Mini Críticas Ridley Scott – «Cercados» e «O Corpo da Mentira»

CERCADOS (2001)
Black Hawk Down – Cercados é, como a maior parte dos filmes de Ridley Scott, uma experiência crua e dura, como um sufocante murro no estômago, que deixa o público de rastos, desgastado. De todos, Cercados é, talvez, o maior exemplo do poder deste realizador sobre o espectador.
O filme segue as agruras de uma equipa de elite militar, durante a guerra civil da Somália, que é encarregue de capturar uma série de figuras proeminentes do regime, numa operação cirúrgica que não deveria consumir muito tempo. São, contudo, obrigados a lutar pelas suas vidas, quando se vêem cercados por guerrilheiros, durante horas a fio.
Sem rodeios ou medos, Cercados mostra-nos o que é a guerra, num retrato que tem tanto de fiel como de doloroso. Do princípio ao fim, sem poupar a audiência a nenhum pormenor, Cercados mostra a realidade dos cenários de guerra: mostra a confusão, os tiros, o sangue, as mortes e o medo paralisante.
É um filme grandioso, sobre o poder, o que os homens estão capazes de fazer para o manter e acima de tudo, sobre as consequências desses actos. De entre essas consequências, a maior parte delas terríveis, está o companheirismo que nasce entre os membros de uma das facções da batalha. O sentimento de pertença a um grupo é poderosíssimo e, por vezes, quando se dele desfruta, não mais se o pode largar, de tal forma que, para alguns, a guerra e tudo de mau que lhe é inerente, passa a ser a única realidade que conhecem…
Se é verdade que o filme ganha pelo realismo, também o é que peca imenso por não conseguir criar empatia com a maior parte das personagens, que sofrem, em vários momentos, sem que o público se importe verdadeiramente com o seu destino.
Cercados é, certamente, um delírio para fãs de filmes de guerra, contudo não consegue satisfazer os mais sedentos pela complexidade da relação humana. Funciona graças à realização de Ridley Scott, que filma todas as cenas com a maestria que lhe é conhecida.

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O CORPO DA MENTIRA (2008)
Ridley Scott é grande atrás da câmara. Sabe contar uma história através de imagens, que frequentemente vislumbram quem assiste aos seus filmes. Sabe quando cortar, quando usar planos menos ortodoxos e sabe dirigir os seus actores. Contudo, se há algo que frequentemente falha nos filmes de Ridley Scott é energia às personagens. É difícil apegarmo-nos e, por vezes, Scott, ao não dar intensidade suficiente a alguns dos momentos-chave, contribui para essa frieza.
Mais uma vez, isso acontece em Body of Lies – O Corpo da Mentira. O filme centra-se na perseguição de um terrorista islâmico, responsável por uma série de atentados contra a democracia ocidental. É uma verdadeira “caça ao homem”, protagonizada pelos agentes da CIA Roger Ferris (Leonardo DiCaprio) e Ed Hoffman (Russell Crowe), duas personagens nada carismáticas, sem poder para liderar um mistério que até parecia promissor.
A intriga desenrola-se dentro da normalidade, ainda que recorrendo ao uso de vários clichés, que felizmente não estragam a totalidade da experiência. Os momentos de grande tensão, que resultam da proximidade dos agentes à sua “presa”, conseguem atingir ápices de qualidade acima da média, capazes de deixar o público em suspenso. Porém, frequentemente, ao longo do filme, esses mesmos momentos são abruptamente concluídos, acabando por “morrer” sem a intensidade e a emoção devidas.
É, acima de tudo, isso que falta: emoção. DiCaprio faz um bom trabalho, dentro dos possíveis, mas Russell Crowe (ao contrário do habitual) simplesmente não o consegue, pela pobreza à que a sua personagem é fadada pelo guião de William Monahan.
Se há algo que se aprende com este filme é que, na guerra contra o terrorismo, os métodos mais eficazes são os mais simples, os mais primitivos, os que envolvem confiança e honestidade, em detrimento de gadgets e artimanhas espectaculares. No cinema, também é assim. Um bom guião é, muitas vezes, a característica elementar, sendo que, na completa falta dele, pouco podem fazer os bons actores e realizadores.

O melhor do Black Hawk Down é mesmo a excelente banda sonora, e realmente o que foi dito não foge muito da razão.
É verdade, Ricardo… Hans Zimmer nunca falha!
Em relação ao “Black Hawk Down” concordo com a vossa critica , no caso do “Body Of Lies” já não concordo tanto .
assisti aos dois filmes. Tenho todos os filmes de ridley scott em dvd e não concordo que falcão negro em perigo e rede de mentiras sejam filmes ruins.