, penso que é apenas mais uma maneira que arranjaram para extorquir ainda mais dinheiro às pessoas, depois de terem acabado com a antiga qualidade (para mim) da ida ao cinema ao terminarem com os intervalos para conseguirem “meter” mais uma sessão, ou permitirem alarvidades como pessoas a ruminarem baldes de pipocas aos nossos ouvidos, a falarem ao telemóvel, etc.

    Quanto ao filme em si, a seguir à inominável macacada que ele fez há uns anos (o único filme que não gosto mesmo nada do Tim), este fica em segundo lugar a contar do fim.

    Tenho pena que o Tim Burton tenha acedido no “políticamente correcto” e se tenha ficado por apenas “mais uma” versão da Alice. Teríamos ganho todos muitissimo se ele tivesse contado a “sua” versão.

  • CARLOS diz:

    Acabei de assistir o filme. Nem pense que vão ver O FILME DO ANO. Sem roteiro,os protagonistas do fime não precisaram de muita inspiração café com leite. Embora o clássico chame a atenção do público isso decepciona muito. o filme em si traz cenário triste sem luz um mundo morto do inicio ao fim , sem transformação, sem magia e sem humor nenhum. Parece mais um País da tristeza. A falta de efeitos especiais é notória, atores apáticos sem ação. Acredito que o diretor estava com depressão só pode. ELE NÃO CONSEGUIU MOSTRAR ESTE MUNDO FANTÁSTICO DE ALICE NO PAIS DAS MARAVILHAS, QUE PENA!
    NOTA: 5 PELO MARKENTING SÓ POR ISSO, POIS O FILME É PÉSSIMO.

  • Ricardo diz:

    Ainda não assisti ao filme, mas acho que o artista tem o direito de provar outras experiências afim de evoluir seu trabalho.

    O problema do Burton é que ele se especializou no clima sombrio, então todos que o idolatram querem ver apenas tons cinzas e pastéis, mesmo que os fãs de Tim Burton também gostem de filmes alegres eles criam a expectativa.

    Posso comparar o problema de Burton com o problema de um ator que sempre interpreta o Herói. Caso o ator queira (ou necessite) interpretar uma personagem que não seja o Herói o publico irá estranhar.

    Acho que a pessoa deve avaliar a obra, não se o resultado final é o rotineiro do artista.

    Ainda tenho que assistir ao filme, tenho ciência de que o filme se trata de alguns anos após Alice no país das Maravilhas (ainda não sei se leva mais em consideração o desenho animado ou os dois livros), e também sei que a Rainha de Copas é retratada como a Rainha Vermelha (que é uma outra personagem do livro).

    Irei assistir este final de semana (em 3D é lógico) para poder opinar.

  • Douglas diz:

    Alice é um filme bom, mais por outro lado é um filme pobre em roteiro, os personagens computadorizados parecem não ter vida, parecem mais marionetes sem articulações. Acho que faltou um pouco de realidade no filme, ficou muito artificial.Timmy decepcionou em sua adaptação de Alice para as telonas, poderia ter sido MUITOOO melhor.

  • Diego diz:

    Cara,acabei de assiti o filme e lhe digo,o filme é muito bem feito,maquiagem impecavel,cenarios bem detalhado(algumas vezes vc não sabe para onde olhar por causa da existencia de muitos detalhes para se ver ao mesmo tempo)

    O problema é que não importa quanto vc tente vai continua sendo um históri infantil no nivel de branca de neve e cinderela(quem curte Jogs Mortais vai ter vontade de vomita nesse filme)

    Recomendo para as pessoas que querem ir para o cinema não para receber uma lição de vida e sim apar curti um filme e esquecer um pouco a realidade.

    OBS:não adianda procura que não tem lição de moral

  • Misael Mainetti diz:

    Infelizmente, concordo com tudo. Lí os dois livros de Lewis Carrol e su fã de Burton. Esperava mais. Não houve desenrolar da história e das personagens. O que aconteceu Tim?

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