Antevisão: «A Minha Semana com Marilyn»

Escrever sobre Marilyn Monroe é um prazer! Trata-se de uma actriz de um carisma, personalidade e sensualidade únicas. Este é o lado positivo que acarreta um aspeto negativo, a sua interpretação enquanto personagem. Como será possível encontrar alguém que consiga transmitir sensações semelhantes? Sim, semelhante, já que a sua interpretação total é virtualmente impossível, e este é o melhor elogio que se pode fazer a Marilyn.

A Minha Semana com Marilyn é inspirado no livro escrito por Colin Clark, “The Prince, The Show Girl and Me: Six Month on the Set with Marilyn and Olivier”. O enredo trata da história de Colin Clark sobre os momentos passados com a actriz quando ela e Laurence Olivier (Kenneth Branagh) filmavam O Príncipe e a Corista (1957), onde a partir desta filmagem, Colin elaborou um diário que posteriormente se tornou um livro. A ideia para o projecto surgiu em 2004, quando após ter lido o livro de Clark, Simon Curtis abordou o realizador David Parfitt para a elaboração do filme, apontando o carácter mais familiar que o mesmo deveria ter, sobretudo quando não se espera à partida que um ícone seja retratado de uma forma mais humilde. Esse foi o ponto de partida para um enredo que poderá ser invulgar, mas com muita qualidade. O motivo pelo qual este filme não foi lançado mais cedo deve-se em muito a questões de direitos de autor, que demoraram quase dois anos a serem negociados.

Apesar de vários nomes terem sido ponderados, tais como Scarlett Johansson, Kate Hudson e Amy Adams, a actriz escolhida para interpretar Marilyn foi Michelle Williams, a Jen de Dawson’s Creek e que também é conhecida pelas suas participações em Shutter Island e Blue Valentine – Só Tu e Eu. Simon Curtis indicou que Michelle Williams foi a única actriz a ser considerada para o papel, tratando-se de uma declaração politicamente correcta, pois é muito duvidoso que só um nome fosse considerado para um filme de alto risco, cujo financiamento foi muito difícil de conseguir. Mas devemos elogiar a actriz que de há dois anos para cá tem estado muito compenetrada com este projecto. Trata-se uma tarefa muito complicada, que obrigou a questões específicas como ganhar peso e ouvir centenas de horas de gravações, inclusive a ajuda de um coreógrafo para treinar o andar de Marilyn, mas que poderá ter os seus retornos.

Consiste num papel que exige muito estudo, desde a postura, o modo de falar, o modo de agir, tentar captar a sensualidade ao máximo, a aparência, o carisma, os filmes em que participou, as declarações que realizou, a pose para a câmara, todos estes aspectos que distinguiam Marilyn das demais e que mereceram a admiração por todo o mundo, inclusive nos dias de hoje. Caso seja bem sucedida, Michelle Williams poderá ter uma palavra a dizer na corrida aos Óscares, portanto aguardamos com expectativa a performance da actriz. A escolha do elenco foi concluída em 8 de Outubro de 2010, num elenco que conta com Kenneth Branagh, Emma Watson, Judi Dench, Eddie Redmayne, Julia Ormond, Dominic Cooper, Dougray Scott, entre outros. Trata-se de um conjunto de indivíduos que combina experiência com nomes que necessitam de um estímulo para se estabelecerem na indústria. Deve-se salientar a falta de nomes conceituados da actualidade, excluindo Judi Dench, sendo que Catherine Zeta-Jones recusou um papel no filme, por motivos pessoais.

As filmagens iniciaram-se em 19 de Setembro de 2010 e terão alguns momentos que certamente resultarão nas mais belas imagens do ano, tal como a transformação de uma pista de aterragem contemporânea no Aeroporto de London Heathrow da década de 50 para recriar o momento em que Marilyn aterrou no Reino Unido para iniciar a produção de O Príncipe e a Corista, sendo que o estúdio onde a actriz filmou este projecto em 1956, foi utilizado para várias cenas de A Minha Semana com Marilyn, e é nesta convergência do presente com elementos passados que o realizador poderá recolher frutos, sendo que para possibilitar à sua actriz principal uma maior convivência com o seu papel, cedeu-lhe o antigo vestiário de Marilyn Monroe no mesmo estúdio. A acção é passada em vários locais de Londres, como Parkside House em Englefield Green, onde Marilyn e Miller ficaram durante a sua estadia em Inglaterra, num cenário que parece imutável desde os tempos dos shots publicitários de Monroe, tal como Simon Curtis referiu à imprensa.

O projecto parece ter sido pensado ao pormenor, numa investigação histórica muito bem conseguida, filmando no próprio local várias cenas, recorrendo a gravações e imagens antigas para recriar os gestos dos personagens, ou utilizando fotografias para reproduzir com a máxima precisão a indumentária da altura. Veremos se este projecto, que consiste sobretudo num grande trabalho de pesquisa histórica, terá a emoção suficiente para cativar não só os fãs da actriz, mas também o público em geral. A estreia em Portugal é no dia 5 de Janeiro (amanhã).

1 Comentário

  1. Adoro Marilyn sempre. Já fui ver o filme. Estava
    a ver a actriz e só me lembrava da verdadeira,
    de como era maravilhosamente linda…
    Gosto do v/site. Se me quiser dar uma opinião
    sobre o meu, que sou uma caloira.
    Há trabalhei 40 anos na legendagem de filmes
    em Portugal.
    Um abraço

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