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	<title>Ante-Cinema &#187; Crítica</title>
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		<title>Crítica: «Toy Story 3» &#8211; O filme que cresceu connosco</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jul 2010 17:40:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Ponte</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema de Animação]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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Há cerca de dois meses, alguém – provavelmente um dos muitos fãs da Pixar espalhados pelo mundo – criou uma página no Facebook intitulada “Move out of the way children, I&#8217;ve been waiting 11 years to see Toy Story 3,” que se traduzirá em algo como “Saiam da frente crianças, esperei 11 anos para ver o Toy Story 3.” Esta página, que rapidamente obteve muito perto de 2 milhões de membros, resume na perfeição o que Toy Story 3 significa para literalmente milhões de pessoas. Aguardar um filme com ansiedade ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-15593" src="http://www.ante-cinema.com/wp-content/uploads/2010/07/toystory_1.jpg" alt="" width="585" height="230" /></p>
<p style="text-align: justify;">Há cerca de dois meses, alguém – provavelmente um dos muitos fãs da <em>Pixar </em>espalhados pelo mundo – criou uma <a href="http://www.facebook.com/pages/Move-out-of-the-way-children-Ive-been-waiting-11-years-to-see-Toy-Story-3/126988223989939?ref=ts&amp;v=wall">página</a> no <span style="color: #800000;">Facebook</span> intitulada <span style="color: #800000;">“</span><em><span style="color: #800000;">Move out of the way children, I&#8217;ve been waiting 11 years to see Toy Story 3</span>,</em><span style="color: #800000;">”</span> que se traduzirá em algo como <span style="color: #800000;">“</span><span style="color: #800000;">Saiam da frente crianças, esperei 11 anos para ver o <em>Toy Story 3</em>.</span><span style="color: #800000;">”</span> Esta página, que rapidamente obteve muito perto de 2 milhões de membros, resume na perfeição o que <strong><strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0435761/" target="_blank">Toy Story 3</a> </em></strong></strong>significa para literalmente milhões de pessoas. Aguardar um filme com ansiedade e entusiasmo, contar os dias para a sua estreia durante semanas ou mesmo meses é algo perfeitamente normal. Mas esperar 11 anos por um filme não. Esperar 11 anos por um filme não é natural, não é saudável. É doloroso e cruel. Mas o sabor de algo por que se esperou durante mais de uma década nunca seria nada menos que delicioso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0435761/" target="_blank">Toy Story 3</a></em></strong></strong> é um filme que estava destinado a acontecer. No final de <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0120363/" target="_blank">Toy Story 2</a></em></strong>, em simultâneo com um número musical de <span style="color: #800000;">“</span><span style="color: #800000;">You’ve Got a Friend in Me</span>,<span style="color: #800000;">”</span> Woody observa Andy e a família do parapeito do seu quarto. Buzz junta-se a ele e pergunta-lhe se ainda está preocupado. Woody, no seu último diálogo do filme diz: <span style="color: #800000;">“</span><em><span style="color: #800000;">About Andy? Nah, it’ll be fun while it lasts. </span></em><em><span style="color: #800000;">Besides, when it all ends, I’ll have old Buzz Lightyear to keep me company.</span></em><span style="color: #800000;">”</span> A partir desse momento tornou-se óbvio que esta história não estava encerrada, que um dia alguém a resgataria, como quem volta a tirar um livro poeirento de uma estante, e lhe daria a conclusão que merecia. A dúvida era apenas em relação a quando; 4 anos? 6 anos? Não, foram 11. Onze anos de espera.</p>
<p style="text-align: justify;">A razão pela qual <strong><strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0435761/" target="_blank">Toy Story 3</a></em></strong></strong> é um filme tão especial e significativo, para além de tudo o que faz dele um excelente filme, é o facto de na verdade ser muito mais que um filme. É, para qualquer pessoa hoje na casa dos 20 anos e para quem estes filmes um dia significaram tanto, um registo do seu crescimento, um espelho de si mesmos. Nenhuma infância dura para sempre; todas as crianças do mundo que viram <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0114709/" target="_blank">Toy Story</a></em></strong> e <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0120363/" target="_blank">Toy Story 2</a></em></strong> cresceram. E esta história intemporal cresceu com elas. Qualquer uma dessas pessoas que vir <strong><strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0435761/" target="_blank">Toy Story 3</a></em></strong></strong> ver-se-á a si mesma. De uma forma ou outra, quer nos apercebamos ou admitamos, todos nós queremos voltar a ser crianças, todos nós queremos voltar ao ponto das nossas vidas em que tudo era possível e a nossa imaginação imperava, tal como enquanto crianças todos nós queríamos crescer. <strong><strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0435761/" target="_blank">Toy Story 3</a> </em></strong></strong>oferece-nos isso, um vislumbre momentâneo desse período da nossa vida, visto por olhos adultos.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://s172.photobucket.com/albums/w25/EarthlyAlien/?action=view&amp;current=toystory_21.jpg"><img class="aligncenter" src="http://i172.photobucket.com/albums/w25/EarthlyAlien/toystory_21.jpg" alt="" width="585" height="231" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Que melhor forma, portanto, de começar o filme do que com uma sequência saída directamente da imaginação do pequeno Andy (<a href="http://www.imdb.com/name/nm3909367/" target="_blank">Charlie Bright</a>), em que Woody (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0000158/" target="_blank">Tom Hanks</a>), Buzz Lightyear (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0000741/" target="_blank">Tim Allen</a>), Jessie (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0000349/" target="_blank">Joan Cusack</a>) e Rex (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001728/" target="_blank">Wallace Shawn</a>) tentam deter o malévolo Dr. Pork Chop (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001652/" target="_blank">John Ratzenberger</a>) e os seus capangas Mr. (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0725543/" target="_blank">Don Rickles</a>) e Mrs. Potato Head (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0364680/" target="_blank">Estelle Harris</a>) e Slinky Dog (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0163703/" target="_blank">Blake Clark</a>) num deserto norte-americano, numa cena saída de um filme de cowboys com um comboio em alta velocidade, uma ponte prestes a explodir e um carro descapotável, pelo meio? Excitante, engenhosa e impossível ao ponto de só poder ter saído da imaginação de uma criança, esta cena é a forma perfeita de começar um filme como <strong><strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0435761/" target="_blank">Toy Story 3</a></em></strong></strong> pois faz-nos reencontrar estas personagens exactamente no ponto em que as vimos pela última vez.</p>
<p style="text-align: justify;">Imediatamente a seguir, contudo, somos transportados de volta para a realidade e vemos uma gravação de Andy a brincar no seu quarto. Na realidade, Andy (agora com voz de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0606658/" target="_blank">John Morris</a>) está crescido, prestes a ir para faculdade e, como tal, não mais precisa dos brinquedos que um dia tanto amou. A sua mãe (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0582418/" target="_blank">Laurie Metcalf</a>) dá-lhe duas opções para a “tralha” que não precisa: o lixo ou o sótão. Woody, depois de uma tentativa falhada de fazer Andy brincar com eles uma última vez, e como o seu outrora brinquedo favorito, aceita o lugar no sótão e a realidade de que Andy cresceu, mantendo que é o seu dever estar disponível sempre que ele precisar. Já os restantes preferem ser doados e fazer outras crianças felizes, o que acaba por acontecer por acidente, acabando o grupo na creche Sunnyside. Depois da reacção inicial ao que parece ser o paraíso, torna-se claro que Sunnyside não é o que parece. O que se segue é a derradeira aventura deste grupo de brinquedos ao tentarem encontrar o seu caminho e o lugar onde pertencem, lugar esse que permanecerá desconhecido até ao final tanto para eles como para nós.</p>
<p style="text-align: justify;">Tal como os dois filmes anteriores, <strong><strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0435761/" target="_blank">Toy Story 3</a></em></strong></strong> é construído como uma comédia e filme de aventura simples, com um argumento à primeira vista livre de grandes complexidades. Tanto o primeiro como o segundo filme tinham uma situação central a partir da qual a história se desenvolvia, acontecendo o mesmo aqui com a tentativa de escapar de Sunnyside e voltar para Andy. A grande diferença é a forma como o drama é incorporado; se os dois primeiros filmes estavam recheados de elementos de melancolia e inocência perdida, <strong><strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0435761/" target="_blank">Toy Story 3</a></em></strong></strong> eleva esses elementos a um nível nunca antes visto num filme da <em>Pixar </em>e não mais visto em animação desde o fabuloso <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0095327/" target="_blank">Grave of the Fireflies</a></em></strong>. O sentimentalismo real deste filme atinge proporções gigantescas e a forma como puxa certos cordões no nosso interior, evitando sempre o território &#8216;lamechas&#8217;, é algo de uma raridade irrefutável. A fuga de Woody e companhia leva-os, em determinada altura, a um aterro. É quase torturante não poder ou conseguir exprimir por palavras o que acontece nessa cena, mas digamos apenas que a <em>Pixar </em>alcança nesse instante algo praticamente sem precedente, criando um momento de beleza, intensidade e emoção extravagante e de um poderio dramático raramente alcançável.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://s172.photobucket.com/albums/w25/EarthlyAlien/?action=view&amp;current=2010_toy_story_3_008.jpg"></a><img class="aligncenter" src="http://i172.photobucket.com/albums/w25/EarthlyAlien/2010_toy_story_3_008.jpg" alt="" width="585" height="231" /></p>
<p style="text-align: justify;">A façanha mais significativa do filme, por mais distinto que seja em todo e qualquer aspecto, é o quão reconhecível consegue ser, a forma como quase que oblitera a passagem de 11 anos, mantendo as personagens tão verdadeiras que quase saltam da tela. Por outro lado, e como já mencionei, é um filme sobre a dolorosa realidade de crescer e deixar a infância, sucedendo igualmente na forma como retrata as personagens humanas como pessoas que cresceram e mudaram. Mas não os brinquedos, esses mantêm-se os mesmos, por dentro e por fora. Sempre assente em temas e mensagens como a amizade, a união e a entre-ajuda, o argumento de <a href="http://www.imdb.com/name/nm1578335/" target="_blank">Michael Arndt</a> consegue algo incrível ao manter a essência de personagens criadas há 15 anos, injectando-lhes simultaneamente grandes doses de maturidade. Igualmente impressionante é a forma como <a href="http://www.imdb.com/name/nm0881279/" target="_blank">Lee Unkrich</a> consegue introduzir personagens novas, em especial o vilão da história, o urso Lotso (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0000885/" target="_blank">Ned Beatty</a>), o inesquecível Ken (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0000474/" target="_blank">Michael Keaton</a>), a adorável Bonnie (<a href="http://www.imdb.com/name/nm3432684/" target="_blank">Emily Hahn</a>) e um vasto conjunto de novas criações que conseguem manter-se relevantes e causar impacto no espectador, mesmo com o lote de personagens originais a manter-se e dispondo de pouco tempo de ecrã.</p>
<p style="text-align: justify;">O que sempre fez desta saga algo único não apenas no panteão da animação, mas do cinema em si, foi uma inteligente e eficaz combinação da aventura e comédia, contra-balanceados pelo drama, e essa combinação nunca foi mais perfeita que em <strong><strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0435761/" target="_blank">Toy Story 3</a></em></strong></strong>. O filme é uma autêntica montanha russa de emoções, divertindo e entretendo durante mais de uma hora, mas esse divertimento é uma estrada em direcção à resolução da história, para o qual nada nos prepara. Tudo o que possam já ter lido sobre o quão emotivo o final é não faz justiça, por mais descritivo que possa ser, à forma como estas personagens se despedem de nós. Triste, sim, muito possivelmente indutor de lágrimas, sem dúvida, mas também inevitável, belo e poético na sua simplicidade, o desenlace de <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0435761/" target="_blank">Toy Story 3</a></em></strong> é, em vários sentidos, o coroar de 24 anos de história da <em>Pixar</em> e, ao mesmo tempo, o epítome de tudo o que sempre significou: um misto genial de emoção, fantasia e imaginação pura e realidade sem enfeites.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao ver a forma como <strong><strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0435761/" target="_blank">Toy Story 3</a></em></strong></strong> acaba &#8211; com Andy a fazer uma espécie de passagem de testemunho através de uma introdução individual de cada um dos seus brinquedos &#8211; apercebi-me que estava a sentir exactamente o mesmo que ele, no instante em que aparece na tela pela última vez. Dizer adeus a estas personagens, que conheci durante mais de metade da minha vida, não poderia ter sido mais difícil, mas, como comecei por dizer, tudo acaba, principalmente aquilo que não queremos que acabe. A maior dádiva para qualquer fã desta história que ensinou tanto a tantas crianças, é o facto de acabar de forma perfeita. Mais uma vez, a <em>Pixar </em>mostra ao mundo que é a maior força criativa da indústria na actualidade ao misturar elementos dramáticos, de comédia física e ao mesmo tempo fundada em diálogo, de acção e aventura, suspense do mais real imaginável e até mesmo de clássicos de fugas da prisão, mistura essa que resulta num filme excitante, divertido, intenso,  profundamente tocante e para muitos inesquecível. No fundo, posto de forma simplista, estamos a falar de um filme possuidor da capacidade de fazer adultos chorarem desenfreadamente por um grupo de brinquedos. Se essa não é a derradeira definição de magistralidade no que à arte de contar histórias diz respeito, então não faço ideia do que seja.</p>
<p><em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #800000;">______________________________________________________________________________________</span></em></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;">NOTA</span></span>:</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i685.photobucket.com/albums/vv211/fjribeiro/5-1.gif" alt="" width="193" height="43" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;">O MELHOR</span>:</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="color: #000000;">Não hesitando em considerá-lo uma obra-prima, tudo. </span></span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;">O PIOR</span>:</span></strong></p>
<p style="text-align: center;">Apenas o facto de provavelmente não vir a ser visto por tantas pessoas quanto merecia por ser um filme de animação.</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;">A FRASE</span>:</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">&#8220;<em>Now Woody, he&#8217;s been my pal for as long as I can remember. He&#8217;s brave, like a cowboy should be. And kind, and smart. But the thing that makes Woody special, is he&#8217;ll never give up on you&#8230; ever. He&#8217;ll be there for you, no matter what.</em>&#8221; &#8211; Andy</span></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="color: #800000;">______________________________________________________________________________________</span></strong></em></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;">NOS CINEMAS A 29 DE JULHO</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="590" height="330" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.dailymotion.com/swf/video/xdxx2h_toy-story-3-trailer-pt_shortfilms?additionalInfos=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="590" height="330" src="http://www.dailymotion.com/swf/video/xdxx2h_toy-story-3-trailer-pt_shortfilms?additionalInfos=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<strong><a href="http://www.dailymotion.com/video/xdxx2h_toy-story-3-trailer-pt_shortfilms">TOY STORY 3 &#8211; Trailer PT</a></strong><br />
<em>Enviado por <a href="http://www.dailymotion.com/Ante-Cinema">Ante-Cinema</a>. &#8211; <a href="http://www.dailymotion.com/pt/channel/shortfilms/featured/1">Temporadas completas e episódios inteiros online</a></em></p>
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		<title>Crítica: «A Origem» &#8211; Os sonhos labirínticos de Nolan</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jul 2010 23:41:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Ponte</dc:creator>
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Foi há 525 dias que a Warner Bros. anunciou que Inception (A Origem) seria o próximo filme de Christopher Nolan. 525 dias, 12600 horas depois, eis que o filme mais aguardado de 2010 chega aos cinemas portugueses. A partir desta quinta-feira é possível entrar numa fresca e escura sala de cinema, em pleno mês de Julho, e esquecermo-nos de que estamos no período do ano dominado por cinema popcorn, por sequelas, remakes e vampiros adolescentes. Por entre todo esse escapismo volta a emergir o rei do cinema mainstream, o único ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-13745    aligncenter" src="http://www.ante-cinema.com/wp-content/uploads/2010/05/inception.jpg" alt="" width="580" height="217" /></p>
<p style="text-align: justify;">Foi há 525 dias que a <em><span style="color: #800000;">Warner Bros.</span></em> anunciou que <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt1375666/" target="_blank">Inception</a> </em><span style="font-weight: normal;">(</span><em><span style="color: #800000;">A Origem</span></em><span style="font-weight: normal;">)</span></strong> seria o próximo filme de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0634240/" target="_blank">Christopher Nolan</a>. 525 dias, 12600 horas depois, eis que o filme mais aguardado de 2010 chega aos cinemas portugueses. A partir desta quinta-feira é possível entrar numa fresca e escura sala de cinema, em pleno mês de Julho, e esquecermo-nos de que estamos no período do ano dominado por cinema <em>popcorn</em>, por sequelas, <em>remakes </em>e vampiros adolescentes. Por entre todo esse escapismo volta a emergir o rei do cinema <em>mainstream</em>, o único que consegue oferecer-nos tudo o que procuramos num filme: mistério, exaltação, divertimento e estimulação intelectual. Esse homem chama-se <a href="http://www.imdb.com/name/nm0634240/" target="_blank">Christopher Nolan</a>, e é a ele que temos que agradecer por essa maravilha chamada <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt1375666/" target="_blank">Inception</a></em></strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Nolan tem vindo a fazer filmes únicos e revolucionários desde há mais de uma década. Cada um deles representou uma contribuição única e específica para o género em que se inseriam: com <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0209144/" target="_blank">Memento</a><span style="font-weight: normal; font-style: normal;">,</span></em></strong> pegou essencialmente em tudo o que já tinha sido feito no panteão do <em>thriller</em> com tons dramáticos e criminais e abanou com tudo o que fomos ensinados a esperar desse tipo de filme; fez o mesmo com <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0278504/" target="_blank">Insomnia</a></em></strong> para o <em>thriller</em> psicológico e com <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0482571/" target="_blank">The Prestige</a></em></strong> provou que é possível surpreender e fascinar o público sem insultar a sua inteligência. Tudo isso, contudo, são migalhas quando comparado com o que fez com <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0468569/" target="_blank">The Dark Knight</a></em></strong>. Aí conseguiu algo exponencialmente mais difícil: mudou o próprio cinema. Pegou numa história clássica, de um outro meio completamente distinto e até então associado a um cinema sem preocupações para além do entretenimento, e criou um filme de acção e um drama-crime perfeito: negro, violento, humano, explosivo e profundamente complexo. E tudo o que viria a ser feito a partir de obras de BD depois de 2008 seria comparado com o que ele criou.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt1375666/" target="_blank">Inception</a></em></strong> é o filme que o mais optimista fã de Nolan poderia esperar, depois de <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0468569/" target="_blank">The Dark Knight</a></em></strong>, mas ao mesmo tempo algo que ninguém conseguiria prever. Durante toda a sua carreira, Nolan sempre experimentou com géneros, mas o elemento comum em todos os seus filmes é o <em>thriller</em>, um forte fascínio pelo poder e mistérios da mente. Ao ver <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt1375666/" target="_blank">Inception</a></em></strong> é possível vislumbrar pequenos fragmentos de muitos dos seus filmes, desde a obsessiva preocupação de <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0209144/" target="_blank">Memento</a></em></strong> com questões de memória e percepção, à meticulosidade e escala gigantesca de <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0468569/" target="_blank">The Dark Knight</a></em></strong>, e até mesmo ao tema principal (o roubo) de <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0154506/" target="_blank">Following</a></em></strong>, o seu filme de estreia. Quando se diz que Nolan passou dez anos a escrever o argumento de <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt1375666/" target="_blank">Inception</a></em></strong>, tal pode parecer um exagero, mas também pode fazer muito sentido. É como se tudo o que ele fez até hoje o tenha guiado até este filme.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i172.photobucket.com/albums/w25/EarthlyAlien/inception112.jpg" border="0" alt="Photobucket" /></p>
<p style="text-align: justify;">Se é verdade que os filmes de Nolan sempre tiveram fortes doses do incompreendido, <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt1375666/" target="_blank">Inception</a> </em></strong>marca a primeira vez em que ele se debruça completa e claramente sobre a ficção científica. Nos meses que anteciparam a estreia do filme muito se falou e especulou, em grande parte pelo secretismo, quase que saído de um filme de espiões, em redor da história, protegida a sete chaves pela <em><span style="color: #800000;">Warner</span></em>. Do que se tratava? Como seria um filme de ficção científica saído da mente de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0634240/" target="_blank">Christopher Nolan</a>? O que fazia <a href="http://www.imdb.com/name/nm0330687/" target="_blank">Joseph Gordon-Levitt</a> em pé nas paredes de um corredor? Todas essas perguntas devem ficar por responder até ao momento de ver <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt1375666/" target="_blank">Inception</a></em></strong>. O que seria sempre de esperar era que um filme de ficção científica de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0634240/" target="_blank">Christopher Nolan</a> fosse diferente de um filme de ficção científica de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000116/" target="_blank">James Cameron</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo se resume aos sonhos, como os <em>trailers </em>e os <em>posters </em>faziam prever. Não há criaturas sobrenaturais, extraterrestres nem tão-pouco planetas longínquos. Tudo se passa aqui, na Terra, com pessoas. É simplesmente uma Terra onde as pessoas, como Dom Cobb (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0000138/" target="_blank">Leonardo DiCaprio</a>), têm a capacidade de transcender realidades. Cobb é uma espécie de espião/ladrão corporativo, cujo trabalho envolve a obtenção de informações valiosas, extraídas das mentes dos seus alvos enquanto estes sonham, quando os seus subconscientes imperam. Para tal recorrem a ‘arquitectos’, que criam os mundos em que esses subconscientes se refugiam e onde guardam os seus segredos mais preciosos.</p>
<p style="text-align: justify;">O termo ‘inception’ diz respeito ao acto de colocar uma ideia no subconsciente de um cliente, ao invés de a extrair, tarefa para a qual Saito (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0913822/" target="_blank">Ken Watanabe</a>), um homem de negócios dúbio, contrata Cobb. Um acto complexo e praticamente impossível, este consiste em essencialmente utilizar o poder obsessivo de uma ideia (comparado por Cobb a um vírus) para influenciar o comportamento de uma pessoa. Cobb, perseguido pelo assassínio da sua esposa (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0182839/" target="_blank">Marion Cotillard</a>), afirma que é possível e forma uma equipa de especialistas que inclui a arquitecta Adriadne (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0680983/" target="_blank">Ellen Page</a>), responsável pela criação dos ‘cenários’ onde tentarão implantar a ideia na sua vítima, Robert Fischer, Jr. (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0614165/" target="_blank">Cillian Murphy</a>), o forjador Eames (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0362766/" target="_blank">Tom Hardy</a>), que possui a capacidade de assumir qualquer identidade no mundo do sonho, o químico Yusuf (<a href="http://www.imdb.com/name/nm2438307/" target="_blank">Dileep Rao</a>), responsável pelas substâncias que os permitirão manter-se num estado de sono profundo durante um largo período de tempo, e Arthur (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0330687/" target="_blank">Joseph Gordon-Levitt</a>), o braço direito de Cobb.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i172.photobucket.com/albums/w25/EarthlyAlien/inception111.jpg" border="0" alt="Photobucket" /></p>
<p style="text-align: justify;">Falar sobre o <em>plot </em>de um filme como <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt1375666/" target="_blank">Inception</a></em></strong> é sempre ingrato. O que à primeira vista parece um ‘<em>heist movie</em>’ (dentro do mundo dos sonhos) é na realidade muito mais. O maior ‘truque’ de Nolan aqui é o facto de se servir da acção principal (e <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt1375666/" target="_blank">Inception</a> </em></strong>é um fabuloso filme de acção), da missão dos intervenientes, para tocar em temas muito mais complexos e profundos, como são o amor, a perda e incapacidade de esquecer alguém que amamos. Ao puxar-nos para a autêntica montanha-russa que é grande parte do filme (com sonhos dentro de sonhos, dentro de sonhos, dentro de sonhos), e mantendo o filme sempre a níveis de intensidade estratosféricos, Nolan distrai-nos do facto de esta ser no fundo uma história sobre pessoas, meticulosamente construída. O simbolismo de um labirinto é frequentemente utilizado durante o filme e é, ironicamente, o símbolo mais apropriado para descrever <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt1375666/" target="_blank">Inception</a></em></strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Para além de ser um filme de acção imensamente intenso e com um ritmo alucinante (contribuindo para tal a fabulosa música de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001877/" target="_blank">Hans Zimmer</a>, que magnifica cada segundo e o torna em minutos), <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt1375666/" target="_blank">Inception</a></em></strong> é também um filme de uma inteligência raríssima. Ambos os mundos são devidamente separados, mas ao mesmo tempo tudo o que acontece no mundo ‘real’ influencia directamente o que acontece no dos sonhos, o que ajuda a explicar, sem adiantar mais, o porquê da personagem de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0330687/" target="_blank">Joseph Gordon-Levitt</a> conseguir andar nas paredes do corredor ou de uma cidade se poder dobrar sobre si própria. Nolan constrói o filme como um labirinto, sendo indispensável um certo nível de atenção, o que permite que este resulte em vários níveis que se auto-conectam, fazendo dos <em>twists </em>o resultado natural e perfeitamente credível de uma completa imersão na história e mantendo sempre as personagens num primeiro plano de importância. Se o filme tem um defeito, é o facto de estas não serem igualmente desenvolvidas, com <em>back-stories</em> que poderiam ser exploradas de forma mais eficaz.</p>
<p style="text-align: justify;">Misturando elementos de pelo menos três géneros cinematográficos na perfeição, filmado de uma forma inexplicavelmente genial (e em 2-D), sem exageros em termos de CGI e com interpretações de grande nível (em especial DiCaprio, Cotillard e Murphy), <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt1375666/" target="_blank">Inception</a></em></strong> maravilha tanto pelo seu poderio visual como pela forma como mexe connosco como seres profundamente emocionais e ao mesmo tempo racionais. A dada altura, nos último terço do filme, Nolan usa como clímax uma sequência de mais de 20 minutos (que não descreverei) que, deambulando entre os dois mundos, causa tudo desde assombro, exaltação, felicidade, tristeza, regozijo, medo e incredibilidade. É o clímax mais brilhante que já vi.</p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #800000;">______________________________________________________________________________________</span></em><strong> </strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #800000;">NOTA</span></span></strong><strong><span style="color: #800000;">:</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i685.photobucket.com/albums/vv211/fjribeiro/rating_5star_45.jpg" border="0" alt="Photobucket" width="138" height="33" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #800000;">O MELHOR</span></span></strong><strong><span style="color: #800000;">:</span></strong></p>
<p style="text-align: center;">Tudo. A realização de Nolan e o ritmo louco que impõe, a complexidade do argumento, a música magistral de Zimmer, a fotografia de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0002892/" target="_blank">Wally Pfister</a>, as interpretações, os efeitos especiais&#8230; tudo.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #800000;">O PIOR</span></span></strong><strong><span style="color: #800000;">:</span></strong></p>
<p style="text-align: center;">Praticamente nada, mas algumas das personagens beneficiariam de maior dimensão. O facto de não conseguir atingir a perfeição de <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0468569/" target="_blank">The Dark Knight</a><span style="font-style: normal; font-weight: normal;">.</span></em></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #800000;">A FRASE</span></span></strong><strong><span style="color: #800000;">:</span></strong></p>
<p style="text-align: center;">&#8220;<em>What&#8217;s the most resilient parasite? An Idea. A single idea from the human mind can build cities. An idea can transform the world and rewrite all the rules. Which is why I have to steal it.</em>&#8221; &#8211; Cobb</p>
<p style="text-align: center;"><strong><em><span style="color: #800000;">______________________________________________________________________________________</span></em></strong><strong> </strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;">NOS CINEMAS A 22 DE JULHO</span></strong></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="590" height="330" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.dailymotion.com/swf/video/xdpxw7" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="590" height="330" src="http://www.dailymotion.com/swf/video/xdpxw7" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>Crítica: «O Escritor Fantasma» – O ‘Shutter Island’ de Polanski</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Jul 2010 17:36:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mário Macedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Mário Macedo]]></category>
		<category><![CDATA[Alexandre Desplat]]></category>
		<category><![CDATA[Eli Wallach]]></category>
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A altura não podia ser melhor. Roman Polanski tem estado nas bocas do mundo, ora pelo seu antigo caso de abusos sexuais, ora pela prisão domiciliária que conheceu o seu fim no decorrer desta semana. Felizmente também tem estado a ser falado pelos seus afortunados feitos na sétima arte, principalmente na sua mais recente obra O Escritor Fantasma, depois do sucesso oscarizado de O Pianista (2002) e do não tão bom Oliver Twist (2005), e que concedeu a Polanski o Urso de Prata de Melhor Realizador em Berlim. E sim, ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-14908    aligncenter" title="the-ghost-writer" src="http://www.ante-cinema.com/wp-content/uploads/2010/07/the-ghost-writer.jpg" alt="" width="585" height="221" /></p>
<p style="text-align: justify;">A altura não podia ser melhor. <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000591/" target="_blank">Roman Polanski</a> tem estado nas bocas do mundo, ora pelo seu antigo caso de abusos sexuais, ora pela prisão domiciliária que conheceu o seu fim no decorrer desta semana. Felizmente também tem estado a ser falado pelos seus afortunados feitos na sétima arte, principalmente na sua mais recente obra <a href="http://www.imdb.com/title/tt1139328/" target="_blank"><em><strong>O Escritor Fantasma</strong></em></a>, depois do sucesso oscarizado de <a href="http://www.imdb.com/title/tt0253474/" target="_blank"><em><strong>O Pianista (2002)</strong></em></a> e do não tão bom <a href="http://www.imdb.com/title/tt0380599/" target="_blank"><em><strong>Oliver Twist (2005)</strong></em></a>, e que concedeu a Polanski o Urso de Prata de Melhor Realizador em Berlim. E sim, este seu recente filme é uma delícia para a vista de qualquer espectador mais atento.</p>
<p style="text-align: justify;">O filme segue a história de um pouco talentoso escritor que infelizmente não se vê reconhecido artisticamente, sendo obrigado a fazer pequenos trabalhos biográficos encomendados. Aqui encontra uma proposta aliciante onde terá de actuar como escritor fantasma das memórias de um polémico ex primeiro-ministro Britânico, Adam Lang, que se vê recentemente atacado pelas suas supostas ligações a crimes de guerra. A trama adensa-se e o mistério segue um crescendo que atinge o seu clímax e <em>twists</em> sem aborrecer ou sequer cair em lugares-comuns.</p>
<p style="text-align: justify;">Com uma realização adequada, Polanski cria uma história interessante e cativa o espectador a seguir os seus personagens num enredo cada vez mais enigmático. Adaptado do livro de <span style="color: #800000;">Robert Harris</span>, que ajudou na adaptação, as próprias pontes entre as políticas de <span style="color: #800000;">Tony Blair</span> e das administrações <span style="color: #800000;">Bush</span> também são claras e ajudam a que a actualidade de todo o enredo seja auferida, ou não fosse uma das possíveis mensagens subliminares a retirar ser a dos EUA serem a raiz de todo o mal neste mundo de corrupção e jogos de poder, de onde o próprio Polanski se considera vítima.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i685.photobucket.com/albums/vv211/fjribeiro/the-ghost-writer2009.jpg" border="0" alt="The Ghost Writer" /></p>
<p style="text-align: justify;">O desenvolvimento inteligente e despreocupado de todo o filme dá-lhe um cariz que já se sentia falta nos thrillers actuais. Vêm-se as coisas acontecerem como estas deviam acontecer. Sem artifícios para tornarem a viagem mais excitante. Não vemos cortes bruscos seguidos de uma música aguda e espalhafatosa para deixar o espectador pular na sua cadeira. Ao invés, vemos uma serenidade em como a acção se desenrola que ajuda a toda envolvência do espectador naquelas personagens e, sobretudo, no ambiente circundante, o da negra e invernosa zona de <em>Cape Cod</em>. Isto tudo é conseguido, claro, pela bela cinematografia de <span style="color: #800000;">Pawel Edelman</span>, já colaborador de Polanski, que confere a todo o filme uma bela imagética acompanhada pela trilha sonora de <span style="color: #800000;">Alexandre Desplat</span>, cujo som segue todos os momentos de maior tensão, deixando o espectador sempre na ânsia de descobrir o próximo passo a seguir.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, são os actores o ponto forte de tudo. <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000191/" target="_blank">Ewan McGregor</a>, que já não víamos em representações decentes há um bom par de anos, é um excelente fantasma, frio, inteligente e<em> &#8216;very british&#8217;</em>, que acompanhado por um <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000112/" target="_blank">Pierce Brosnan</a> obrigatoriamente insípido, fazem dos seus momentos os melhores do filme. <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000326/" target="_blank">Kim Cattrall</a> é, no entanto, uma das maiores surpresas, que aqui deixa de ser a excitada Samantha de <a href="http://www.imdb.com/title/tt1000774/" target="_blank"><em><strong>Sexo e a Cidade</strong></em></a>, para ser a amante do ministro e sua secretária.  Contudo, todos os outros actores estão excelentes, como <a href="http://www.imdb.com/name/nm0931404/" target="_blank">Olivia Williams</a> no papel de Ruth Lang, <a href="http://www.imdb.com/name/nm0929489/" target="_blank">Tom Wilkinson</a> e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0908919/" target="_blank">Eli Wallach</a> a relembrar o cinema hitchcockiano (talvez uma homenagem!) na sua personagem de velho suspeito e, de certa forma, revelador. Impressionante é o <em>cameo</em> de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000902/" target="_blank">James Belushi</a> que aqui aparece absolutamente careca e autoritário nos cinco minutos iniciais. No entanto, todos eles jogam na perfeição, e é essa química que torna com que a da história se torne apelativa.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>O </strong></em><em><strong><a href="http://www.imdb.com/title/tt1139328/" target="_blank"><em><strong>O Escritor Fantasma</strong></em></a></strong></em> é dos melhores filmes que 2010 já viu e verá, onde a realização descontraída de uma história sem pressas de ser contada, resulta num magnífico exercício de sétima arte a ser levado como exemplo em projectos futuros no que diz respeito a thrillers de qualquer natureza. Isto sim é cinema comercial de autor de qualidade, onde <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000591/" target="_blank">Roman Polanski</a>, tal como um <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000217/" target="_blank">Martin Scorcese</a>, consegue mostrar o seu cunho sem cair em facilitismos lucrativos, e criar pequenas preciosidades dignas de serem relembradas.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em><strong><strong><em><strong>______________________________________________________________________________________</strong></em></strong></strong></em></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>NOTA:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i685.photobucket.com/albums/vv211/fjribeiro/rating_5star_45.jpg" border="0" alt="Photobucket" width="138" height="33" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>O MELHOR:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;">A deliciosa calma e timing com que tudo ocorre. Tudo parece perfeito e jogar certo. A relembrar os bons velhos filmes de suspense.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong>O PIOR:</strong></span></p>
<p style="text-align: center;">Sinceramente, nada a apontar.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>A FRASE:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><em>&#8216;They can&#8217;t drown two ghost writers. You&#8217;re not kittens!&#8217;</em></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em><strong><strong><em><strong>______________________________________________________________________________________</strong></em></strong></strong></em></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><strong><strong><strong>NOS CINEMAS DESDE 15 DE JULHO DE 2010</strong></strong></strong><em><strong><strong><em><strong><br />
</strong></em></strong></strong></em></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="590" height="335" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.dailymotion.com/swf/video/xdxwz7" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="590" height="335" src="http://www.dailymotion.com/swf/video/xdxwz7" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>Crítica: «Shrek – Para Sempre!» &#8211; O regresso da saga Shrek</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jul 2010 15:42:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Gomes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema de Animação]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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Nove anos após a sua estreia, depois de acumular milhões de dólares e de fãs com três filmes bem sucedidos, eis que o franchise de Shrek está de regresso e desta vez apresentando um novo elemento, a já célebre tecnologia 3D. Desde 2001 que o ogre verde tem vindo a marcar novos padrões ao nível da animação, sendo apropriado não só para crianças, mas também para adultos, sendo que o recurso a esta nova tecnologia pretende redimir o franchise de um terceiro filme que fez cair a bilheteira em milhões ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-14791  aligncenter" title="shrek-forever-after" src="http://www.ante-cinema.com/wp-content/uploads/2010/07/shrek-forever-after1.jpg" alt="" width="585" height="213" /></p>
<p style="text-align: justify;">Nove anos após a sua estreia, depois de acumular milhões de dólares e de fãs com três filmes bem sucedidos, eis que o <em>franchise</em> de <a href="http://www.imdb.com/title/tt0892791/" target="_blank"><em><strong>Shrek</strong></em></a> está de regresso e desta vez apresentando um novo elemento, a já célebre tecnologia 3D. Desde <a href="http://www.imdb.com/title/tt0126029/" target="_blank">2001</a> que o ogre verde tem vindo a marcar novos padrões ao nível da animação, sendo apropriado não só para crianças, mas também para adultos, sendo que o recurso a esta nova tecnologia pretende redimir o <em>franchise</em> de um terceiro filme que fez cair a bilheteira em milhões de dólares comparativamente com o segundo capítulo que teve uma facturação superior a 900 milhões de dólares!</p>
<p style="text-align: justify;">O filme demonstra uma crise de meia idade que afecta o personagem principal e que o faz pensar sobre várias opções que tomou no passado e que condicionaram a sua vida futura, nomeadamente no que respeita na sua relação com Fiona (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0000139/" target="_blank">Cameron   Diaz</a>) após o nascimento dos seus filhos. Shrek (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0000196/" target="_blank">Mike Myers</a>) já não era o ogre assustador para os aldeões, passando a ser uma mera atracção de circo, com uma vida muito monótona e entediante com as tarefas rotineiras condizentes com o papel de pai. O primeiro aniversário dos seus filhos e a festa correspondente a tal acontecimento desencadeia uma série de eventos que culminam num encontro com o malévolo Rumplestiltskin (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0230666/" target="_blank">Walt Dohrn</a>), que o engana e acaba por privar Shrek de tudo o que mais estimava na vida.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i685.photobucket.com/albums/vv211/fjribeiro/shrek-forever-after-2010.jpg" border="0" alt="Shrek Forever After" /></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.imdb.com/title/tt0892791/" target="_blank"><em><strong>Shrek  – Para Sempre!</strong></em></a> explora as duas vertentes do mundo <em>Far Far Away</em>, como seria sem Shrek e como é com a presença do ogre. Neste aspecto, o recurso a acontecimentos de filmes passados foi uma excelente ideia do realizador para acentuar o conflito interior existente no personagem principal. A inclusão de personagens de outras histórias de animação como Rumplestiltskin, os três porquinhos, pinóquio, entre outros, serviu para acrescentar uma dimensão superior ao filme, uma vez que são personagens com que muitos de nós se identificam e que acompanharam a infância dos espectadores.</p>
<p style="text-align: justify;">A tecnologia 3D apresentada foi um regalo para os olhos! As florestas apresentam um realismo impressionante, digna dos melhores documentários sobre natureza. As bruxas a voarem nas suas vassouras dão a sensação que vêm em nossa direcção para arremessarem os seus projécteis e as suas correntes. A partir do momento em que colocamos os óculos 3D podemos dizer que mergulhamos na <em>“Dimensão Shrek”</em> e experimentamos uma viagem do outro mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">O enredo tem mais de dramático do que propriamente de cómico, no entanto, não deixa de ter as principais características que Shrek nos tem vindo a habituar. O Burro (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0000552/" target="_blank">Eddie  Murphy</a>) continua a apresentar os detalhes musicais, mágicos e caóticos que sempre o celebrizaram e que servem para atormentar a vida do personagem principal. A única crítica a apontar ao enredo é a sua excessiva simplicidade, que parece ser a imagem de marca de filmes onde a tecnologia 3D é bem aplicada. Consiste numa história onde a dicotomia bem/mal está bem vincada e com todas as partes da história bem definidas com introdução, desenvolvimento e a típica conclusão de um filme deste género, com o <em>“felizes para sempre”</em>.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i685.photobucket.com/albums/vv211/fjribeiro/shrek-forever-after-movie.jpg" border="0" alt="Shrek Forever After" /></p>
<p style="text-align: justify;">Este Shrek demonstra uma evolução como personagem. Em vez de ser o típico e apenas desastrado Shrek, prova ser um ogre com problemas internos e com força para os resolver, apesar da sua vulnerabilidade quando Fiona se encontra em apuros. O Gato das Botas (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0000104/" target="_blank">Antonio   Banderas</a>) está uma sombra de si próprio. Muito devido ao facto de só o vermos num mundo “alternativo”, onde o seu personagem é o oposto, um gato barrigudo, sem garra e energia, em moldes muito semelhantes ao de um Garfield sem a lasanha. No entanto, a voz de Banderas e as suas expressões, continuam a ser suficientes para roubar o espectáculo.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando recordamos todos os filmes Shrek notamos uma evolução de acordo com as exigências do público. O primeiro capítulo teve aquele toque digno de um filme da <em>Disney</em>, com muita magia, animação e aventura, parecendo a entrada num novo mundo que engolia os espectadores. Quem não se recorda das grandes lutas com o Dragão para salvar a princesa? O segundo filme, embora perdendo um pouco o aspecto da aventura, continuou a salvaguardar a parte das gargalhadas. O terceiro capítulo fez lembrar uma novela mexicana com tanto diálogo inútil e uma história sem sentido, sem momentos de animação com tanta volta em redor da subida ou não ao trono por parte de Shrek. Já este mais recente capítulo pretendeu voltar às origens, com muita aventura e muita concentração no aspecto visual, de forma a voltar a prender o espectador ao <em>franchise</em>, algo que mesmo com um enredo simplista, foi muito bem conseguido e deve-se saudar o realizador por ter voltado a relançar a saga Shrek.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em><strong><strong><em><strong>______________________________________________________________________________________</strong></em></strong></strong></em></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>NOTA:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i685.photobucket.com/albums/vv211/fjribeiro/rating_5star_35.gif" border="0" alt="Photobucket" width="138" height="31" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>O MELHOR:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;">Não sendo tão bom como o primeiro filme, este relançou a saga Shrek, sendo uma grande melhoria em relação ao terceiro capítulo. O Burro continua a ser a principal fonte de risadas, onde a sua vertente musical ilumina os restantes personagens. Shrek é um filme que entretém tanto miúdos como graudos por incidir tanto na vertente animada como numa vertente mais intelectual. A tecnologia 3D foi realmente agradável de seguir, com muitos bons pormenores, especialmente ao nível da acção e das florestas.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>O PIOR:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;">O enredo. O filme é demasiado previsível, o que é bom relativamente à parte final de forma a não desiludir os mais novos, mas a meio seria agradável ter algum suspense. Ao criar um mundo novo era possível acrescentar essa dimensão de surpresa, mas tal acabou por não ser conseguido, perdendo-se essa oportunidade de melhoria.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>A FRASE:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><em> “you ar ri – donk – culous!”</em>, pelo Gato das Botas.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em><strong><strong><em><strong>______________________________________________________________________________________</strong></em></strong></strong></em></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><strong><strong><strong>NOS CINEMAS DESDE 8 DE JULHO DE 2010</strong></strong></strong><em><strong><strong><em><strong><br />
</strong></em></strong></strong></em></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="590" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.dailymotion.com/swf/video/xdpzhi" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="590" height="340" src="http://www.dailymotion.com/swf/video/xdpzhi" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>Crítica: «Twilight: Eclipse» &#8211; Morangos com Vampiros III</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Jul 2010 17:31:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Costas Mandylor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Costas Mandylor]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Bryce Dallas Howard]]></category>
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		<description><![CDATA[Para quem está habituado a que aqui o Costas achincalhe impiedosamente a Saga Twilight e tudo aquilo que envolve o assunto, exceptuando as obras literárias em que o lixo cinematográfico foi buscar inspiração, hoje é sem dúvida um dia contraditório na natureza Mandylor. Tudo isto porque acabei de assistir ao fresquíssimo filme da saga, Eclipse (2010), e por estupidamente incrível que pareça, eu não consigo odiá-lo. Porquê?! Eu ando há dias, semanas, meses, com um índice elevadíssimo de expectativas, quase superior ao daquela tipa do YouTube que grita anormalmente enquanto ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-full wp-image-1205" title="costas-mandylor1" src="http://www.ante-cinema.com/wp-content/uploads/2009/03/costas-mandylor1.jpg" alt="" width="109" height="118" />Para quem está habituado a que aqui o Costas achincalhe impiedosamente a <a href="http://www.imdb.com/title/tt1099212/" target="_blank"><em><strong>Saga Twilight</strong></em></a> e tudo aquilo que envolve o assunto, exceptuando as obras literárias em que o lixo cinematográfico foi buscar inspiração, hoje é sem dúvida um dia contraditório na natureza Mandylor. Tudo isto porque acabei de assistir ao fresquíssimo filme da saga, <a href="http://www.imdb.com/title/tt1325004/" target="_blank"><em><strong>Eclipse (2010)</strong></em></a>, e por estupidamente incrível que pareça, eu não consigo odiá-lo. Porquê?! Eu ando há dias, semanas, meses, com um índice elevadíssimo de expectativas, quase superior ao <a href="http://www.youtube.com/watch?v=mPSsNHBrmHo&amp;feature=related" target="_blank">daquela tipa</a> do YouTube que grita anormalmente enquanto vê as primeiras imagens do trailer. Enquanto ela gritava de alegria, eu sorria tipo <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000115/" target="_blank">Nicolas Cage</a> só de imaginar o quanto ia chacinar o raio do filme.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full  wp-image-14632    aligncenter" title="the-twilight-saga-eclipse" src="http://www.ante-cinema.com/wp-content/uploads/2010/07/the-twilight-saga-eclipse.jpg" alt="" width="585" height="220" /></p>
<p style="text-align: justify;">Mas vamos por partes. Desta vez não pude estar presente na estreia oficial junto da gentalha ilustre, porque um senhor chamado <span style="color: #800000;">Fernando Ribeiro</span> andou à pancada com meia dúzia de pessoas que se encontravam na estreia oficial de <a href="http://www.imdb.com/title/tt1259571/" target="_blank"><em><strong>Lua Nova (2009)</strong></em></a>, e consequentemente como não houve convite, tive de realmente pagar para ver <em><strong><a href="http://www.imdb.com/title/tt1325004/" target="_blank"><em><strong>Eclipse</strong></em></a></strong></em>, e juntar-me às fãs histéricas que fazem comentários elaborados durante o visionamento, capazes de envergonhar <span style="color: #800000;">Luís Freitas Lobo</span>. Se o Pattinson soubesse, seria difícil limpar-lhe aquele sorrizinho de escárnio da cara, ao imaginar-me sentado a contribuir para lhe encher os bolsos.</p>
<p style="text-align: justify;">A outra parte da minha experiência com <em><strong><a href="http://www.imdb.com/title/tt1325004/" target="_blank"><em><strong>Eclipse</strong></em></a></strong></em>, e efectivamente essa é que interessa, é o seu visionamento. Confesso que me deixei levar pelo entusiasmo de destruir este filme por motivos óbvios, porque a verdade é que não é assim tão mau. Comecemos pela história que &#8216;penteia&#8217; este terceiro filme da saga, onde continuamos confrontados com a chachada do dilema amoroso de Bella (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0829576/" target="_blank">Kristen Stewart</a>), Edward (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1500155/" target="_blank">Robert Pattinson</a>) e Jacob (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1210124/" target="_blank">Taylor Lautner</a>), agravado agora pela possibilidade de Bella se poder tornar numa vampira, sob a condição de casar com Edward, para mal dos pecados de Jacob. Paralelamente conhecemos Riley (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1882152/" target="_blank">Xavier Samuel</a>), um vampiro recém-nascido às ordens de Victoria (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0397171/" target="_blank">Bryce Dallas Howard</a>), que procura vingança pela morte de James (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1544217/" target="_blank">Cam Gigandet</a>), o vampiro derrotado por Edward no primeiro capítulo da saga, <a href="http://www.imdb.com/title/tt1099212/" target="_blank"><em><strong>Crepúsculo (2008)</strong></em></a>. Para isso acontecer, Victoria pretende criar um exército de recém-nascidos, que para que se entenda são vampiros com pouco tempo de transformação, e por isso estupidamente fortes.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i685.photobucket.com/albums/vv211/fjribeiro/the-twilight-saga-eclipse-2010.jpg" border="0" alt="The Twilight Saga: Eclipse" /></p>
<p style="text-align: justify;">Está criado o mote perfeito para pôr a canalhada toda a saltar das cadeiras e a atirar pipocas para o ar. Contudo, não foi de todo o que sucedeu. Durante a exibição do filme, a audiência permanecia colada à tela, não desgrudando nem por um único segundo, nem emitindo um único ‘come-a’ ou ‘cala-me essa gaja com o teu &#8216;vampirão&#8217;’, como aconteceu frequentemente durante a exibição de <a href="http://www.imdb.com/title/tt1259571/" target="_blank"><em><strong>Lua Nova</strong></em></a>. Acabei por ficar com o ‘bichinho’ e perceber porque raio ninguém andava com as hormonas aos saltos. Ao contrário do segundo capítulo, <em><strong><a href="http://www.imdb.com/title/tt1325004/" target="_blank"><em><strong>Eclipse</strong></em></a></strong></em> consegue evitar os diálogos exagerados, os dramas excessivos, e conter o histerismo que <a href="http://www.imdb.com/name/nm0829576/" target="_blank">Kristen Stewart</a> usa e abusa para que se sinta a ‘dor’ emocional da personagem. Existe mais ritmo no argumento, maior desenvolvimento nos <em>‘backgrounds’</em> de alguns personagens e também dos seus conflitos internos (principalmente Bella, quanto a abdicar da vida para se tornar uma vampira), bom balanceamento entre acção e drama, e principalmente um espírito épico que não se encontrava nos seus predecessores. Talvez o mestre <a href="http://www.imdb.com/name/nm0006290/" target="_blank">Howard Shore</a> tenha ajudado com a banda sonora, mas a realidade é que também se sente uma melhoria nas performances dos actores. Não me interpretem mal, Stewart, Pattinson e Lautner, continuam a ser terríveis, com <em>overactings</em> de arrancar as unhas e cabelo, mas pelo menos não chegam a dar vontade de matar a audiência inteira como em <a href="http://www.imdb.com/title/tt1259571/" target="_blank"><em><strong>Lua Nova</strong></em></a>. Existem momentos em que se consegue encontrar sintonia entre actor/personagem, suficientes para provocar risos sinceros numa determinada cena, onde confesso que até construí mentalmente um terrível<em> ‘spoof’</em>, prontinho para usar no próximo <span style="color: #800000;">MTV Movie Awards</span>.</p>
<p style="text-align: justify;">Positivismos à parte, onde até o CGI não foi um factor tão negativo como esperava, se o meu comentário acabasse por aqui isto até estava bem encaminhado. A verdade meus amigos, é que este continua a ser um filme superficial, que pertence a uma saga de carisma provocatoriamente oco, que para além de não trazer nada de novo, pelos vistos ainda cria má publicidade à desgraçada da <a href="http://www.imdb.com/name/nm2769412/" target="_blank">Stephenie Mayer</a>, que se deve ter matado para escrever aqueles livros. O que vale é que já deve ter dinheiro para ficar sentada na sanita para o resto da vida a ler os seus romances. É que se observarmos o fenómeno desta <em><strong><a href="http://www.imdb.com/title/tt1099212/" target="_blank"><em><strong>Saga Twilight</strong></em></a></strong></em>, é verdadeiramente incompreensível o zumbido que se faz à volta dos seus filmes. Eu pergunto-me: <em>‘Estes miúdos leram mesmo os livros, ou será que é tudo por causa do Pattinson e do Lautner?’</em>. Não encontro resposta. E se for por causa do duo masculino, então temos sérios problemas. Passará a ser um hábito sacrificar boas histórias por maus actores com cara de bebé que têm a mania que são crescidinhos e que mandam nesta porcaria toda. Não é mentira nenhuma, eu tinha uma senhora atrás de mim que suspirou várias vezes quando Lautner aparecia, soltando gemidos de compaixão quando Lautner fez um arranhão e ainda disse alto e bom som: <em>‘Toma lá p*** de m**** que já devias ter morrido à muito tempo’</em>, dirigindo-se a um dos personagens do filme. Senti-me um privilegiado por estar sentado mesmo à frente dessa senhora.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i685.photobucket.com/albums/vv211/fjribeiro/eclipse.jpg" border="0" alt="The Twilight Saga: Eclipse" /></p>
<p style="text-align: justify;">Por razões óbvias, neste caso, não ter posto o olho em nenhuma das obras de <a href="http://www.imdb.com/name/nm2769412/" target="_blank">Stephenie Mayer</a>, não posso fazer paralelismos entre livro e filme. O que vi foi o personagem de Edward a passar de machão a ‘corno manso’ em fracções de segundo, Jacob a dar uma de ‘mitra’ ora sem camisola, ora a servir de ‘velinha’, e finalmente uma Bella que a dada altura de tanto trocar de amor, só pode ter um nome. Esse mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, todo um leque de coisas continuam a não funcionar, provando que estes filmes por muitos aspectos que melhorem, não fazem grande falta ao mundo do cinema. Pessoalmente saí desiludido por não poder falar tão mal do filme como da restante saga, mas a verdade é que também não saio feliz pois a surpresa não passou de 8 para 80, mas sim de 8 para 10. <a href="http://www.imdb.com/name/nm1720541/" target="_blank">David Slade</a>, responsável pelo inteligente <a href="http://www.imdb.com/title/tt0424136/" target="_blank"><em><strong>Hard Candy (2005)</strong></em></a> e pelo interessante <a href="http://www.imdb.com/title/tt0389722/" target="_blank"><em><strong>30 Days of Night (2007)</strong></em></a>, bem que tentou, e até conseguiu criar um ambiente mais negro, tanto visualmente como a nível da forma como o filme nos faz sentir. Sente-se o peso e uma aura trágica que é suposto haver, contudo, facilmente diluída nos devaneios do trio amoroso, onde provavelmente a argumentista <a href="http://www.imdb.com/name/nm0742279/" target="_blank">Melissa Rosenberg</a> é a maior responsável, retirando o erotismo, e dando lugar à pirosada como a história impossível de digerir que Edward conta a Bella só para não ir para a cama com ela. Duas palavras finais: <a href="http://www.imdb.com/title/tt0844441/" target="_blank"><em><strong>True Blood</strong></em></a>. Tenho dito meus caros.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><em>PS: Alguém me explica porque é que o Edward brilha quando leva com o sol na cara? Aliás, eles andam todos ao sol, e supostamente os vampiros são sensíveis ao sol. Algo me diz que vou ser esquartejado esta semana por fãs da saga.</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em><strong><strong><em><strong>______________________________________________________________________________________</strong></em></strong></strong></em></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="color: #800000;"><strong><span style="text-decoration: underline;">NOTA MANDYLOR:</span></strong></span><em><br />
</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i685.photobucket.com/albums/vv211/fjribeiro/rating_5star_25-1.gif" border="0" alt="Photobucket" width="137" height="31" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><span style="text-decoration: underline;">O MELHOR:</span></strong></span></p>
<p style="text-align: center;">O facto de ser melhor que os dois anteriores filmes.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>O PIOR:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;">Ainda não chega para eu gostar, mas a verdade cinematográfica impele aqui o Costas a ser sincero e a avaliar o filme não obstante a repugna pela saga. Saber que me espera mais um, ainda por cima dividido em duas partes.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>A FRASE:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><em>‘You don&#8217;t know what you&#8217;re getting yourself into.’</em> – Bella</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em><strong><strong><em><strong>______________________________________________________________________________________</strong></em></strong></strong></em></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><strong><strong><strong>NOS CINEMAS DESDE 30 DE JUNHO DE 2010</strong></strong></strong><em><strong><strong><em><strong><br />
</strong></em></strong></strong></em></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="590" height="360" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/bLp7IC_QmiA&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1?rel=0&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="590" height="360" src="http://www.youtube.com/v/bLp7IC_QmiA&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1?rel=0&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>Crítica: «Sem Nome» &#8211; O &#8220;sonho americano&#8221; no século XXI</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Jun 2010 04:48:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Ponte</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Ponte]]></category>
		<category><![CDATA[Cary Fukunaga]]></category>
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O “sonho americano”. A expressão há muito que se tornou uma banalidade ou num mau slogan. Para nós, europeus, portugueses, significou, durante muitas décadas, uma oportunidade de uma vida melhor, um escape às dificuldades da subsistência do dia-a-dia, uma luz ao fundo do túnel. Hoje o mais arrogante de nós provavelmente rir-se-á ao ouvir “sonho americano,” a necessidade de emigrar não é, afinal de contas, a mesma que durante grande parte do século XX. Muito menos para os Estados Unidos da América. E ainda bem que assim é. Quando o ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-14533  aligncenter" title="sinnombrejpg595x325crop" src="http://www.ante-cinema.com/wp-content/uploads/2010/06/sinnombrejpg595x325crop.jpg" alt="" width="585" height="225" /></p>
<p style="text-align: justify;">O “sonho americano”. A expressão há muito que se tornou uma banalidade ou num mau slogan. Para nós, europeus, portugueses, significou, durante muitas décadas, uma oportunidade de uma vida melhor, um escape às dificuldades da subsistência do dia-a-dia, uma luz ao fundo do túnel. Hoje o mais arrogante de nós provavelmente rir-se-á ao ouvir “sonho americano,” a necessidade de emigrar não é, afinal de contas, a mesma que durante grande parte do século XX. Muito menos para os Estados Unidos da América. E ainda bem que assim é. Quando o fazíamos, no entanto, como povo e nação, fazíamo-lo no conforto de um avião ou de um barco, provavelmente com familiares à nossa espera do outro lado. Nem toda a gente tem essa sorte. O conceito de “sonho americano” ainda é, para muitos, algo muito real.</p>
<p style="text-align: justify;">A questão da imigração ilegal nos E.U.A faz-nos, normalmente, pensar no México. Seja pela informação que consumimos através da comunicação social ou mesmo pelos filmes que vemos, é este país que nos ocorre. O que é compreensível, já que se trata do país vizinho, do lugar de onde se pode vislumbrar o território norte-americano a olho nu. É também um membro do G-20 (ou seja, uma das maiores 20 economias do mundo), o que é, no mínimo, estranho. Mas adiante. O que a maioria das pessoas não sabe (ou em que pelo menos nunca pensou) é que grande parte das pessoas que todos os dias rumam ao &#8220;norte&#8221; não são mexicanas. Vêm um pouco de todo o lado: Honduras, Guatemala, Nicarágua, etc. Vivem, na sua esmagadora maioria, no limiar da pobreza, muitas vezes com qualquer coisa como 1€ por dia. Para elas, o México não é mais que o penúltimo destino a atingir, que o último obstáculo a transpor. Do outro lado está a esperança.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt1127715/" target="_blank">Sem Nome</a></em></strong> pode ser descrito como uma homenagem a todas essas pessoas. Não uma homenagem no sentido romântico do termo, elevando-as a estatutos de heróis ou vítimas, mas num simples acto de reconhecer a sua existência, de dizer: &#8220;isto acontece.&#8221; E claro que qualquer pessoa que tenha uma televisão sabe que a imigração ilegal existe, o que talvez não saiba é aquilo por que milhares de seres humanos passam, muitas vezes para serem simplesmente presos, postos dentro de um avião e mandados de volta. Primeira longa-metragem de <a href="http://www.imdb.com/name/nm1560977/" target="_blank">Cary Fukunaga</a>, jovem cineasta americano particularmente investido em questões relacionadas com a imigração e os direitos humanos (já abordadas na sua curta-metragem <em><strong><a href="http://www.imdb.com/title/tt0428017/" target="_blank">Victoria Para Chino</a></strong></em>), <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt1127715/" target="_blank">Sem Nome</a> </em><span style="font-weight: normal;">é um filme completamente livre de pretensões, artificialismos e truques. Seria de esperar que, ao lidar com o assunto com que lida, não conseguisse escapar à tentação de fazer julgamentos políticos, ou de tentar, de alguma forma, alterar a forma de pensar de algumas pessoas &#8211; especialmente quando é feito por um cidadão americano -, mas isso nunca acontece. Fukanaga limita-se, durante 95 minutos, a contar uma história.</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i685.photobucket.com/albums/vv211/fjribeiro/sinnombreheader.jpg" border="0" alt="Sin Nombre" /></p>
<p style="text-align: justify;">Essa história é, de forma mais geral, a das tais pessoas que todos os dias rumam ao norte (como frequentemente as personagens de Fukanaga chamam ao seu destino), seja no topo de comboios ou a pé. Para contar essa história, que é no fundo a de tantos desconhecidos sem voz, recorre à de Sayra (<a href="http://www.imdb.com/name/nm2103508/" target="_blank">Paulina Gaitan</a>), uma adolescente Hondurenha que, relutantemente, se junta ao pai e ao tio numa travessia física e psicologicamente esgotante, com semanas de duração, de grande parte da América central, rumo ao tal &#8220;norte&#8221;. De forma paralela, Fukanaga conta a história de El Casper (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1060363/" target="_blank">Edgar M. Flores</a>), um jovem <em>gangster</em>, até ambos se encontrarem. A comparação mais comum no que às inspirações de Fukanaga dizem respeito, é a de <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0245712/" target="_blank">Amores Perros</a></em></strong>. É uma comparação fácil, mas ao mesmo tempo justificada. <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt1127715/" target="_blank">Sem Nome</a><span style="font-style: normal; font-weight: normal;">, longe da complexidade narrativa do primeiro filme de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0327944/" target="_blank">Alejandro González Iñárritu</a>, funde duas histórias quase que na perfeição, com Fukanaga a estabelecer laços improváveis mas tremendamente afectantes entre a inocência e a luta pela dignidade e a violência, brutalidade e falta de humanidade associada aos </span><span style="font-weight: normal;">gangs</span><span style="font-style: normal; font-weight: normal;">. </span></em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Fukanaga, fazendo, recordo, a sua estreia, maravilha tanto como argumentista como realizador.  A sua visão sobre a cultura <em>gang </em>mexicana e a rotina daqueles que passam semanas e semanas a fio a saltar de comboio em comboio e a fugir a patrulhas fronteiriças ecoa uma sensação de autenticidade assombrosa, que claramente provém de um conhecimento de causa no que diz respeito a ambas as realidades. Nunca comprometendo o realismo da película, Fukanaga adorna <strong><em><strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt1127715/" target="_blank">Sem Nome</a> </em><span style="font-style: normal; font-weight: normal;">com imagens <strong><em><strong><span style="font-style: normal;"><span style="font-weight: normal;">captadas (pelo brasileiro </span><a href="http://www.imdb.com/name/nm1136263/" target="_blank"><span style="font-weight: normal;">Adriano Goldman</span></a><span style="font-weight: normal;">)</span></span></strong></em></strong> ora maravilhosamente, durante as sequências da viagem, tirando o máximo proveito da deslumbrante paisagem mexicana, ora de forma absolutamente irascível, no retrato dos rituais dos </span><span style="font-weight: normal;">gangs</span><span style="font-style: normal; font-weight: normal;">. Depois, arranca interpretações de grande qualidade de um elenco composto praticamente na sua totalidade por jovens actores com ou sem experiência alguma. Flores, como o torturado e perseguido Casper, é fantástico, injectando-lhe humanidade e altruísmo, enquanto que Gaitan (já com uma carreira interessante, com participações em, por exemplo, </span><a href="http://www.imdb.com/title/tt0387914/" target="_blank">Innocent Voices</a><span style="font-style: normal; font-weight: normal;"> e </span><a href="http://www.imdb.com/title/tt0399095/" target="_blank">Trade</a><span style="font-style: normal; font-weight: normal;">) complementa-o, exprimindo na perfeição tudo o que ele não consegue. </span></strong></em></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em><span style="font-style: normal; font-weight: normal;">Negro, violento, mas fascinamente não-</span></em></strong><strong><em><span style="font-style: normal; font-weight: normal;">isento de esperança, <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt1127715/" target="_blank">Sem Nome</a> </em><span style="font-weight: normal;">recusa sempre oferecer-nos o que queremos. Fá-lo porque o que queremos, ao ver este filme, não é o mesmo que o que acontece no dia-a-dia. Oferecer-nos o que queremos seria uma traição. Tal como seria explorar a relação entre Casper e Sayra, que funciona como a força motriz do filme. <strong><em><strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt1127715/" target="_blank">Sem Nome</a> </em><span style="font-style: normal; font-weight: normal;">tem violência, tem sexo, tem tudo o que qualquer outro filme desesperado por explorar o que faz de nós criaturas profundamente imperfeitas tem. Mas Casper nunca toca em Sayra, mesmo quando é o que esta parece querer mais que tudo. Ao não o fazer, ele, por intermédio de Fukanaga, diz-nos que não, que nem tudo é corruptível e devasso. E que a esperança é sempre algo legítimo e digno de se ter. Mesmo quando para a alcançar se precise de percorrer milhas de desespero e tormento.</span></strong></em></strong></span></strong></span></em></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em><span style="font-style: normal; font-weight: normal;"><strong><span style="font-weight: normal;"><strong><em><strong><span style="font-style: normal; font-weight: normal;">______________________________________________________________________________________</span></strong></em></strong></span></strong></span></em></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>NOTA:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><img src="http://i685.photobucket.com/albums/vv211/fjribeiro/4-2.gif" border="0" alt="4 estrelas" width="131" height="29" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>O MELHOR:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;">A forma como deambula entre um realismo brutal e violento e uma introspecção sensível e humanista. A fotografia, as interpretações e o argumento cuidado e bem-escrito de Fukanaga.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>O PIOR:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;">A narrativa por vezes não consegue evitar alguns lugares-comuns.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>A FRASE:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;">&#8220;<em>A vidente disse-me, com voz de medo, «vais chegar aos Estados Unidos, não nas mãos de Deus&#8230; mas nas do Diabo.»</em><em> </em>&#8221; &#8211; Sayra</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;">______________________________________________________________________________________</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><strong>NOS CINEMAS DESDE 24 DE JUNHO DE 2010</strong></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="590" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.dailymotion.com/swf/video/xdpw6n?background=%23171D1B&amp;foreground=%23F7FFFD&amp;highlight=%23FFC300&amp;autoPlay=0&amp;hideInfos=0&amp;width=560&amp;additionalInfos=0&amp;colors=background%3A171D1B%3Bforeground%3AF7FFFD%3Bspecial%3AFFC300%3B" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="590" height="350" src="http://www.dailymotion.com/swf/video/xdpw6n?background=%23171D1B&amp;foreground=%23F7FFFD&amp;highlight=%23FFC300&amp;autoPlay=0&amp;hideInfos=0&amp;width=560&amp;additionalInfos=0&amp;colors=background%3A171D1B%3Bforeground%3AF7FFFD%3Bspecial%3AFFC300%3B" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>Crítica: «Juventude em Revolta» &#8211; A revolta de Michael Cera!</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Jun 2010 12:51:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diogo Alçada Tavares</dc:creator>
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Adaptado do romance Youth in Revolt: The Journals of Nick Twisp, de C. D. Payne, Juventude em Revolta (2009) é um invulgar ‘boy meets girl’ que vai além de uma simples comédia ou romance de adolescentes. O factor Michael  Cera e o momento por qual o actor passa, são razões suficientes para se pensar que este é um filme descomplicado, leve, e fácil de ver. No entanto, e apesar de realmente ser agradável, Juventude em Revolta tem muito mais que se lhe diga.
Somos apresentados ao protagonista de forma caricata, ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14318" title="youth-in-revolt" src="http://www.ante-cinema.com/wp-content/uploads/2010/06/youth-in-revolt.jpg" alt="" width="585" height="214" /></p>
<p style="text-align: justify;">Adaptado do romance <span style="color: #800000;"><em><strong>Youth in Revolt: The Journals of Nick Twisp</strong></em></span>, de <span style="color: #800000;">C. D. Payne</span>, <a href="http://www.imdb.com/title/tt0403702/" target="_blank"><em><strong>Juventude em Revolta (2009)</strong></em></a> é um invulgar <em>‘boy meets girl’ </em>que vai além de uma simples comédia ou romance de adolescentes. O factor <a href="http://www.imdb.com/name/nm0148418/" target="_blank">Michael  Cera</a> e o momento por qual o actor passa, são razões suficientes para se pensar que este é um filme descomplicado, leve, e fácil de ver. No entanto, e apesar de realmente ser agradável, <em><strong><a href="http://www.imdb.com/title/tt0403702/" target="_blank"><em><strong>Juventude em Revolta</strong></em></a></strong></em> tem muito mais que se lhe diga.</p>
<p style="text-align: justify;">Somos apresentados ao protagonista de forma caricata, definindo de imediato que estamos perante um adolescente no pico hormonal. Nick Twisp (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0148418/" target="_blank">Michael Cera</a>), de nome estranho, é o típico miúdo rotulado de <em>‘nerd’</em> ou<em> ‘geek’</em>, sobredotado para os seus 16 anos e socialmente excluído. Nick gosta de Sinatra, Fellini, Godard e Belmondo. Interessa-se por literatura, arte, é um apreciador do cinema da <em>Nouvelle Vague</em> francesa, e vive fascinado com ícones de rebeldia, como <a href="http://www.imdb.com/name/nm0226926/" target="_blank">John Dillinger</a> e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000015/" target="_blank">James Dean</a>. Mas este é o seu pequeno e restrito mundo privado. Sonha em partilhá-lo com uma alma gémea, escondendo-o das pessoas mais próximas: a mãe (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0005443/" target="_blank">Jean Smart</a>) promíscua e divorciada, o pai (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0000114/" target="_blank">Steve Buscemi</a>) distante e em crise de meia-idade, e partilhando-o apenas com o seu melhor amigo Lefty (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0461712/" target="_blank">Erik Knudsen</a>), um miúdo obcecado com a curvatura para a esquerda do seu pénis. Quando o namorado da sua mãe, Jerry (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0302108/" target="_blank">Zach Galifianakis</a>), intruja um grupo de marinheiros, Nick vê-se obrigado a partir com Jerry e a sua mãe Estelle para fora da cidade durante uns tempos, sob ameaça de os marinheiros voltarem para prestar contas. O destino é um pequeno lago, onde Jerry possui uma roulotte velha e enferrujada. O que parecia ser uma escapadela de terror, torna-se o melhor momento na vida de Nick, quando este conhece Sheeni Saunders (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0234668/" target="_blank">Portia Doubleday</a>), uma adolescente igualmente inteligente, e com interesses em comum. É precisamente a partir desta premissa que o filme se torna deveras interessante.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i685.photobucket.com/albums/vv211/fjribeiro/youth-in-revolt-2009.jpg" border="0" alt="Youth in Revolt" /></p>
<p style="text-align: justify;">A obra centra-se na sua totalidade em <a href="http://www.imdb.com/name/nm0148418/" target="_blank">Michael Cera</a>, sendo possivelmente a interpretação mais bem conseguida do actor. Porquê? Não fosse o trailer, e provavelmente estaria a ser protagonista de um <em>‘spoiler’</em>, quando vos revelo que a personagem que Cera interpreta, tem um antagonista. François Dillinger é o alter-ego que Nick Twisp cria para poder superar os seus medos e limitações, e explodir com anos e anos de supressão e rebaixamento. O resultado é, no mínimo, genial. O estereótipo que Cera interpreta com Twisp, é de alguma forma aquilo que associamos à realidade do actor. Todos nós vemos Cera como o adolescente introvertido, que sonha em ser, por exemplo, <a href="http://www.imdb.com/name/nm0479471/" target="_blank">Shia LaBeouf</a>. No entanto, até agora, o que víamos era <a href="http://www.imdb.com/name/nm0148418/" target="_blank">Michael Cera</a> precisamente a reforçar essa identidade que lhe está rotulada, assim como o actor <a href="http://www.imdb.com/name/nm0251986/" target="_blank">Jesse Eisenberg</a> o faz. Estes dois quase se confundem. Com a criação de François Dillinger, interpretada também por Cera, o actor mostra-nos uma faceta completamente inesperada e absolutamente desconhecida pelo público. Dillinger é um <em>‘spit on your face’</em>. Uma mistura da rebeldia que Twisp deseja ter, com o gosto pelas personagens livres da <em>Nouvelle Vague</em> e do cinema de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0712947/" target="_blank">Nicholas Ray</a> (a influência de <a href="http://www.imdb.com/title/tt0048545/" target="_blank"><em><strong>Rebel Without a Cause</strong></em></a> é óbvia), associado também à paixão que Sheeni nutre pela cultura francesa. Até poderíamos dizer que isto é um certo <a href="http://www.imdb.com/name/nm0148418/" target="_blank">Michael Cera</a> a mostrar a fibra de que é feito. É absolutamente incrível ver Cera contracenar Twisp com Dillinger, de forma tão distinta e perfeita.</p>
<p style="text-align: justify;">A partir daqui, os problemas intensificam-se pois Twisp tem de lidar com um adversário de peso. Trent (<a href="http://www.imdb.com/name/nm2822739/" target="_blank">Jonathan Bradford Wright</a>), é uma espécie de namorado perfeito, que batalha de forma igualmente obcecada pelo coração de Sheeni. O derradeiro desafio à personagem de Cera começa, e pela primeira vez podemos notar, que estamos perante um filme que não é para adolescentes, mas sim sobre a adolescência. Os seus problemas menos graves do que aquilo que parecem, a tendência para exageros, e o sofrimento e crença no amor eterno e perfeito, são algumas das matérias que de forma disfarçada com o ritmo do filme, podemos encontrar. O mais interessante é podermos identificar-nos com todas essas características da adolescência, bastando para isso termos algum dia passado por eles e, sobretudo, termos atingido um nível de observação e maturidade que nos permita olhar para trás e rirmos de nós mesmos.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i685.photobucket.com/albums/vv211/fjribeiro/youth-in-revolt-movie.jpg" border="0" alt="Youth in Revolt" /></p>
<p style="text-align: justify;">O filme entra num turbilhão de acontecimentos, onde muitas vezes está presente o <em>‘nonsense’</em> tal como o estranho convívio que Twisp tem com o seu vizinho (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0929609/" target="_blank">Fred Willard</a>), que cisma em ajudar imigrantes ilegais, ou os sinistros encontros com o irmão de Sheeni (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0519043/" target="_blank">Justin Long</a>), um viciado em drogas alucinogénicas com especial prazer em drogar as pessoas sem estas saberem. É o culminar da loucura e obsessão pela perda da virgindade, traduzida no <em>‘split’ </em>de personalidade de Twisp. O mundo passa a ser um local surrealista, cheio de situações improváveis mas nem por isso impossíveis. É a derradeira prova de que uma revolta, seja ela a revolta da <em>Nouvelle Vague</em> ou a revolta da juventude, proporciona mudanças radicais capazes de instaurar uma nova forma de olhar para cada indivíduo, escrever novos rumos na história do cinema, ou até ajudar a mudar a sociedade. No caso de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0148418/" target="_blank">Michael Cera</a>, ajudou a mudar a forma como no futuro podemos vir a ver o seu trabalho e a sua pessoa.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.imdb.com/name/nm0037708/" target="_blank">Miguel Arteta</a>, conhecido pelo seu trabalho em séries de culto como <a href="http://www.imdb.com/title/tt0248654/" target="_blank"><em><strong>Sete Palmos de Terra (2001-2005)</strong></em></a>, não fascina pela realização, e <span style="color: #800000;">Gustin Nash</span> sofre por apenas dar profundidade às personagens de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0148418/" target="_blank">Michael Cera</a>. Portanto, e apesar de o filme ser sobre a revolução e outros temas interessantes, peca por ser demasiado subjectivo quanto a estes assuntos. Para qualquer espectador, este filme pode passar simplesmente como um<em> ‘teen movie’ indie</em> e estranho, ao invés do que parece ser pelo trailer: um filme ao estilo das comédias de Judd Apatow, para as massas bem mais atraente do que o resultado final que é <em><strong><a href="http://www.imdb.com/title/tt0403702/" target="_blank"><em><strong>Juventude em Revolta</strong></em></a></strong></em>. Fica aqui a excelente homenagem às personagens irreverentes dos filmes de Nicholas Ray ou ao cinema da <em>Nouvelle Vague</em>, e um filme divertido, inteligente, que retrata o sonho de uma América em se tornar <em>&#8216;larger than life&#8217;</em> como os personagens de ficção, mas que facilmente se perderá na memória por &#8216;parecer&#8217; demasiado inocente.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;">______________________________________________________________________________________</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>NOTA:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i685.photobucket.com/albums/vv211/fjribeiro/rating_5star_35.gif" border="0" alt="Photobucket" width="138" height="31" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>O MELHOR:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;">Obviamente <a href="http://www.imdb.com/name/nm0148418/" target="_blank">Michael Cera</a>, mais concretamente o seu alter-ego François Dillinger.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>O PIOR:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;">Pouca profundidade dos personagens que rodeiam Cera. Ser um filme publicitado como uma comédia a roçar o<em> ‘blockbuster’</em>, pode atrai o factor desilusão ao espectador que não estiver preparado para um filme<em> &#8216;indie&#8217;</em>.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>A FRASE:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><em>‘I Want To Tickle Your Belly Button&#8230; From The Inside.’ </em>– François Dillinger.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;">______________________________________________________________________________________</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><strong>NOS  CINEMAS DESDE   20 DE MAIO DE 2010</strong></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="590" height="365" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/378su0f7bks&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="590" height="365" src="http://www.youtube.com/v/378su0f7bks&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>Crítica: «Príncipe da Pérsia» &#8211; O Príncipe das Adaptações</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Jun 2010 18:08:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diogo Alçada Tavares</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo]]></category>
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		<description><![CDATA[
Deve ser unânime para qualquer geração que tenha vivido minimamente a década de 80, a experiência de jogar alguns dos mais míticos videojogos alguma vez feitos, e recordarmo-nos deles como se de algo mágico e intemporal se tratasse. A verdade é que hoje em dia os videojogos já são um dado adquirido, e a nossa mentalidade como consumidores evoluiu a níveis em que os criadores deste produto tenham de elevar a sua criatividade a limites inimagináveis para uma década como a de 80. É precisamente no fim nessa década que ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14187" title="prince-of-persia-the-sands-of-time" src="http://www.ante-cinema.com/wp-content/uploads/2010/06/prince-of-persia-the-sands-of-time.jpg" alt="" width="585" height="214" /></p>
<p style="text-align: justify;">Deve ser unânime para qualquer geração que tenha vivido minimamente a década de 80, a experiência de jogar alguns dos mais míticos videojogos alguma vez feitos, e recordarmo-nos deles como se de algo mágico e intemporal se tratasse. A verdade é que hoje em dia os videojogos já são um dado adquirido, e a nossa mentalidade como consumidores evoluiu a níveis em que os criadores deste produto tenham de elevar a sua criatividade a limites inimagináveis para uma década como a de 80. É precisamente no fim nessa década que surge o tal <span style="color: #800000;"><em><strong>Prince of Persia</strong></em></span>, um dos jogos que mais me marcou enquanto criança. A simples história de um príncipe que ultrapassa uma série de obstáculos para salvar a princesa por quem se apaixonou, obviamente nada comparado com aquele lançado em 2003 intitulado <span style="color: #800000;"><em><strong>Prince of Persia: The Sands of Time </strong></em></span>em que se baseia o novo filme de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001565/" target="_blank">Mike  Newell</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">A história começa na antiga Pérsia, quando um pequeno vagabundo é adoptado pelo Rei Sharaman (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0681975/" target="_blank">Ronald Pickup</a>) e criado como se tivesse sangue real, exactamente da mesma forma que os seus filhos legítimos, Garsiv (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1527905/" target="_blank">Toby Kebbell</a>) e Tus (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0185404/" target="_blank">Richard Coyle</a>). Alguns anos mais tarde, o Príncipe Dustan (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0350453/" target="_blank">Jake  Gyllenhaal</a>) tornou-se um excelente guerreiro, e juntamente com o exército persa são enganados quanto a existirem armas de destruição maciça na cidade santa de Alamut, guardada pela Princesa Tamina. Quando Dustan encontra um invulgar punhal que possui areia no seu interior, e descobre que com ele pode voltar atrás no tempo, é falsamente acusado da morte do Rei Sharaman, iniciando-se assim uma perseguição sem tréguas para que seja capturado.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i685.photobucket.com/albums/vv211/fjribeiro/prince-of-persia-the-sands-of-ti-2.jpg" border="0" alt="Prince of Persia: The Sands of Time" /></p>
<p style="text-align: justify;">Este é o mote para um filme que não prima por nenhuma excepcionalidade a nível de argumento, mas que satisfaz com tranquilidade alguma daquela sede de entretenimento que se costuma ter por alturas de início de Verão. Não sendo perfeito em nenhuma das categorias que o caracteriza, o mais recente filme de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001565/" target="_blank">Mike   Newell</a> também não é tão mau como algumas expectativas vinham a adivinhar, ou não se tratasse de um filme produzido por <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000988/" target="_blank">Jerry   Bruckheimer</a>, um dos grandes gurus do <em>blockbuster</em> contemporâneo. No entanto Bruckheimer não teve com <em><strong><a href="http://www.imdb.com/title/tt0473075/" target="_blank"><em><strong>Príncipe da Pérsia: As  Areias do Tempo</strong></em></a></strong></em>, nem de perto nem de longe, o sucesso comercial e crítico que teve <a href="http://www.imdb.com/title/tt0325980/" target="_blank"><em><strong>Piratas das Caraíbas: A Maldição do Pérola Negra (2003)</strong></em></a>, o seu ganso dos ovos de ouro que juntamente com as sequelas lhe viria a render quase 3 biliões de dólares. Convenhamos, <a href="http://www.imdb.com/name/nm0350453/" target="_blank">Jake   Gyllenhaal</a> não tem a classe de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000136/" target="_blank">Johnny Depp</a>, e não parece ter nascido para o papel de Dustan. Para ser sincero, pertencia aquele grupo de pessoas que foi assistindo ao trailer, e cada vez mais frequentemente se perguntava porque raio tinham escolhido Gyllenhaal para um filme desta estirpe. Será um preparo para o <em>reboot</em> do novo <a href="http://www.imdb.com/title/tt0948470/" target="_blank"><em><strong>Spider-Man</strong></em></a>? É que o cabelo comprido de Dustan destoa com distinção do <a href="http://www.imdb.com/name/nm0350453/" target="_blank">Jake   Gyllenhaal</a> que todos nos habituamos a ver. No entanto, tenho de admitir que Gyllenhaal acabou por safar-se. Não deslumbra, mas surpreende por momentos de alguma descontracção que conseguimos captar no actor nos mais variados momentos, levando a bom porto o físico que intensamente trabalhou e as técnicas de <em>‘Parkour’</em> que adquiriu, mas também aliando às suas capacidades de interpretação que obviamente as tem, tendo já provado isso por variadíssimas vezes.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma agradável surpresa é <a href="http://www.imdb.com/name/nm2605345/" target="_blank">Gemma   Artenton</a>, que depois do terrível <a href="http://www.imdb.com/title/tt0800320/" target="_blank"><em><strong>Confronto de Titãs (2010)</strong></em></a>, consegue chamar a atenção não só pela sua beleza incontestável, mas também por uma interpretação suave, com intermitências entre o humor e a aventura balanceadas de forma exímia. <a href="http://www.imdb.com/name/nm1527905/" target="_blank">Toby Kebbell</a> (Garsiv), que vimos em <a href="http://www.imdb.com/title/tt1032755/" target="_blank"><em><strong>RocknRolla (2008)</strong></em></a>, tem qualquer coisa de<em> ‘cool’</em> nas suas interpretações, e esta não foge à regra. Um bom elenco composto também por <span style="color: #800000;">Sir</span> <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001426/" target="_blank">Ben  Kingsley</a> (Nazim), que apesar de tudo aquilo que caracteriza o actor, não nos traz nada que já não tenhamos visto. É preciso falar no excelente <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000547/" target="_blank">Alfred  Molina</a> (Sheik Amar) e no seu companheiro Steve Toussaint, o infalível Seso?</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i685.photobucket.com/albums/vv211/fjribeiro/princeofpersia.jpg" border="0" alt="Photobucket" /></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.imdb.com/name/nm0001565/" target="_blank">Mike   Newell</a> começa aos poucos a introduzir-se numa categoria, que nunca pensei poder vir a ser-lhe atribuída. Com <em><strong><a href="http://www.imdb.com/title/tt0109831/" target="_blank">Quatro  Casamentos e um Funeral</a></strong><a href="http://www.imdb.com/title/tt0109831/" target="_blank"><strong> (1993)</strong></a></em>, <a href="http://www.imdb.com/title/tt0119008/" target="_blank"><em><strong>Donnie Brasco (1997)</strong></em></a> e muitos outros trabalhos, não era de prever o seu envolvimento em filmes comerciais, <em>blockbusters</em> de orçamentos avultados como <a href="http://www.imdb.com/title/tt0330373/" target="_blank"><em><strong>Harry Potter e o Cálice de Fogo (2005)</strong></em></a>, finalizando com esta aventura pela antiga Pérsia. Apesar de ter deixado passar meia dúzia de efeitos especiais de qualidade duvidosa, Newell parece controlar bem esta vertente do cinema de orçamento inchado, conseguindo proporcionar o essencial: entretenimento. O argumento está bem escrito, acessível, não permitindo que o espectador perca o fio à meada com pormenores desnecessários, uma vez que está claro que não há pretensiosismos de fazer deste filme uma grande obra cinematográfica. Tudo quanto baste.</p>
<p style="text-align: justify;">Não estamos perante a revolução das adaptações de videojogos para o grande ecrã, mas podemos muito bem estar perante a transição mais bem sucedida. Se pensarmos bem, a tarefa até que nem é difícil. Veja-se a miséria de <a href="http://www.imdb.com/title/tt0467197/" target="_blank"><em><strong>Max Payne (2008)</strong></em></a>, <a href="http://www.imdb.com/title/tt0111301/" target="_blank"><em><strong>Street Fighter (1994)</strong></em></a>, <a href="http://www.imdb.com/title/tt0120804/" target="_blank"><em><strong>Resident Evil (2002)</strong></em></a>,<em><strong> <a href="http://www.imdb.com/title/tt0108255/" target="_blank">Super Mario Bros. (1993)</a></strong></em>, <a href="http://www.imdb.com/title/tt0384537/" target="_blank"><em><strong>Silent Hill (2006)</strong></em></a>, etc. Contudo, o fácil pode-se tornar difícil a partir do momento que tanta gente tentou e nunca conseguiu sair-se bem nestas adaptações. Posso de minha justiça dizer, que a não ser que façam uma espectacular transição para cinema de <span style="color: #800000;"><em><strong>Metal Gear Solid</strong></em></span>, <a href="http://www.imdb.com/title/tt0473075/" target="_blank"><em><strong>Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo</strong></em></a> é provavelmente das adaptações mais agradáveis que já nos ofereceram.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;">______________________________________________________________________________________</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>NOTA:<br />
</strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i685.photobucket.com/albums/vv211/fjribeiro/3-1.gif" border="0" alt="3 estrelas" width="138" height="31" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>O MELHOR:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;">A sensação ‘light’ do filme, sem pretensiosismos nem grandezas que facilmente poderiam arruinar o filme. Argumento bem construído, e interpretações sólidas. Ser provavelmente a adaptação mais bem conseguida.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>O PIOR:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;">Efeitos especiais em animação 3-D retiram a sobriedade dos ambientes dos filmes de época. Soam a falso.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>A FRASE:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><em>‘A great man who would have stopped what was wrong, no matter who was ordering’</em> – King Sharaman</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;">______________________________________________________________________________________</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><strong>NOS  CINEMAS DESDE  27 DE MAIO DE 2010</strong></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="590" height="365" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/sdk2YT2OCGc&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="590" height="365" src="http://www.youtube.com/v/sdk2YT2OCGc&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>Crítica: «Um Funeral à Chuva» – Um hino à amizade!</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Jun 2010 20:45:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Gomes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Gomes]]></category>
		<category><![CDATA[Telmo Martins]]></category>
		<category><![CDATA[trailer]]></category>
		<category><![CDATA[Um Funeral à Chuva]]></category>

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Dia 26 de Maio foi dia de antestreia de uma produção nacional conhecida por algumas peculiaridades, a maior das quais por se tratar de um filme que apesar de apoiado por alguns privados, não teve qualquer apoio do Estado. A sua estreia nos cinemas aconteceu a 3 de Junho, em 20 salas de todo o território nacional, e como o Ante-Cinema já noticiou anteriormente, Um Funeral à Chuva, de Telmo Martins, foi filmado quase integralmente na Covilhã. Foi a primeira longa-metragem do realizador, que com 31 anos, decidiu propor-se a ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14153" title="funeral_a_chuva_filme" src="http://www.ante-cinema.com/wp-content/uploads/2010/06/funeral_a_chuva_filme.png" alt="" width="585" height="233" /></p>
<p style="text-align: justify;">Dia 26 de Maio foi dia de antestreia de uma produção nacional conhecida por algumas peculiaridades, a maior das quais por se tratar de um filme que apesar de apoiado por alguns privados, não teve qualquer apoio do Estado. A sua estreia nos cinemas aconteceu a 3 de Junho, em 20 salas de todo o território nacional, e como o Ante-Cinema já <a href="http://www.ante-cinema.com/2010/02/%C2%ABum-funeral-a-chuva%C2%BB-%E2%80%93-uma-producao-nacional-inedita/" target="_blank">noticiou anteriormente</a>, <span style="color: #800000;"><em><strong>Um Funeral à Chuva</strong></em></span>, de <span style="color: #800000;">Telmo Martins</span>, foi filmado quase integralmente na Covilhã. Foi a primeira longa-metragem do realizador, que com 31 anos, decidiu propor-se a este desafio após um passado de curtas-metragens e participações em festivais de cinema, onde alcançou o Prémio Jovem Realizador no Ovarvideo. Outro dos seus grandes sucessos foi <span style="color: #800000;"><em><strong>Rupofobia</strong></em></span>, que marcou o início de vários prémios nacionais e internacionais.</p>
<p style="text-align: justify;">Com vontade e investimento dos seus pares, entre os quais se inclui a <em>Lobby Productions</em>, o filme avançou graças a uma vontade indomável e muita paixão à arte. Acredito que o primeiro objectivo do filme seja a recuperação do investimento realizado, nem que seja por uma questão de incentivo ao realizador em aventurar-se em novos projectos igualmente ambiciosos. Portanto, espera-se que <span style="color: #800000;"><em><strong>Um Funeral à Chuva</strong></em></span> não marque o final de uma etapa, mas que contrarie o seu nome e seja o início de coisas muito especiais.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i685.photobucket.com/albums/vv211/fjribeiro/funeral_a_chuva2.png" border="0" alt="Um Funeral &amp;agrave; Chuva" /></p>
<p style="text-align: justify;">O filme conta com um elenco mais conhecido de séries televisivas do que propriamente dos grandes ecrãs, como são os casos de <span style="color: #800000;">Alexandre da Silva</span>, <span style="color: #800000;">Hugo Tavares</span>, <span style="color: #800000;">Pedro Diogo</span>, <span style="color: #800000;">Pedro Górgia</span>, João Ventura, <span style="color: #800000;">Luís Dias</span>, <span style="color: #800000;">Sandra Santos</span> e <span style="color: #800000;">Sílvia Almeida</span>. A história consiste num grupo de amigos, que dez anos depois se reencontram na cidade onde tinham estudado, devido à morte de um amigo que todos tinham em comum na universidade. Visto que o último desejo do falecido era o reencontro do grupo, todos partem numa viagem que leva ao auto conhecimento sobre tudo o que a vida tem para oferecer tanto de bom e de mau, bem como o tempo pode afectar as relações de amizade criadas. Outro dos aspectos que o filme faz questão de salientar é a dificuldade na transição da vida de estudante para a vida profissional e as mudanças que acarreta, nomeadamente em assumir imensas responsabilidades que não existiam e que pouco a pouco podem mudar a nossa maneira de ser.</p>
<p style="text-align: justify;">Relativamente aos personagens, Zé (<span style="color: #800000;">Hugo Tavares</span>) apresenta-se como um professor universitário. Marco (<span style="color: #800000;">Alexandre da Silva</span>), um reputado e aventureiro cronista de viagens. Rui (<span style="color: #800000;">Pedro Górgia</span>) é empregado num clube de vídeo e tem uma relação com Vasco (<span style="color: #800000;">Pedro Diogo</span>). André (<span style="color: #800000;">Luís Dias</span>) sonha em viver da música e a sua irmã Susana (<span style="color: #800000;">Sílvia Almeida</span>) estabeleceu-se como uma engenheira bem sucedida. Diana (<span style="color: #800000;">Sandra Santos</span>) tornou-se um dos rostos da televisão nacional. Em comum, têm o facto de terem partilhado a mesma experiência académica e os 10 anos de separação que prevalecem desde o momento em que saíram da Covilhã. No dia em que João (<span style="color: #800000;">João Ventura</span>), amigo comum de todos, falece, todos respondem ao ultimo desejo do seu amigo, sendo que o reencontro trará ao cimo memórias antigas. Quanto aos personagens, apesar de ser visível as mudanças que todos sofrem no espaço de 10 anos, seria interessante ter visto quais os acontecimentos que os alteraram radicalmente, pois da perspectiva em que os pudemos visualizar, considero que a sua apresentação ficou “rígida”, e num filme que vive muito da essência humana, essa componente da evolução individual deveria ter sido mais explícita a nível visual como forma de “marcar” os espectadores.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i685.photobucket.com/albums/vv211/fjribeiro/funeral_a_chuva.png" border="0" alt="Um Funeral &amp;agrave; Chuva" /></p>
<p style="text-align: justify;">O filme tem uma grande dose de divertimento, que alivia o clima sombrio que um funeral normalmente representa. Nesse aspecto, a sua temática de drama não deixa o espectador desesperado. A produção de <span style="color: #800000;">Telmo Martins</span> é boa para quem pretende rever a típica vida universitária, para quem dá importância a valores como amizade, convívio e lealdade, e para quem simplesmente pretende visionar uma bela paisagem do nosso País como é a Covilhã e o seu ambiente pacato, ambientalmente refrescante e academicamente desafiante.</p>
<p style="text-align: justify;">É um filme comercial? Não. Trata-se de uma temática que não puxa muito pelos espectadores que procuram determinadas características num filme num grande ecrã. É um filme artístico? Quase. Digamos que <span style="color: #800000;"><em><strong>Um Funeral à Chuva</strong></em></span> tem a base do que deve ser o cinema: muita paixão, muito amor à arte, muita energia, incidindo em conceitos muito simples e muito humanos, daí considerar que o filme não é “comercial” devido ao seu carácter mais humano. No entanto, falta direccionar melhor essa energia de modo a ser possível o alcance a feitos ainda maiores. Ainda assim, esta amostra de <span style="color: #800000;">Telmo Martins</span> abre as portas e aguça o apetite para visionar atentamente os seus futuros trabalhos.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;">______________________________________________________________________________________</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>NOTA:<br />
</strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i685.photobucket.com/albums/vv211/fjribeiro/3-1.gif" border="0" alt="3 estrelas" width="138" height="31" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>O MELHOR:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;">O argumento. Muito bem trabalhado e bem encadeado ao longo do filme. A mensagem de companheirismo e amizade bem evidente. Excelentes períodos de animação ao longo do filme e grandes sequências visuais da belíssima cidade de Covilhã que proporcionaram bons momentos e a divulgação da excelência do nosso património.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>O PIOR:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;">A rigidez dos personagens não permite uma evolução flexível que possibilite o acompanhamento do argumento de qualidade. O exagero na representação de consumo de vícios como forma de socialização. É um pormenor que não deslustra as relações de amizade bem visíveis, mas refiro-o pois considero que um filme que não pretende ser comercial, não pode cair no erro de estereotipar o “típico universitário” apenas como um consumidor de vícios. Representar um universitário apenas nessa vertente é apresentá-lo de uma forma muito “comercial”.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>A FRASE: </strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><em>“O que o João diria? Nada!”</em>, por Marco (<span style="color: #800000;">Alexandre da Silva</span>)</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;">______________________________________________________________________________________</span></p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="590" height="337" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=11168154&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=00ADEF&amp;fullscreen=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="590" height="337" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=11168154&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=00ADEF&amp;fullscreen=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>«O Segredo dos Seus Olhos» &#8211; Da Argentina para o Mundo</title>
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		<pubDate>Sun, 30 May 2010 14:40:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Ponte</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Ponte]]></category>
		<category><![CDATA[O Segredo dos Seus Olhos]]></category>
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Quando O Segredo dos Seus Olhos conquistou o Óscar para Melhor Filme Estrangeiro, em Março deste ano, muita gente torceu o nariz em reprovação e/ou desconfiança pela escolha da Academia. Eu, admito, fui um deles. Não apenas como ‘adivinhador’ dos vencedores, como todos somos um pouco, mas acima de tudo como forte defensor de O Laço Branco que era e sou. A surpresa foi, portanto, compreensível, apesar de ter alertado, na minha antevisão desta categoria, para a possibilidade da Academia ir contra as expectativas. A verdade é que O Segredo dos Seus ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14037" title="elsecretodesusojos001" src="http://www.ante-cinema.com/wp-content/uploads/2010/05/elsecretodesusojos001.jpg" alt="" width="585" height="233" /></p>
<p style="text-align: justify;">Quando <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt1305806/" target="_blank"><em><strong>O Segredo dos Seus Olhos</strong></em></a></em></strong> conquistou o <em>Óscar</em> para Melhor Filme Estrangeiro, em Março deste ano, muita gente torceu o nariz em reprovação e/ou desconfiança pela escolha da Academia. Eu, admito, fui um deles. Não apenas como ‘adivinhador’ dos vencedores, como todos somos um pouco, mas acima de tudo como forte defensor de <strong><em><strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt1149362/" target="_blank">O Laço Branco</a> </em></strong></em></strong>que era e sou. A surpresa foi, portanto, compreensível, apesar de ter <a href="http://www.ante-cinema.com/2010/02/oscares-2010-melhor-filme-estrangeiro/" target="_blank">alertado</a>, na minha antevisão desta categoria, para a possibilidade da Academia ir contra as expectativas. A verdade é que <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt1305806/" target="_blank"><em><strong>O Segredo dos Seus Olhos</strong></em></a></em></strong><strong><em> </em></strong>venceu mesmo e deixou a dúvida no ar, em todos aqueles que não haviam visto o filme, se havia ‘merecido’ ou não. Dois meses e pouco depois estreia finalmente em Portugal e essa dúvida pode ser tirada: a resposta é sim.</p>
<p style="text-align: justify;">É sim por várias razões, mas a principal é o facto de ser um filme capaz de transmitir mil e uma coisas, de colocar na mesma tela, na mesma cena até, o melhor e o pior do que significa ser humano. Examinando e desconstruindo os conceitos de justiça e vingança, no seu significado mais lato <em>versus</em> a sua verdadeira natureza, o filme centra-se na figura de Benjamin Esposito (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0201857/" target="_blank">Ricardo Darín</a>), um federal de justiça de Buenos Aires reformado, ainda assombrado por um caso por resolver, ocorrido 25 anos antes, em 1974. Ao decidir escrever um romance baseado nesse caso (em que uma jovem de 23 anos havia sido brutalmente violada e assassinada), Esposito depara-se com a necessidade de tentar resolver o caso uma última vez, ao mesmo tempo que redescobre o seu amor por uma mulher (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0897845/" target="_blank">Soledad Villamil</a>) a quem nunca revelou os seus verdadeiros sentimentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Construído como <em>thriller</em>-crime convencional, contado através de <em>flashbacks</em>, <a href="http://www.imdb.com/title/tt1305806/" target="_blank"><strong><em>O Segredo dos Seus Olhos</em></strong></a><strong><em> </em></strong>é, efectivamente, um mistério cuja força propulsora se concentra no puzzle que se vai formando e na necessidade de descobrir o que, e como aconteceu. Mas essa é apenas a primeira de várias camadas de um filme complexo e exigente; debaixo dela escondem-se muitas mais. Como nos grandes filmes da era <em>noir</em> do cinema americano, o crime funciona como o elemento mais visível, escondendo-se atrás dele uma belíssima, mas subtil história de amor, um estudo sobre a memória, um olhar sobre a sociedade Argentina dos anos 70, sobre a justiça, a corrupção e a vingança.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i685.photobucket.com/albums/vv211/fjribeiro/elsecretodesusojos10800.png" border="0" alt="Photobucket" /></p>
<p style="text-align: justify;">É, no fundo, a sua dedicação ao estudo da condição humana que faz de <a href="http://www.imdb.com/title/tt1305806/" target="_blank"><strong><em>O Segredo dos Seus Olhos</em></strong></a><strong><em> </em></strong>um filme poderosíssimo e capaz de encapsular temas com os quais qualquer pessoa consegue facilmente identificar-se, independentemente da sua origem geográfica ou social. Enquanto que <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt1149362/" target="_blank">O Laço Branco</a></em></strong> e <a href="http://www.imdb.com/title/tt1235166/" target="_blank"><strong><em>Um Profeta</em></strong></a><strong><em> </em></strong>se concentravam em temas e lugares muito específicos, recorrendo também a técnicas muito próprias, o filme de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0002728/">Juan José Campanella</a> dedica-se essencialmente à análise do homem pelo que ele é, do que faz da humanidade a humanidade: amor, paixão, ódio, inveja, fraqueza, luxúria, amizade, arrependimento, maldade, etc. É tudo isto e muito mais que nos define, quer recuemos ou avancemos no tempo, ou viajemos a qualquer ponto do planeta.</p>
<p style="text-align: justify;">As personagens, e a forma como são interpretadas, ajudam igualmente a reforçar esse sentimento de empatia e identificação. Ao longo do filme não há um único momento em que pareçam nada menos que reais, o que provém tanto dos diálogos naturais de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0002728/">Campanella</a> como das sólidas interpretações do elenco. Darín, interpretando o que são no fundo duas personagens diferentes &#8211; o Esposito jovem e optimista, que sorri frequentemente e manda piropos a qualquer mulher bonita, e o de 25 anos depois, desgastado, solitário e permanentemente invadido pelo sentimento de uma vida perdida &#8211; é fantástico, conseguindo fazer essa separação na perfeição. Villamil complementa-o, fazendo da sua personagem uma mulher forte, independente, dividida entre as suas obrigações e desejos. Destaque também para a fenomenal interpretação de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0706567/">Pablo Rago</a>, como o marido da vítima, que nos mantém em constante dúvida sobre a sua natureza, e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0289856/">Guillermo Francella</a>, como Sandoval, colega e melhor amigo de Esposito, responsável por grande parte do humor com que <a href="http://www.imdb.com/name/nm0002728/">Campanella</a> vai regando a película.</p>
<p style="text-align: justify;">Complementando o elenco está o trabalho de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0002728/">Campanella</a> por detrás da câmara que, nunca sendo exagerado, consegue manter o filme a um ritmo quase sempre perfeito, com opções estéticas que fazem dele visualmente atractivo, mas obtendo sempre um raro equilíbrio entre o que vemos e o que ouvimos, já que <strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt1305806/" target="_blank">O Segredo dos Seus Olhos</a> </em><span style="font-weight: normal;">é em muitos sentidos um filme de diálogo. Quando as palavras não têm destaque, a belíssima e clássica fotografia de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0599983/">Félix Monti</a> assume-o, com imagens saturadas, ora estáticas ora dinâmicas, por vezes flutuantes, bem como a música de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0989434/">Federico Jusid</a> e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0441985/">Emilio Kauderer</a>, que reforça o ambiente a que <a href="http://www.imdb.com/name/nm0002728/">Campanella</a> aspira criar.</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i685.photobucket.com/albums/vv211/fjribeiro/elsecretodesusojos2.jpg" border="0" alt="Photobucket" /></p>
<p style="text-align: justify;">Na sequência central do filme, uma cena de perseguição ininterrupta de sete minutos, Esposito e Sandoval, após descobrirem que o autor do crime (cuja identidade é revelada na primeira meia hora) é um apaixonado adepto de futebol e do <em>Racing Club de Avellaneda</em>, localizam-no (de forma pouco provável, diga-se) num estádio Argentino no meio de 60.000 pessoas, seguindo-se uma perseguição a pé que se inicia nas bancadas, continua no interior do estádio, passando por uma casa de banho e acabando no relvado. Campanella e Monti fazem desta cena o ponto alto do filme ao filmá-la de forma rápida, estilística e feroz, como se de um filme de acção se tratasse, iniciando-a com um plano aéreo do estádio e descendo, claramente com assistência <em>CGI</em>, até ao público<em>, </em>furando por entre este até encontrar Esposito e Sandoval. É uma cena magistralmente pensada e executada, que se contrapõe ao tom literário e romântico de grande parte do filme e que por essa mesma razão o eleva.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt1305806/" target="_blank">O Segredo dos Seus Olhos</a> </em><span style="font-weight: normal;">tornar-se-á, acredito, um clássico do cinema, no futuro. Ilude em apresentar-se como mais um típico <em>thriller </em>baseado num romance, pois a forma como incorpora elementos de drama, <em>noir </em>e suspense distinguem-no como uma obra única que consegue ir buscar inspiração a <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000033/" target="_blank">Hitchcock</a> e ao cinema americano em geral e mesmo assim manter-se distintamente sul-americano, conseguindo no entretanto agradar a Hollywood. O seu único defeito será o recurso frequente ao melodrama, que nunca ofusca o quão brilhantemente construído é, nem tão-pouco a sua extrema dedicação e atenção a detalhes, que o tornam natural e ao mesmo tempo imprevisível, qualidades insubstituíveis em qualquer <em>thriller</em>. Indiscutivelmente um dos melhores filmes de 2010, até ao momento e provavelmente depois do ano terminar.</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;">______________________________________________________________________________________</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>NOTA:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i685.photobucket.com/albums/vv211/fjribeiro/rating_5star_45.jpg" border="0" alt="Photobucket" width="137" height="32" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>O MELHOR:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="font-weight: normal;">Praticamente tudo. A forma como incorpora vários géneros, as interpretações, os diálogos, a fotografia, a música, o <em>twist </em>final.</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>O PIOR:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="font-weight: normal;">O recurso ao melodrama e o facto da vertente romântica não ser tão satisfatória como as restantes.</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>A FRASE:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="font-weight: normal;">&#8220;<em>Um tipo pode mudar tudo. A sua cara, a sua casa, a sua família, a sua namorada, a sua religião, o seu Deus. Mas há uma coisa que não pode mudar. Não pode mudar a sua paixão.</em>&#8221; &#8211; Pablo Sandoval</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;">______________________________________________________________________________________</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><strong>NOS  CINEMAS DESDE 20 DE MAIO DE 2010</strong></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="590" height="365" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/rZvBQ8l2EoY&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="590" height="365" src="http://www.youtube.com/v/rZvBQ8l2EoY&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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