Os 20 filmes obrigatórios para o primeiro trimestre de 2011
«Cisne Negro», o grande destaque do primeiro trimestre de 2011
Agora que 2010 está oficialmente terminado, as listas dos melhores e os balanços anuais feitos, há que olhar para 2011. Vivendo nós em Portugal (há que o aceitar de cabeça levantada), os primeiros três meses do ano trarão alguns dos melhores e mais aclamados títulos de 2010, que só agora chegarão às nossas salas, mas também outros sem tal dimensão e reconhecimento. Irremediavelmente marcado pelos Óscares, que terão lugar a 27 de Fevereiro, o grande destaque do primeiro trimestre do ano é, para o Ante-Cinema, Cisne Negro, seguido de títulos como TRON: O Legado, 127 Horas, The Fighter, O Discurso do Rei e Indomável.
Mas a nossa lista (excepcionalmente composta por 20 filmes, tal é a relação qualidade-quantidade destes próximos meses) não vive apenas de prémios e fama, daí que contemple, como sempre, filmes com maior tendência a passar debaixo do radar do cinéfilo comum, casos de A Minha Alegria, Biutiful, Um Ano Mais, Blue Valentine, Somewhere, Winter’s Bone, entre outros. Importante, como é hábito, referir que a lista se limita às estreias em sala conhecidas, estreias essas sempre sujeitas a alterações por parte das respectivas distribuidoras. Esperemos que tal não aconteça com nenhuma delas. Fiquem então com os 20 filmes obrigatórios para o primeiro trimestre de 2011:
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TRON: O LEGADO, de Joseph Kosinski
Nos últimos meses temos falado incessantemente de TRON: O Legado (e continuaremos – e de que maneira – a falar), por isso não é novidade nenhuma que é um dos filmes mais antecipados do ano neste espaço. Desde 17 de Dezembro nos cinemas americanos, o filme esteve previsto estrear em Portugal ainda em 2010, tendo integrado a lista anterior a esta, mas acabou por ser ‘empurrado’ para Janeiro. Desde então, surgiram críticas boas a más (encontra-se, de momento, com 49% no Rotten Tomatoes), o que não afecta em nada o destaque que lhe continuaremos a dar. Um filme que o Ante-Cinema se orgulha de apoiar.
Estreia em Portugal a 13 de Janeiro
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HEREAFTER – OUTRA VIDA, de Clint Eastwood
Desde a sua estreia no Festival de Toronto que Hereafter – Outra Vida se começou a perfilar como um dos títulos mais aguardados de 2011. Acabou por perder algum gás, em grande parte devido a essa presença em festivais no fim do ano e a um lançamento norte-americano limitado, mas continua a ser um filme realizado por Clint Eastwood e escrito por Peter Morgan (duas figuras ímpares durante os últimos anos), com o primeiro a tentar de alguma forma um regresso à grande forma, depois do algo desapontante Invictus.
Estreia em Portugal a 20 de Janeiro
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VAIS CONHECER O HOMEM DOS TEUS SONHOS, de Woody Allen
Mais um regresso de um ‘gigante’. Se Woody Allen tivesse um cêntimo por cada vez que consideram um novo filme seu uma desilusão, teria provavelmente muitos cêntimos. Os últimos filmes de Allen têm desiludido tanta gente precisamente por estas esperarem algo que este não mais voltará a fazer. O Woody Allen das décadas de 70 e 80 já lá vai e, infelizmente, não voltará. O que temos tido nos últimos anos (depois de Match Point) é uma série de filmes despreocupados e feitos para agradar a si e a mais ninguém. Foi assim com Tudo Pode Dar Certo e sê-lo-á, certamente, com Vais Conhecer o Homem dos Teus Sonhos.
Estreia em Portugal a 20 de Janeiro
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A MINHA ALEGRIA, de Sergei Loznitsa
A presença de A Minha Alegria nesta lista destaca-se como um incêndio num palheiro, mas é mesmo essa a intenção. A primeira obra ficcional do documentarista ucraniano Sergei Loznitsa tem sido presença assídua no circuito dos festivais, começando por Cannes mas com passagens também por Nova Iorque, Melbourne, Hamburgo, São Paulo e Dubai, e tem deixado um impressão muito forte por onde quer que tem passado. O filme vem rotulado como uma examinação brutal da Rússia contemporânea e do lado mais feio do ser-humano.
Estreia em Portugal a 21 de Janeiro
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BIUTIFUL, de Alejandro González Iñárritu
Nas previsões para os Óscares, há ainda quem considere que Javier Bardem continua a ser uma hipótese para uma nomeação pela sua interpretação em Biutiful. Vencedor do Prémio de Interpretação Masculina em Cannes e nomeado para um Globo de Ouro por Melhor Filme Estrangeiro, o quarto filme de Alejandro González Iñárritu é um regresso do mexicano à sua língua-mãe, depois de muitos anos nos E.U.A. Depois das ruas sujas do Distrito Federal do México, do sul dos E.U., do deserto marroquino e das discotecas do Japão, Iñarritu decidiu desta vez filmar na sedutora cidade de Barcelona e o resultado será sempre algo lindíssimo.
Estreia em Portugal a 27 de Janeiro
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UM ANO MAIS, de Mike Leigh
Outra presença de destaque no último Festival de Cannes, Um Ano Mais é um filme de Mike Leigh, o que quererá por defeito dizer que tem a capacidade de encontrar beleza e brilhantismo numa história à partida simples e nada extraordinária. Leigh tem dedicado uma vida e uma carreira precisamente a essa busca, examinando de perto as vidas e os problemas de pessoas comuns. Aqui será um ano na vida de um velho casal, isto apesar de surgir pelo meio uma Lesley Manville, como amiga do mesmo, alegadamente fabulosa.
Estreia em Portugal a 27 de Janeiro
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CISNE NEGRO, de Darren Aronofsky
Há pouco a dizer sobre Cisne Negro que ainda não tenha sido dito. Destaque nº 1 desta nossa lista, quer vejamo-lo como um thriller, drama familiar, terror, ensaio sobre a dubiedade humana ou um filme sobre ballet, pouco ou nada prepara seja quem for para a experiência visceral e intensa que é. Consagrará, para aqueles que ainda não o viram (e que fizeram bem em esperar), Natalie Portman como uma actriz dos pés à cabeça, capaz de nos fazer sentir mil e uma coisas, e Darren Aronofsky como o autor americano mais importante do século XXI.
Estreia em Portugal a 3 de Fevereiro
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BLUE VALENTINE, de Derek Cianfrance
Longa-metragem ficcional de estreia de Derek Cianfrance, Blue Valentine reúne dois dos jovens actores mais carismáticos e talentosos da actualidade (Ryan Gosling e Michelle Williams) e promete conseguir algo raro no que a romances de Hollywood diz respeito: um equilíbrio perfeito entre realismo (uma discreta cena de sexo quase manchou o filme com uma classificação NC-17) e romanticismo clássico, contando a história deste casal desde os primeiros dias cheios de juventude e paixão ao colapso de um casamento.
Estreia em Portugal a 3 de Fevereiro
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O DISCURSO DO REI, de Tom Hooper
O Discurso do Rei é daqueles filmes que à primeira vista não conseguimos evitar ver como puro ‘Oscar-bait‘ (história verídica inspirada em figura histórica, grandes actores, realizador aclamado), mas que nas mãos certas pode também ser muito mais devido a todo o seu potencial. Escrito por David Seidler, que escreveu um argumento de raiz inspirado na amizade do rei Jorge VI do Reino Unido com o seu terapeuta da fala, dará muito provavelmente a Colin Firth o seu primeiro Óscar, para muitos à sua espera desde Um Homem Singular.
Estreia em Portugal a 10 de Fevereiro
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THE FIGHTER, de David O. Russell
É outro filme a que o Ante-Cinema tem dado considerável destaque – e com boa razão. O buzz de The Fighter tem-se vindo a intensificar ao longo dos últimos meses, e culminará muito provavelmente nos Óscares, onde é bastante provável que conquiste algumas estatuetas. Esta curiosa incursão de David O. Russell no sub-sub-género dos biopics de pugilistas tirará certamente proveito da ‘queda’ da Academia por este tipo de filme, em especial em relação à interpretação de Christian Bale, que promete voltar a maravilhar.
Estreia em Portugal a 10 de Fevereiro
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GREEN HORNET, de Michel Gondry
A história de Green Hornet já era suficientemente mítica para figurar nesta lista. O programa de rádio de George W. Trendle sobre um super-herói no mínimo invulgar teve uma incursão no cinema em 1940 e, principalmente, na TV em 1966, com Bruce Lee como Kaito. Regressa agora com Michael Gondry e um argumento escrito por Seth Rogen e Evan Goldberg. E o resultado é imprevisível. Não há como prever a forma como Gondry, com a sua visão e idiossincrasias muito próprias, abordará a história de Britt Reid, mas não há ninguém que não queira descobrir.
Estreia em Portugal a 10 de Fevereiro
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INDOMÁVEL, de Joel e Ethan Coen
Já é mais que hábito ver os irmãos Coen em qualquer lista ou dos mais antecipados ou dos melhores. E 2011 não será excepção. Uma clara ‘love letter’ de Joel e Ethan ao velho Western e uma adaptação (mais que um remake) do clássico de 1969 com John Wayne, Indomável seguirá igualmente uma jovem dura e precoce de 14 anos (Hailee Steinfeld) que requisita a ajuda de um U.S. Marshal intoxicado (Jeff Bridges) e de um heróico Texas Ranger (Matt Damon) na procura do homem que matou o seu pai. Promete interpretações ferozes, imagens de tirar o fôlego e muitos cowboys.
Estreia em Portugal a 17 de Fevereiro
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SOMEWHERE, de Sofia Coppola
De certa forma um regresso às origens para Sofia Coppola, depois do subversivo e incompreendido Maria Antonieta, com Somewhere Sofia volta ao estilo que a pôs no mapa através de filmes como As Virgens Suicidas e Lost in Translation – O Amor É Um Lugar Estranho: simples, intimista e introspectivo. É também um filme imensamente pessoal para a autora, já que vai buscar muita inspiração à sua infância e experiências passadas com o seu pai em vários hotéis. Não ganhará prémios, nem maravilhará ninguém, mas é um regresso importantíssimo.
Estreia em Portugal a 17 de Fevereiro
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WINTER’S BONE, de Debra Granik
Exibido no Estoril Film Festival em Novembro, Winter’s Bone insere-se num tipo de cinema indie americano diferente; um cinema dedicado a retratar uma América diferente mas muito real, sem sonhos nem personagens coloridas, populada por pessoas reais para quem a subsistência diária é uma preocupação primordial. O nome de Kelly Reichardt surge quando pensamos neste tipo de cinema, mas agora também o de Debra Granik surgirá. Este é um dos melhores filmes de 2010 e não poderia merecer mais esta estreia nacional, nem que fosse apenas pela interpretação da força da natureza que é Jennifer Lawrence.
Estreia em Portugal a 17 de Fevereiro
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DON’T BE AFRAID OF THE DARK, de Troy Nixey
Remake do clássico de 1973, um TV film de culto que misturava elementos de creature movie e haunted mansion, Don’t Be Afraid of the Dark seria, em condições normais, apenas mais um remake e como tal não figuraria nesta lista, não fosse o envolvimento de Guillermo del Toro no projecto, não apenas como produtor (já que o homem produz tudo e mais alguma coisa) mas também como argumentista. O filme será realizado pelo estreante artista de BD Troy Nixey e terá a negligenciada e esquecida Katie Holmes como protagonista.
Estreia em Portugal a 17 de Fevereiro
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127 HORAS, de Danny Boyle
O tema do poder e carácter destrutivo da Natureza e da constante luta entre esta e o Homem já tinha surgido mais que uma vez ao longo da carreira de Danny Boyle, apesar de esta se manter quase inqualificável. Daí fazer sentido que seja este o escolhido a levar ao grande ecrã a heróica história de Aron Ralston, montanhista que em 2003 se viu obrigado a amputar o próprio braço, depois de preso no canyon Blue John, no Utah, durante dias. 127 Horas é a típica história de sobrevivência, que inspira tanto como choca, mas sempre com o toque distinto de Boyle tanto a nível visual como de tom. A interpretação de James Franco, um autêntico one-man-show, ficará para a prosperidade.
Estreia em Portugal a 24 de Fevereiro
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CARLOS, de Olivier Assayas
Os biopics sobre terroristas parecem estar na moda. Depois dos dípticos Che, de Steven Soderbergh, e Mesrine, de Jean-François Richet, sem esquecer o excelente The Baader Meinhof Complex, chega-nos agora Carlos, um retrato de Olivier Assayas sobre o revolucionário venezuelano Ilich Ramírez Sánchez, também conhecido como “Carlos o Cachal”. Concebido como uma mini-série de três partes exibida no Canal+ e posteriormente editado para o formato teatral, teve estreia em Cannes e tem figurado em imensas listas dos melhores de 2010.
Estreia em Portugal a 24 de Fevereiro
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NUNCA ME DEIXES, de Mark Romanek
Mark Romanek dificilmente poderia ter escolhido um filme mais exigente que Nunca Me Deixes para dar seguimento à sua carreira no cinema, depois do sub-valorizado Câmara Indiscreta. Romanek, que fez carreira a realizar videoclips, optou por esta adaptação do livro homónimo de Kazuo Ishiguro (adaptado por Alex Garland, argumentista de Danny Boyle) e o seu maior desafio terá sido capturar o espírito do livro, completamente britânico e literário. O elenco tem três jovens actores britânicos com carreiras mais que feitas: Keira Knightley, Carey Mulligan e Andrew Garfield.
Estreia em Portugal a 3 de Março
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MONSTERS, de Gareth Edwards
Usando de forma orgulhosa as influências e o legado de Distrito 9, Monsters é, como o filme sul-africano ao qual vai claramente buscar inspiração, um filme de ficção-científica e extraterrestres diferente. Escrito e realizado pelo britânico Gareth Edwards, que se estreia na realização, custou alegadamente algo como 15,000 dólares. Como se faz um filme de sci-fi com tão pouco dinheiro? Simples, preocupando-se com a história e com as personagens, não com os efeitos ou com as criaturas.
Estreia em Portugal a 10 de Março
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JANE EYRE, de Cary Fukunaga
Será certamente inglório fazer um filme sobre uma história tão adaptada e re-adaptada. O romance de Charlotte Brontë já teve literalmente dezenas de adaptações, mas nunca pelas mãos de alguém como Cary Fukunaga. O jovem autor americano, do qual falámos ainda o ano passado, começa a construir uma reputação interessante, mas não tem, à primeira vista, nada a ver com Jane Eyre. E é daí que surge a curiosidade em relação ao que este fará com esta história tão clássica e inglesa. Daí e do seu elenco, liderado pela fabulosa Mia Wasikowska.
Estreia em Portugal a 31 de Março
Estaremos todos de olhos abertos! Dentre os 20 filmes, já assisti sete. Decepcionei-me com Tron apenas, mas a média está muito boa.
Pelo menos 5 grandes filmes para ver , estou muito curioso em relaçao ao Tron , e dos irmaos “coen” .
Bom artigo !