Especial «O Cavaleiro das Trevas Renasce»: As Bandas Sonoras da Trilogia

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Um dos aspectos mas importantes num filme com a escala e o scope dos três com que Christopher Nolan revolucionou o ‘comic book movie’ – a sua trilogia “Dark Knight” – é, sem dúvida, a música. Sequências avassaladoras, tensão crescente e momentos épicos definiram estes filmes e o seu impacto nunca teria sido o mesmo sem composições de grandeza condizente.

Nolan sempre deixou claro que esta trilogia era um quebrar com a tradição da personagem, profundamente enraizada na cultura Pop, uma nova visão, mais complexa, mais negra, mais humana de um herói complexo, negro e humano que, até 2005, tinha surgido em centenas de volumes de graphic novels, séries de televisão e, claro, filmes, bons, excelentes e terríveis. Se esquecermos, como todos tentamos, estes últimos, a última grande aparição de Batman no cinema tinha sido nos filmes de Tim Burton, mestre do gótico e bizarro, características longe de serem associadas a esta nova trilogia. E, se os filmes seriam diferentes, também a música o seria.

Esta mudança começou com Batman – O Início, com Nolan a trazer um duo titânico de compositores – Hans Zimmer e James Newton Howard – para criar, em formato colaborativo, algo único e diferente para este novo começo. A primeira grande inovação foi o facto de não haver nenhum tema tradicional do Herói que déssemos por nós a assobiar ou cantarolar, nenhuma composição específica e distinta que indicasse que Batman era um agente de justiça, como em Star Wars ou no Batman de 1989. Em vez disso, Zimmer e Newton Howard optaram por uma abordagem diferente e tornaram a música mais terra-à-terra e assombrosa, com uma mistura de sons electrónicos e orquestrais. Zimmer concentrou-se principalmente nas sequências de acção, enquanto que Newton Howard ocupou-se das porções mais dramáticas do filme. Quando ouvíamos música mais temática e grandiosa em cenas de acção, era o trabalho do primeiro. Se baladas calmas pintavam interacções entre personagens, era o segundo. Esta parceria fortaleceu um filme longe da perfeição, mas suficientemente bom para iniciar algo enorme, harmoniziando o mundo criado por Nolan, definido por uma Gotham mais real e menos fantasista.

Estava, assim, criado um novo estilo que se afastava das composições mais burlescas de Danny Elfman, conseguindo ser grandiosa nas cenas de acção (com a percursão quase militar característica de Zimmer – os tais “BOOONGS!” tão parodiados) e melodias simples e agradáveis nos momentos mais calmos. Esta colaboração continuaria em O Cavaleiro das Trevas, contendo muito material reciclado de Batman – O Início mas com uma banda sonora muito mais trabalhada e interessante. O grande salto neste segundo filme deveu-se, em grande parte, às personagens, e a banda sonora acompanhou essa evolução. Para além dos sons característicos de Batman (o bater de asas é o mais óbvio), os dois compositores desenvolveram temas específicos para as personagens de Joker e Harvey Dent; a música que acompanha o primeiro pode nem ser classificada como “música” (da mesma forma como a personagem pode nem ser classificada como “humana”), consistindo num sinal semelhante a uma sirene de apenas uma nota, agudo e estático, sempre crescente em frequência, representando, assim, a loucura. Já o segundo, em comparação, é acompanhado por uma música elegante e temática, passando uma mensagem de patriotismo e heroismo, no plano de Dent como “White Knight”, e fracturando-se posteriormente com a tragédia que sofre ao ceder à corrupção e insanidade.

Com a chegada do capítulo final da trilogia, dá-se uma nova mudança: Newton Howard abandona o projecto, deixando a banda sonora a cargo de Zimmer (Newton Howard tomara a decisão como consequência da aproximação de Nolan e Zimmer durante a sua colaboração em A origem). O que esperar, então, da música em O Cavaleiro das Trevas Renasce? Sendo uma composição de Zimmer e apenas Zimmer, podemos certamente contar com a mesma fusão de electrónica e orquestra na qual o alemão é mestre, sendo igualmente expectável que a música acompanhe a dimensão de um filme que, certamente, se alargará por se tratar, afinal de contas, de uma conclusão. Mas o que se espera, também, é algo que, como o próprio filme, explore e apresente as personalidades de um conjunto largo de personagens – novas e não só – que, mais que as explosões e as set-pieces, fizeram desta trilogia uma das mais memoráveis dos tempos modernos.

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