Mini Críticas Ridley Scott: «G.I. Jane» e «Gangster Americano»

G.I. JANE / ATÉ AO LIMITE (1997)
Começamos com um “Sim, este também é um filme de Ridley Scott”. E porque começar a crítica assim? Porque não estamos a falar de um sci-fi com os efeitos cinematográficos mais fantásticos que a história do cinema alguma vez teve para apresentar. Estamos a falar de um suposto drama sobre uma mulher que decide superar o preconceito para fazer carreira militar. Nada mais errado.
O que provavelmente torna este filme com características de Ridley Scott, é o facto de abordar um tema mais polémico de forma positiva e não de uma maneira que rebaixe o carácter do personagem que sofre o preconceito. Inclusive a escolha da actriz da personagem principal tem um simbolismo único. Demi Moore foi escolhida para protagonizar a Tenente Jordan O’Neil, um peão num jogo político para servir determinados interesses do poder em vigor durante uma campanha eleitoral. E qual o simbolismo em questão? Demi Moore, uma sex symbol da altura, foi eleita para representar o papel de uma mulher de armas, representada no filme sobre das mais violentas séries de treino militar alguma vez visionadas até então, cenas que nos faziam questionar se estávamos a ver um drama ou pura e bruta acção. Quem não se recorda de Demi Moore a rapar o seu cabelo ou a fazer flexões à militar? Este é o grande mérito de G.I. Jane, o de tornar um grupo discriminado numa força poderosa.
Qual a grande falha do filme? A sua grande força concentra-se tanto na personagem principal, que mais ninguém se evidencia para além de Viggo Mortensen como Oficial Sénior. Anne Bancroft como política perdeu muito do protagonismo, mesmo quando o seu papel tinha capacidade para ter mais protagonismo, uma vez que a acção centra-se em torno do jogo de bastidores. O uso de maquinaria pesada, muito fumo, muito nevoeiro, muita acção, são uma tentativa de Ridley Scott dar o seu toque pessoal. Mas convenhamos, os efeitos de Ridley assentam melhor num filme sci-fi.

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GANGSTER AMERICANO (2007)
Quando analisamos Gangster Americano não o podemos deixar de tentar associar a The Departed: Entre Inimigos, um dos êxitos mais recentes de Hollywood. No entanto, só os trailers podem sugerir essa associação, porque enquanto The Departed tem mais intensidade, Gangster Americano é frio e calculista, num drama que tem por detrás um número antigo do polícia bonzinho contra um mafioso com o qual o público sente alguma empatia.
É a história de dois homens que num mundo diferente até poderiam ser amigos, mas que nesta história estão em lados opostos da lei. Temos Frank Lucas (Denzel Washington), um lacaio leal ao grande chefe do Harlem, que assume o poder do negócio de drogas em Nova Iorque quando o seu chefe morre. Depois há o polícia de Jérsia Richie Roberts (Russell Crowe), um detective honesto e muito focado na luta contra o tráfico de droga num gabinete onde a corrupção entre polícias era o mais normal.
Estes dois personagens têm uma história pessoal e profissional curiosa, enquanto que o polícia luta para manter a lei e saber prevalecer a ética e a moral, a sua vida pessoal é um caos de mentiras e relações falhadas, enquanto que o líder dos mafiosos ganha a vida com acções ilegais. Ainda assim têm uma vida pessoal muito estável e regida pela humildade. A hipocrisia com que ambos vivem a sua vida é um aspecto paralelo à acção principal do filme muito interessante de acompanhar.
O realizador teve muitas dificuldades em compactar os anos de planeamento do gangster, daí a duração do filme. Mas assim que condensou toda essa acção, Gangster Americano encadeou na perfeição com as operações do dia a dia na perseguição de Roberts a Frank Lucas. Foi bom poder visionar alguma acção num filme metódico.
