Exclusivo: Leiden International Short Film Experience – Um Festival low cost em tempos de crise

Na semana passada estivemos no Leiden International Short Film Experience (LIsFE), Festival que decorreu durante a tarde de Sábado durante a qual foram exibidas 99 curtas-metragens provenientes de mais de 30 países. À conversa com dois dos organizadores, Thibaut e Haris, desvendamos alguns dos segredos de como fazer um Festival de sucesso com muitos (ou quase nenhuns) recursos.
Leiden é uma cidade académica holandesa repleta de estudantes provenientes de todo o mundo e por isso mesmo um terreno rico para o desenvolvimento de intercâmbio cultural entre diferentes nacionalidades. Desde 2008 que o LisFE se tem realizado nesta cidade, tendo crescido a olhos vistos a cada edição. Na organização do festival trabalham 12 voluntários, estudantes de diferentes áreas do conhecimento, que mantêm em comum a paixão pelo cinema. O facto de serem uma equipa essencialmente composta por estrangeiros não ajuda no processo de obtenção de patrocinadores, mas mesmo com algumas dificuldades os organizadores asseguram: “é possível”. Um dos trunfos, garantem, é o facto de estarem a pedir muito pouco dinheiro para organizar um Festival com muita qualidade. “O Festival conta com uma mostra de curtas que fogem ao que as pessoas estão habituadas, e isso também alguma curiosidade sobre os próprios patrocinadores”. Os organizadores não definem um público alvo, “queremos que as pessoas de todas as faixas etárias façam parte dele”, e por isso tiveram o cuidado de organizar o programa tendo em consideração os mais novos: “Durante a tarde exibiremos os filmes mais “light” e com menos sangue”.
O Festival que começou por ser frequentado essencialmente por estudantes, é agora um dos pontos altos na agenda cultural da cidade: “uma mistura fantástica de crianças, jovens e cabelos grisalhos”. Apesar de ainda não ser um Festival de renome e pouco conhecido no mundo da indústria cinematográfica, os organizadores querem alargar as suas colaborações a instutos de renome na àrea de forma a criar um ambiente rico e de promoção aos realizadores.
“Recebemos mais de 1.000 filmes e foi muito difícil chegarmos a um consenso sobre quais exibir”. Mergulhado numa imensidão de temas desde cinema documental, drama, passando pela ficção científica e abrangendo o terror e o thriler, o Festival pretendeu mostrar curtas-metragens de estudantes ou amadores que de outra forma nunca seriam vistos por um público maior. O desafio aos realizadores foi lançado na internet, com a condição de que todos os filmes sejam falados ou legendados em inglês e que não tenham mais do que 3 anos. O espaço foi sem dúvida bem escolhido, uma antiga escola, onde estão actualmente cediados ateliers de vários artistas, e foi fantástico poder percorrer os corredores visitando ateliers de artistas que não hesitaram em trocar algumas palavras sobre o seu trabalho e sobre o estado da arte num mundo em crise. O melhor filme eleito pelo júri foi Bread, um filme turco que conduziu a plateia aos corredores de uma escola que mais não remeteu para o labirinto das emoções humanas, mostrando que “as grandes estórias também nos podem chegar das formas mais simples”. Eleitos pela audiência, o júri mais importante deste Festival, foi eleito como melhor filme A Casa das Horas e levou para casa o trofeu de melhor filme académico eleito pelo público o filme mexicano “Assemblé”.
Quando perguntamos aos organizadores o que irá acontecer aos filmes, eles lançaram o desafio: “E porque não serem exibidos em Portugal? Os filmes existem e só precisam de pessoas com força de vontade para os fazer chegar ao público.”


