Crítica: «Madagáscar 3» – Os animais da selva mais imparáveis do que nunca

Há muito que a DreamWorks se tornou um marco incontornável no cinema de animação: uma forma descomprometida de dar vida aos desenhos, com animações tecnicamente irrepreensíveis e uma descontracção revelada em cada argumento que foge às histórias tradicionais. Uma fórmula que tem o seu culminar num objectivo claro: atingir um público mais vasto. Madagáscar 3 não é excepção neste aspecto e fá-lo de uma forma bastante eficaz. A acção retorna num filme maioritariamente direccionado aos mais novos, mas não exclusivamente. O argumento cativante, o humor versátil e a inclusão de novos elementos tornam-no tão atractivo para miúdos como para graúdos.
Desta vez, o percurso é inverso ao do primeiro filme. Se em Madagáscar a ideia era fugir do zoo e viver a liberdade da selva que conseguiram e mantiveram durante o segundo filme, em Madagáscar 3, a nostalgia bate e o jardim zoológico de Nova Iorque é o destino mais querido pelos animais. A premissa não é inovadora, o grupo continua a sua incessante viagem em busca do lar perfeito. Um factor menos favorável que a equipa constituída por Eric Darnell, Tom McGrath e Conrad Vernon soube ultrapassar satisfatoriamente com a inclusão de um novo ambiente: as personagens integram um circo itinerante quando fogem de Dubois, uma caçadora furtiva de animais selvagens que os persegue com um aspecto temível de um verdadeiro predador.
A partir daqui, e após cerca de 15 minutos iniciais de um argumento que navega à deriva, o filme segue um rumo e uma realidade em tudo distinta dos filmes anteriores. Novas personagens, novo ambiente, mais atrevimento. É como se houvesse duas histórias: o antes e o depois do circo. As personagens secundárias – tigres, ursos, leões-marinhos, cães amestrados, variedade não falta – revelam-se um ponto a favor e revitalizam uma história que provavelmente, sem eles, já não teria pernas para andar. Não será exagero dizer que os momentos mais divertidos encontram-se mesmo em situações como o romance improvável entre o lémure e uma ursa ou nos episódios pseudo-emocionais do leão-marinho Stefano, conferindo a estas personagens um papel preponderante apesar de secundário.
Isto aliado a uma boa dose de acção e comédia. E Madagáscar 3 é meticuloso nesse ponto. Ao contrário do segundo filme, mais demorado e com um argumento fraco, aqui as pausas são inexistentes e a acção multiplica-se, muitas vezes em diversos pontos do ecrã simultaneamente. Uma acção imparável que culmina no espectáculo apresentado pelo circo exclusivamente constituído pelos animais (muito humanizados desta vez!), uma verdadeira explosão psicadélica na qual as fluorescências imperam e a dispersão de cores é uma constante. Em paralelo, a forma subtil com que é colocada uma ou outra piada de humor mais negro, só perceptível aos mais velhos, alterna inteligentemente com o humor fácil e banal para gáudio dos pequenos.
Falando de aspectos técnicos, este é o primeiro filme da saga a ser produzido em 3D e, diga-se, é um dos poucos filmes em que a tecnologia se torna, de facto, uma opção de valor acrescentado. O uso inteligente das três dimensões num filme direccionado maioritariamente para os mais novos deixa escapar que, pelo menos no que toca à animação, é possível fazer 3D que valha a pena e que gere interesse ao público-alvo do produto. Neste caso, poucas serão as crianças que não se maravilhem com os muitos objectos virtualmente projectados para a plateia. Com isso, e com o ritmo de “I like to move it” no fim do filme, como não podia deixar de ser.

sinceramente nao achei piada nenhuma a este filme,os outros foram muito mais giros.nao tem sentido nenhum a historia