Mini Críticas Ridley Scott – «Reino dos Céus»

É em 2005 que surge mais uma prova que Ridley Scott é mestre em retratar cenários épicos de batalha. Reino dos Céus centra-se na época das Cruzadas, desde a serenidade aparente entre a segunda e terceira cruzadas ao auge do combate entre religiões pela terra santa, Jerusalém.

As cenas mais impressionantes da longa-metragem do britânico são, definitivamente, as batalhas. A intensidade a que Scott já nos habituou funde-se com lutas quase que dançáveis, aspecto conferido pela excelente banda sonora e os belos planos de filmagem (semelhante ao método usado em películas como Gladiador). O cineasta sabe como ninguém focar-se em frames do rosto das personagens à medida que estas combatem. A câmara lenta faz com que o espectador se embrenhe ainda mais na expressão dos actores.

Visualmente enriquecedoras de todo o filme, estas são o ponto forte de Reino dos Céus, o ingrediente que concede verdadeiro dramatismo à trama. Dramatismo esse, que é extremamente necessário, já que é a lacuna do protagonista. Orlando Bloom interpreta Balian de Ibelin, um ferreiro que perde a sua família e, após encontrar o pai, Godfrey de Ibelin – papel bem desempenhado pelo irlandês Liam Neeson – ganha um novo sentido na vida: defender a cidade de Jerusalém e o seu povo.

Certo é que muitos comparam Gladiador a Reino dos Céus e encaram o segundo como uma tentativa falhada de superar o filme de 2000. Se isto é certo e sabido, inegável é ainda que as comparações entre Russell Crowe e Orlando Bloom sejam desnecessárias. Nunca Bloom poderia sequer ousar a transparecer o vigor que Crowe transmite como Maximus, mas poderia ter sido mais audaz. A inexpressividade do actor é um dos aspectos que mais desfavorece o filme.

Se não faz sentido prendermo-nos com a exactidão histórica da película, deve preocupar que Ridley Scott não tenha conseguido cativar pelos diálogos e profundidade do enredo. A personagem Sibylla ganha com o mistério concedido pela actriz Eva Green apesar do pouco tempo em que aparece e King Baldwin IV de Jerusalém, papel desempenhado por Edward Norton (apesar do seu rosto nunca ser revelado), é uma das personagens que mais atenções rouba dos cinéfilos.

1 Comentário

  1. tive conhecimento de que a versao de realizador é bastante superior, e nalguns blogs, entre a versao normal, e a versao de realizador, houve uma diferença gigantesca de 2 estrelas na classificaçao entre ambos… ja viu a versão de realizador?

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