«Parallel Lines»: A Philips, Ridley Scott e o cinema de mãos dadas

A iniciativa partiu da multinacional holandesa Philips, com o objectivo de promover um dos seus novos produtos: a TV cinema 21:9. Para tal associou-se à Ridley Scott Associates (RSA), desafiando cinco dos seus mais promissores realizadores – Jake Scott, Carl Erik Rinsch, Greg Fay, Johnny Hardstaff e Hi-Sim – a criar uma série de cinco curtas-metragens, concentrando-se num género à sua escolha e num tema comum, que comprovassem o potencial cinemático deste novo produto. O verdadeiro desafio, no entanto, era fazerem-no usando todos os mesmos seis diálogos.
Um pouco à semelhança da parceria entre a Absolut Vodka e Spike Jonze, que resultou no sublime I’m Here (e sobre o qual já falámos), Parallel Lines tem claramente como objectivo principal a promoção de uma marca, mas ao mesmo tempo constitui uma espécie de tributo ao cinema, com cinco filmes completamente diferentes mas igualmente fascinantes, com visões únicas e ao mesmo tempo díspares, mas repletos de narrativas inteligentes e excitantes (uns mais que outros) e estéticas majestosas. O produto final é algo especial, e que vale sem dúvida a atenção de qualquer cinéfilo. Nem que seja pelo facto de ser apadrinhado por um dos maiores visionários do cinema: Sir Ridley Scott.

As cinco curtas são, como disse, completamente distintas, tanto a nível de história como em termos de género, variando também nas línguas faladas pelos actores. Podemos encontrar, por exemplo, uma animação CGI que não fica a dever nada à Pixar ou uma história tocante e mais focada no mundo real sobre duas crianças e um burro. Sim, um burro. Em todas elas encontramos um nível de criatividade incrível.
Contudo, uma delas destaca-se: a realizada por Carl Erik Rinsch, membro da RSA pouco conhecido do grande público, que tem vindo a trabalhar principalmente em publicidade e que esteve inclusivamente na calha para realizar a prequela de Alien. O seu filme, intitulado The Gift, uma obra de ficção científica futurista filmada em Moscovo sobre um robot (ou andróide) que corre pelas ruas da cidade russa após roubar um artefacto misterioso, é de longe o mais vistoso. Tem menos de cinco minutos, mas é incrivelmente excitante, rápido, magistralmente filmado e editado, e com um estilo único, apesar de poder fazer lembrar Matrix. O seu potencial é tanto que já foi apelidado de “o novo Distrito 9” – o pequeno ‘milagre’ do Sul-Africano Neill Blomkamp que também começou como uma curta (Alive in Joburg) – e causou uma ‘guerra’ entre a Warner Bros e a FOX pelos seus direitos, com vista a uma futura longa-metragem.
Em baixo ficam então os cinco filmes deste excitante projecto. São pequenos mas valem imenso a pena:









[...] Sobre o realizador Carl Erik Rinsch, aclamado pela sua estética inovadora e visão futurista nos seus spots publicitários, pode assistir a uma curta feita para a Philips, intitulada de ‘The Gift’, projecto que já falamos aqui. [...]
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