Crítica: «Ted» – O ursinho de peluche para maiores de 16 anos

O estilo de Seth MacFarlane é facilmente reconhecível em todos os seus trabalhos. Conhecido pelas séries de animação Family Guy, American Dad! e The Cleveland Show, que criou e onde empresta a voz a algumas personagens, MacFarlane tem feito sucesso e tem crescido dentro do meio graças ao tipo de humor que emprega e com que fortemente assina todas as suas produções. Ted, o primeiro filme que realizou, é mais um exemplo da voz marcante do comediante, pelo que só poderá agradar a quem é fã das suas criações televisivas.
Satirizar a sociedade americana, e os valores com que esta se rege, é sempre uma constante nos seus trabalhos, e desta vez MacFarlane propõe-se fazê-lo recorrendo à figura do urso de peluche. Um brinquedo ganhar vida, por desejo de uma criança, não é propriamente a mais original das histórias – a irreverência da premissa reside noutros elementos: Ted cresce, torna-se numa celebridade problemática, briga, droga-se e faz sexo. Ted não é o inocente brinquedo a que uma criança se apega, com candura, e é isso que faz a diferença, a forma como se contraria a nossa percepção das coisas, ao vermos a infantil figura do protagonista fazer exactamente o contrário de tudo aquilo que estaríamos à espera vindo de um urso de peluche. Apesar de não ser o convencional parceiro de uma ingénua criança, Ted, à sua maneira, impede o dono de crescer, sendo à volta desta relação, entre Ted e John e a namorada deste, Lori, que o filme se desenrola.
As gargalhadas que o filme proporciona são, sem qualquer dúvida, a sua maior vitória. Se a forma como a trama se vai desenvolvendo é, por vezes, marcada por alguma previsibilidade e desnecessários elementos de uma autêntica comédia romântica, a verdade é que é fácil esquecermo-nos destes erros quando nos é igualmente fácil rir com o filme. O bom humor abunda, ao melhor estilo de Seth MacFarlane – corrosivo, cáustico, arrojado, nonsense e porco, por vezes (no bom sentido).
Não há limites e é isso que faz de Ted uma experiência divertidíssima, que nos deixa na memória cenas hilariantes como o são a épica festa com a presença de Flash Gordon e o double date a que Ted leva a sua namorada cheia de classe.
Contudo, para quem é seguidor do percurso de Seth MacFarlane, apesar de o filme estar longe de ser uma desilusão, é impossível não achar que se poderia ter feito mais com o potencial que a história mostra: mais piadas, mais escárnio, mais sátira.
Ainda assim, o filme consegue arriscar e quando, na parte final, fica um pouco mais sério, não transmite a sensação de que se está a assistir a um filme diferente. Isto porque, ao longo de toda a película, é exposta uma dualidade que resulta formidavelmente: a faceta cómica, que não liga a convencionalismos e sensibilidades delicadas; e a faceta sentimental, que explora a relação entre Ted e John, capaz de facilmente conquistar o público. O elenco contribui todo com performances competentes, mas só uma se destaca: a voz de Seth MacFarlane (que, sim, é muito semelhante à de Peter Griffin!).
Ted é, por isto, uma comédia bem-sucedida, que agradará aos fãs do género e, particularmente, aos fãs do humor de MacFarlane. Sendo esta a sua primeira aventura para o grande ecrã, não desilude, ainda que seja notório que os lugares-comuns que rouba a algumas comédias românticas o deprecie, fazendo diminuir a quantidade de gargalhadas que consegue roubar.
Em todo o caso, só pela inusitada revelação de como é que o Taylor Lautner conseguiu um six pack, já valeria a pena!
