Fantasporto: «Thirst – Este é o Meu Sangue» (Crítica)

De um realizador que tem vindo a ser presença assídua no Fantasporto, este é, para mim, o filme mais esperado de todo o festival. Chan-wook Park, expoente máximo do cinema coreano, apresenta agora este Thirst, a sua mais recente obra, desta vez inserida no mundo dos vampiros (sim, parece que estão em todo o lado agora!).
Thirst é uma obra que se encontra no limbo do surreal e da comédia. É uma história de um amor mal resolvido, e a parte boa de tudo isto é a metáfora dada ao verdadeiro sentido do filme. Um padre católico na Coreia do Sul voluntaria-se como cobaia num vírus descoberto num país africano. Depois de contrair o vírus e estar às portas da morte, uma transfusão de sangue torna-o vampiro. A partir daqui o lado onírico de todo o tema explora novas abordagens e quebra barreiras.
Kang-ho Song, já escolha habitual de Chan-wook Park em obras anteriores, e mais conhecido pelo seu papel cómico-trágico em The Host – A Criatura (2006), é aqui o padre católico com poderes sobrenaturais e com uma sede insaciável. O trabalho de actores está de facto incrível, o que é habitual nas obras anteriores do realizador, ou não fosse o Oh Dae-Su de OldBoy (2003) das personagens mais memoráveis do cinema internacional. Outro facto que revela a mestria de Chan-wook Park é a maleabilidade do corpo humano para si mesmo, onde cada take de acção é pensado com o intuito de nos fazer arrepiar, onde tudo parece credível, até mesmo o movimento mais anormal e irreal.
Apesar de não estar ao nível da sua trilogia da vingança, Chan-wook Park parece ter enveredado por um lado mais sobrenatural na natureza do seu cinema, já visto em I’m A cyborg but that’s Ok (exibido no Fantasporto em 2008), e que apesar de não ser do agrado de todo os espectadores, tem um qualidade e valor inegável. Para os cinemas portugueses a sua chegada tem vindo a demorar, mas dia 1 de Abril parece agora a estreia definitiva de um dos filmes mais aguardados do ano.
NOTA:
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(FILME EXIBIDO NO SEGUNDO DIA DO FESTIVAL – 27/02/10)

Dia 1 de Abril lá estarei, algures em alguma sala. Admiro Park imenso, acho-o um dos poucos cineastas a fazer cinema verdadeiramente único e desafiante nos dias que correm.
Abraço!
[...] AQUI a [...]
Este filme é fabuloso!! Park consegue pegar no tema mais ‘bergmaniano’, como os problemas das relações de paixão entre homem e mulher, e metaforizar isso num filme de vampiros com contornos muito próprios, pondo de parte muitos dos itens ditos essenciais no mito do vampiro. O que vemos são arrufos de namorados, utilizando humor negro, ‘gore’ e violência estilizada ao bom estilo de outras obras do realizador, que nos deixam verdadeiramente atordoados com a imaginação, e a capacidade de fazer interagir elementos distintos como drama, comédia, terror, suspense, etc. Não é preciso ser bruxo para dizer que provavelmente será o melhor filme que esteve presente no Fantasporto deste ano. Vamos lá a ver agora o [REC]2 =).
Cumprimentos*
“Dia 1 de Abril lá estarei, algures em alguma sala. Admiro Park imenso, acho-o um dos poucos cineastas a fazer cinema verdadeiramente único e desafiante nos dias que correm.”
Concordo plenamente
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