Marketing Viral «Prometheus»: Mostrando o filme mostrando nada

“Sempre quis evoluir este tipo de marketing viral, que seria anúncios a falar de tudo menos o filme. Assim que tens gente a dizer “O que é isso?”, tens o trabalho feito” – Ridley Scott

Os trailers já não bastam, o hype tem de ser criado o mais cedo possível, e a Internet domina o mundo: estes são, basicamente, os três factos que determinam o porquê de termos hoje em dia marketing viral a promover filmes como Prometheus, The Dark Knight Rises ou 2, que foi pioneiro neste assunto. A ideia de publicitar tudo, menos o filme em si, acaba por ajudar não só à criação de hype mas também a cimentar o universo do filme em si.

Prometheus é, neste segundo aspecto, particularmente notável. Veja-se, por exemplo, O vídeo viral da TED Talk de Peter Weyland:

Aqui, Scott mostra-nos literalmente a personagem como não a vemos no filme, criando um impacto diferente quando esta nos aparece pela primeira vez num ecrã de cinema. Outro exemplo, é este, o vídeo que nos apresenta David, o andróide a quem Fassbender dá vida:

Aqui, este pedaço de marketing acaba por fazer com que nos liguemos mais rapidamente à personagem, que desta forma nos é apresentada… antes sequer de termos visto o filme.

Ou seja, o marketing viral de Prometheus tem mais como objectivo o de nos fazer entrar no universo aqui criado ainda antes sequer deste chegar às salas de cinema, nunca respondendo directamente à questão se este filme é, ou não, assim tão directamente uma prequela do Alien. E temos, claro, ainda este caso:

Este vídeo acaba por ganhar um significado radicalmente diferente após o visionamento do filme, mas os pequenos vislumbres da tecnologia sci-fi que aqui vão aparecendo ajudam a construir ainda mais o mundo tecnológico em que este decorre. Esta tecnologia sci-fi presente nos vídeos virais de Prometheus, tal como toda esta temática dos andróides que Scott nos apresenta desta forma (um pequeno piscar de olho a Blade Runner também), ajuda-nos a nós, espectadores, a perceber melhor certas temáticas do filme e a entrar mais no seu universo ainda antes de entrarmos na sala de cinema; efectivamente, quem prestar atenção ao marketing viral irá depois prestar mais atenção em relação a certos detalhes do filme em si. Algo irónico quando temos em conta que o trailer de Prometheus, o vídeo de marketing mais importante de qualquer filme, não o representa, de forma alguma.

Em termos de marketing viral, Scott deu realmente um passo à frente, ao não só criar imenso hype mas também ao de simultaneamente expandir um universo cinematográfico ainda em construção. Se em Cloverfield tínhamos apenas perguntas que nos iam aparecendo em sites e que nos faziam pensar “o que é isto?”, e se em The Dark Knight tínhamos apenas vislumbres do que aí vinha (quem não se lembra do poster I Believe in Harvey Dent, que pôs toda a gente a salivar?), aqui temos de facto uma exploração do mundo em que o filme decorre, e até mesmo das suas personagens, tudo de forma cuidadosa de forma a não deixar revelar nada demasiado óbvio; para todos os efeitos, a grande temática do filme nunca é abordada em nenhum dos vídeos.

Scott acabou, no entanto, ao falhar no trailer: após tanto tempo sem dar a entender sequer qual é a premissa do filme, o trailer deste acaba por transmitir do nada uma que nem é a verdadeira. Prometheus revelou-se bem-sucedido no marketing viral, mas falacioso no restante. Muitos filmes que giram à volta deste tipo de marketing não mostram sequer uma premissa; Scott decidiu criar uma, e não é a mais correcta. Grande parte dos filmes que giram à volta de marketing viral acabam por levar o público ao cinema sem que este saiba, sequer, a sua história base (caso de Cloverfield ou Super 8, por exemplo), e isto só mostra o poder de manipulação que este tipo de marketing possui. Quem diria que iríamos, hoje em dia, ao cinema ver filmes cuja história nos é totalmente desconhecida, baseando-nos apenas em hype?

Afinal de contas, é exactamente isto o que Scott, Nolan e companhia querem: levar-nos ao cinema não tanto pelo que o filme é, mas mais pela ideia que criámos nós próprios dele; seja ela a correcta ou não.

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