Fantasporto: «Deliver Us From Evil» (Crítica)

Noite de Fantasporto pós [REC] 2, em que novamente o público apareceu com afluência. Este ano parece definitivamente querer dizer que o Fantasporto nasceu no Porto, e é, portanto, aqui o seu lugar. Com o grande auditório praticamente esgotado, foi a vez do dinamarquês Ole Bornedal, nos trazer o seu filme: Deliver Us From Evil.
O realizador responsável por Nattevagten (1994), mais conhecido por Nightwatch, foi também o que nos trouxe o interessante remake americano – Nightwatch (1997) – desse seu mesmo filme. Desta feita o realizador apresenta-nos um drama sobre vários personagens, que tem lugar numa pequena cidade na Dinamarca. Johannes (Lasse Rimmer) regressa à cidade natal com a sua mulher e filhos, onde reencontra Lars (Jens Andersen), o seu irmão frustrado, cujo emprego é conduzir camiões da empresa de Ingvar (Mogens Pedersen), o principal empreendedor da pequena cidade. Ingvar é casado com Anna (Lone Lindorff), a responsável por alguns eventos da igreja da zona. Os problemas surgem com a chegada de Alain (Bojan Navojec), um bósnio cuja família morreu num incêndio no seu país, obrigando-o a fugir das memórias que o atormentam.
Deliver Us From Evil é um filme surpreendente. Com excelentes pormenores técnicos, desde a fotografia gélida quase incolor, contrastada com o calor físico que se faz sentir na época do ano retratada, aos planos de câmera e aos excelentes pormenores meta-diegéticos a nível do som. O desempenho dos actores é notável, onde Jens Andersen, o actor que interpreta Lars, se destaca com grande notoriedade.
Uma obra a fazer lembrar o panorama cinematográfico de Alejandro González Iñárritu ou os irmãos Coen – no que toca ao narrador – e no caso particular do clímax, a fazer lembrar e muito, a película de Sam Peckinpah, Straw Dogs (1971). Felizmente não cai na tentação de copiar, mas sim de homenagear e claramente mostrar influências do filme de Peckinpah, resultando na perfeição com o caminho que o filme tomou, misturando o drama social e familiar, com a xenofobia e o ‘mal’ que muitas vezes reside até na mais pequena e tradicional das cidades.
Um filme estonteante que cola o espectador à cadeira, por vezes agressivo e empolgante, ou então dramático mas sempre com espaço para alguns toques de humor. Mais uma excelente noite de Fantasporto, e mais um fantástico exemplo a juntar a Thirst e [REC] 2.
NOTA:
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(FILME EXIBIDO NO QUINTO DIA DO FESTIVAL – 2/03/10)









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