Entrevista: Fernando Fragata, realizador de «Contraluz»

Contraluz, o mais recente filme de Fernando Fragata, estreia esta semana nos cinemas portugueses. Depois de Pesadelo Cor de Rosa (1998), Pulsação Zero (2002) e Sorte Nula (2004), Fernando Fragata aposta agora num género diferente e traz pela segunda vez na sua carreira um filme falado totalmente em inglês. Com a principal particularidade de Contraluz ter sido rodado nos Estados Unidos da América, o filme pretende agarrar os espectadores pelas excelentes paisagens dos estados do Nevada e Arizona.
Estivemos à conversa com o realizador português, numa entrevista que se processou por email, onde para além de nos ter falado sobre a rodagem, contou-nos ainda alguns pormenores sobre o que é Contraluz e como tem sido a sua carreia ao longo dos últimos anos.
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ANTE-CINEMA (AC): Antes de mais, e porque os trailers já divulgados acabam por não revelar muito da história do filme, quer-nos falar um pouco sobre o que trata Contraluz?
FERNANDO FRAGATA (FF): O filme é sobre varias personagens que se encontram em situações de extremo desespero. Cada uma delas por um motivo diferente. E quando tudo parece ter chegado ao limite, algo de inesperado acontece que vai mudar radicalmente o rumo das suas vidas. No entanto, caberá a cada uma delas moldar o seu destino de modo a reencontrar a felicidade. Mas atenção, é que há destinos que só se alcançam depois de alterar o dos outros, e aí é que está o grande twist da vida.
AC: Considera Contraluz o seu primeiro filme de ficção-cientifica? Ou entende que este filme pode ser uma mistura de vários géneros cinematográficos?
FF: Existe muita especulação sobre o filme espelhada pela net. Muito do que vejo escrito pouco tem a ver com o filme. Quando se fala em Ficção-Cientifica a primeira ideia é de que se trata de um filme com naves espaciais, extra-terrestes ou que retrata o fim do mundo, mas o filme não tem nada a ver com isso. Admito no entanto que existem elementos de ficção cientifica no filme, mas mais ao estilo de Twilight Zone.
AC: Por falar em ficção-cientifica, o filme de Christopher Nolan, A Origem, estreia no mesmo dia que Contraluz. Isto preocupa-o? Por outras palavras, acha que A Origem poderá retirar espectadores ao seu filme?
FF: Todos os outros filmes Americanos me preocupam. Principalmente porque lhes é dado todas as salas e as maiores, deixando para o Contraluz poucas e pequenas, portanto, mesmo que houvesse mais portugueses a quererem ver o Contraluz do que A Origem, o Contraluz nunca poderia chegar sequer a ter metade do sucesso porque simplesmente não existem salas para o ir ver.

AC: Há pouco tempo atrás estreou nos cinemas Um Funeral à Chuva, um filme português sem qualquer tipo de apoio financeiro. Apesar de não ser o caso de Contraluz, qual diria que foi o caso mais complicado de ultrapassar para ser possível a realização deste filme?
FF: O mais complicado para se fazer um filme é arranjar o financiamento e a seguir é arranjar o financiamento, e depois é arranjar o financiamento. Tudo o resto é canja!
AC: Quanto tempo demorou fazer este filme? Desde a ideia até estar terminado…
FF: Se incluirmos o tempo desde a escrita do argumento e preparação, foram no total 3 anos de empenhados e intrincados trabalhos. Uma produção desta envergadura requer uma boa preparação de modo a nos precavermos de todas as possíveis adversidades que possam assolar o projecto.
AC: E como se sente ao ser o primeiro realizador português a filmar em Hollywood? Contraluz teve sempre o propósito de ser filmado nos E.U.A.?
FF: Não me sinto nada de especial. Não interessa muito onde o filme foi rodado, o que realmente interessa é que o filme tenha sucesso. Já o Pulsação Zero e o Sorte Nula foram inicialmente escritos a pensar que os iria filmar nos EUA. Tal não aconteceu. Quis o destino que fosse à terceira.
AC: Contraluz tem como pano de fundo paisagens dos estados de Nevada e Arizona. Porquê filmar nestes estados? Já conhecia esses sítios ou foi algo que só decidiu após a pesquisa para a realização do filme?
FF: Já conhecia bem os desertos norte-americanos e sempre foram uma fonte de inspiração para mim. O argumento original do Sorte Nula tinha como cenário principal um ferro-velho no meio do deserto do Arizona nos EUA. Mas quis o destino antes que eu o filmasse num descampado do Seixal.
AC: Quanto ao elenco, este é uma mistura de actores portugueses e americanos. Existe alguma personagem neste filme que tenha sido pensada de propósito para determinado actor? Ou resumiu-se apenas a um processo de selecção para cada personagem?
FF: Nunca escrevo um argumento com determinado actor em mente. Sei que é sempre difícil ter os actores que se imagina, ou porque não há dinheiro para isso, ou porque não estão disponíveis. Portanto, prefiro pensar no elenco somente quando é dada a luz verde para a rodagem.

AC: Já comparou o seu filme com a série americana Twilight Zone. Foi esta a sua grande influência para a realização de Contraluz ou existem outros realizadores que o marcaram até chegar a este resultado final?
FF: Eu não “comparei”, eu apenas mencionei que o Contraluz tem alguns elementos ao estilo de Twilight Zone. É verdade que sempre fui um fã da série original de Rod Serling. Certamente que existem muitos realizadores e argumentistas que me influenciaram, mas não consigo apontar nenhum em particular.
AC: Após ter realizado em 1998 Pesadelo Cor de Rosa, a sua primeira longa-metragem, já realizou até ao momento mais 3 filmes. O que mudou no trabalho do Fernando Fragata entre o Pesadelo Cor de Rosa até à actualidade?
FF: Sempre que acabo de fazer um filme apercebo-me de que não vale a pena o esforço, mas passados meses esqueço-me disso e começo a sonhar em fazer outro. Passados 3 filmes continuo na mesma. Portanto, acho que nada mudou.
AC: Quanto à promoção de Contraluz, não se vê no exterior nem nas próprias televisões muita divulgação ao filme. Sente que isto é algo global para o cinema português e de que forma tem combatido com esta falta de ajuda por vários meios que poderiam proporcionar uma boa divulgação?
FF: A SIC tem dado bastante apoio e também houve alguma abertura de alguns programas nos outros canais. Mas é claro que nunca é suficiente nem é possível igualar as campanhas de promoção dos filmes americanos que têm grandes orçamentos para o efeito.
AC: Há hipóteses do filme ser distribuído por outros países, incluindo os E.U.A.? Acha que o facto de Contraluz ser falado em inglês pode ajudar neste processo de distribuição?
FF: Pode ajudar mas não é uma formula garantida. No entanto existem já em curso negociações para a distribuição internacional do Contraluz.
AC: Deixamos-lhe aqui um espaço para se dirigir a todos os nossos leitores. Qual é a mensagem que lhes quer deixar?
FF: Preciso de emprego. Habilitações: Sei mexer em câmaras.
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«CONTRALUZ» ESTREIA A 22 DE JULHO
SITE OFICIAL: FILMECONTRALUZ.COM
Lol, preciso de emprego; sei mexer em câmaras.
Boa entrevista!
Espero sinceramente que o Contraluz seja um bom filme (como parece ser).
Ricardo,
O Fragata acabou a entrevista em beleza, de facto!
Fico contente em saber que gostaste. Por aqui também esperamos que seja um bom filme, parece ter tudo para o ser.
Muitos parabéns para o Fernando Fragata!…
È a primeira vez que “me dou ao trabalho” de fazer um comentário ao que quer que seja nestes meios informáticos do mundo moderno em que vivemos!…
Vou ser sintética e objectiva.
O filme é EXCELENTE, de nível *****, recomendo-o vivamente e por todas as razões:
A(s) história(s), a fotografia, a cor, os ângulos/perspectivas que Fernando Fragata selecciona, a música, a sensibilidade e profundidade da abordagem, a tentativa de ir mais além nesta procura incessante sobre o mistério da Vida e do Viver…
Ao longo do filme, foi-se construindo e no final ficou em mim, uma sensação de plenitude, de preenchimento, de fascínio, de Beleza, que só as verdadeiras obras de arte possuem e transmitem…
SENTI-ME ORGULHOSA DE SER PORTUGUESA, tal como o realizador e alguns actores, cuja interpretação esteve ao nível.
Concordo também com a opção de ser em Inglês, neste mundo dominado pela Globalização e pela iei dos “mais fortes”…
A presença do humor e da ironia adoptados, fazem ainda deste filme algo A NÃO PERDER!!
Obrigada, Fernando Fragata, associando-me a todos que no nosso País assim pensam.
amigo fernando nunca vi nenhum filme realizado por si mas já vi a sua foto a sua imagem a sua quimica o seu jeito pro cinema e de fazer filmes que alertam o povo em geral pois bem eu á muito tempo que queria fazer o filme duma vida real uma historia que começa em 1915
tem o periodo de maior acção nos anos 60 durante o estado novo vai ao centro da europa em 1968(frança) 1969 na alemanha no campo de refugiados tem periodo 4 meses como refugiado na suecia e depois viaja para os estados unidos como refugiado politico durante a guerra do vietkoog 1970 e alistado no U.S army está o periodo no U.S.A e volta a portugal durante o 25 abril e começa uma nova vida do zero amigo estas são a bases da historia que tem outros permenores pelo meio que gostaria de lhe falar e contar pessoalmento para ter uma ideia real desta historia sei que procura algo diferente para fazer o filme pode ter chegado o momento do sonho americano obg. contacto 936335791
Contraluz é fenomenal
“Apanhei” o filme sem querer e adorei; mas adormeci.
No dia seguinte deu de novo e, então sim vi-o todo (talvez a 5 minutos do início) É um filme que quero comprar.
Comentário final: Ao 2ºdia, quandi vi os créditos, fiquei espantadíssima de ver que era um filme portugês. Tenho preconceito, como muita gente…
Recomendo vivamente, não como um filme portugês que até é bom mas como UM FILME A NÃO PERDER (sem nacionalidade).