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«Green Zone» – Greengrass e Damon em novo sucesso

12 Abril 2010 Visto 450 vezes Escrito por: Pedro Gomes Nenhum comentário

Com a reunião do realizador Paul Greengrass e a estrela de Bourne Supremacia e Bourne Ultimato, Matt Damon, o filme Green Zone pretendeu reproduzir a fórmula dos dois últimos sucessos, mas com uma maior promoção, com vários posters e com Matt Damon a surgir numa versão de mais acção com um colete de exército, de modo a atrair a atenção dos espectadores. No entanto, e apesar de tanto investimento, esta longa-metragem parece não ter sucesso nas bilheteiras.

O filme reporta ao ano 2003, num ambiente de guerra com contornos políticos relativamente à ocupação americana e à existência de armas de destruição massiva no Iraque. O argumento é interessante, a sua exploração foi feita com muita inteligência, mas o público americano acabou por não aderir muito à sua chegada aos cinemas, muito possivelmente devido ao facto se se tratar de uma temática que ainda hoje suscita muita polémica. Na história, Matt Damon é o Sargento Roy Miller, comandante de uma unidade de detecção de armas de destruição massiva em Bagdade. Após buscas no deserto iraquiano que não confirmam a legitimidade da invasão americana, Miller é confrontado com uma conspiração de um círculo de figuras imponentes do Governo Americano, que têm interesse em ocultar toda a verdade.

Green Zone é uma produção que trata cuidadosamente alguns aspectos muito complexos e recentes na história dos Estados Unidos da América, uma vez que quando pensamos na invasão americana ao Iraque, o argumento mais sólido para confirmar a movimentação de tropas foi precisamente a alegada existência de armas de destruição massiva. Argumento esse que, juntamente com o argumento da ameaça do terrorismo, convenceu as Nações Unidas para a organização de uma ofensiva militar com o intuito de neutralizar um estado que, segundo os argumentos dos responsáveis americanos, constituiriam uma ameaça.

Green Zone

É precisamente sobre esta temática da suspeita sobre a presença de armamento em território iraquiano que assenta toda a representação do personagem de Matt Damon, que desconfia de “algo” que o Pentágono (representado pelo actor Greg Kinnear como Clark Poundstone) vinha a planear, logo desde o início da acção. Matt Damon apresentou uma boa performance, limitada apenas pelo personagem, que agia muito por conta própria e perseguia teorias pessoais sem obedecer a hierarquias de comando, que a nível de exército costumam ser muito rígidas e sem que tenha uma reprimenda devida de oficiais superiores. Neste aspecto, a credibilidade do filme sofre um duro golpe. Os efeitos dos dois filmes da saga Bourne estão presentes neste, onde Paul Greengrass utilizou a mesma fórmula de filmagem como se o espectador se sentisse incorporado na acção.

Existem vários personagens secundários, todos protagonizados por actores interessantes, como Brandan Gleeson como um agente da CIA e Amy Ryan como uma correspondente internacional do Wall Street Journal. No entanto, a exploração dos personagens deixa algo a desejar. Para além das suas motivações psicológicas e o seu sentido de ética e justiça, ficamos sem saber quem realmente são os personagens, inclusive o Sargento Miller, que dele só sabemos que é um militar com um elevado sentido de justiça e em querer fazer a coisa certa. A excepção à regra é Freddy, protagonizado por Khalid Abdalla. Freddy é um cidadão iraquiano e o tradutor do Sargento Miller, que nos oferece a perspectiva do outro lado da invasão ao Iraque, retratado como um cidadão normal que vive como pode o dia a dia de uma guerra.

O argumento é exagerado, contudo, inevitável tendo em conta a acção necessária, quando pensamos em técnicas como as que foram utilizadas no filmes Bourne. Trata-se de um bom filme, uma vez que combina acção, temáticas reais, correntes e controversas, juntamente com teorias de conspiração. As sequências de acção e a fotografia oferecem uma imagem muito real do conflito armado, transmitem muita sensação de movimento e também de brutalidade. O director consegue passar a mensagem ao público, relativamente às intenções do Governo Americano ter avançado com a invasão ao Iraque alegadamente sobre um falso pretexto de existência de armamento de destruição massiva e consequente omissão da informação à comunidade internacional.

NOTA:

Photobucket

O MELHOR:

A acção carregada de adrenalina presente no filme. A qualidade da filmagem e da fotografia que tem o dedo de Greengrass. A exploração de uma temática polémica vista de um ângulo que pretende colocar o dedo na ferida.

O PIOR:

Fraca exploração dos personagens e o exagero a nível de acção em algumas sequências do filme.

A FRASE:

“The reasons we go to war always matter!” pelo Sargento Miller


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