Fantasporto: «[REC] 2» (Crítica)

Se muitos consideravam Thirst, de Chan-wook Park, como o filme mais esperado desta 30ª edição do Fantasporto, então é porque menosprezaram a sequela de Jaume Balagueró e Paco Plaza, a obra vencedora da 28ª edição do Fantasporto, [REC] (2007). Definitivamente o termo ‘sequela’ assusta em todas as línguas, sejamos portugueses, ingleses, franceses, ou espanhóis. Mas será mesmo necessário lembrar, várias continuações que são tão boas ou até melhores que o original? Surgem-me na memória pelos menos 2 ou 3, assim de repente.
Noite de Fantasporto ‘à moda antiga’. Casa cheia, excelente ambiente, e muita expectativa para uma sequela que sofre da terrível antecipação, de ser comparada ao seu predecessor. A ansiedade e o pessimismo eram tais, que o factor desilusão poderia ser posto de lado desde o início. Ou resultaria de uma constatação de um facto quase sempre inequívoco, – as sequelas serem inferiores ao original – ou então esse negativismo apenas ajudaria a surpreender o espectador na força máxima. Dito e feito!
[REC] 2 já tinha estreado no país vizinho há algum tempo. O ‘feedback’ não era muito favorável, mas perdoem-me se estou errado. Quantos de vocês leitores estiveram esta noite no Fantas, e saíram decepcionados? Como fã incondicional do primeiro [REC], e como entusiasta do cinema fantástico, achei este [REC] 2 precisamente isso: fantástico.

A história continua exactamente onde o original acaba. Vemos a já mítica repórter, Ángela Vidal (Manuela Velasco), a ser violentamente arrastada, a título de memorando para o espectador mais esquecido. De seguida somos introduzidos a uma equipa de intervenção militar que irá entrar no prédio em busca de sobreviventes, e se o leitor se recorda, do cientista que entrara no edifício no primeiro filme. Não é preciso dizer muito mais.
À partida, o grande problema desta continuação residiria em como dar continuidade ao argumento do primeiro filme. É certo que [REC], é por natureza um filme de entretenimento, onde o grande objectivo é proporcionar ao espectador um leque de emoções fortes, capazes de levar a pessoa mais impressionável a abandonar a sala. No entanto, onde o primeiro se destacava, mais que o entretenimento visual gráfico, violento e extremamente ‘gore’, era na capacidade de envolvência do argumento. Neste segundo filme, esse sector específico e preponderante, é mais uma vez um triunfo. Balagueró e Plaza conseguem criar uma porção de novos personagens, que tal como no seu antecessor, possuem o dom divinal da ironia, sarcasmo, construindo um humor negro equilibrado com o medo psicológico e com a violência. Portanto, ao contrário de outros filmes do género, aqui nada é gratuito. A continuidade dada à história não repete a fórmula do original. Este novo [REC], transforma de forma inteligente as suspeitas que tínhamos do vírus do primeiro filme, em algo concreto. A ambiguidade sobre o que seria o vírus na primeira parte, oscilava entre o científico e o religioso, tal como muitas das dúvidas que o ser humano tem sobre variados temas ou acontecimentos da vida real. Jaume Balagueró e Paco Plaza metaforizam essa ambiguidade em [REC] , e proporcionam uma resposta igualmente ambígua em [REC] 2, mas ao mesmo tempo objectiva. Como? Misturando a ciência e a religião, transformando-a num elemento simbiótico. Do género: e se a ciência e a religião conseguirem ser um só?

Para o leitor que ainda não viu o filme, as minhas palavras poderão parecer por si só, uma bacorada de alguém que às tantas andou a experimentar drogas. Mas penso que depois de verem, se poderá tornar um pouco mais óbvio aquilo que estou a escrever. É inserida também, uma nova forma de ver a pelicula. Em vez de uma câmera, somos presenteados com um sistema multi-câmera aplicado nos capacetes da equipa de intervenção, dinamizando ainda mais a visão na primeira pessoa e a interacção com o espectador. Tudo isso e mais algumas surpresas, principalmente na adopção da narrativa não linear, um pormenor interessante e fresco no desenvolvimento do filme.
[REC] 2 é um portento. Não é melhor que o primeiro – pois o factor surpresa da parte I é incontornável – mas é muito bom. Para mim, é o melhor filme do Fantasporto deste ano a par de Thirst. Muitos gritos, muitas gargalhadas, alguns piropos, palmas, proporcionando um ambiente fantástico. Tudo aquilo que volta e meia nos faz nostalgicamente pensar que o Fantasporto continua a ser único. Só ficou a faltar mesmo a presença dos autores do filme, e de Manuela Velasco como na exibição de [REC] em 2008.
Aqui deixo uma nota de apoio à organização do festival, e sobretudo ao Sr. Mário Dorminsky, que tanta luta dá anualmente para que este evento se mantenha na ‘nossa’ cidade do Porto. Mas Sr. Dorminsky, com um público assim, o esforço até que vale a pena.
NOTA:
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(FILME EXIBIDO NO QUARTO DIA DO FESTIVAL – 1/03/10)

[...] AQUI a [...]
Desculpa, mas não sei o que você tinha tomado quando assistiu o filme. Seja lá o que for, era muito forte, pois acho que vimos coisas completamente diferentes.
Pra mim, o que me marcou neste filme foi a capacidade de ir além do poder de desagradar um público com expectativas de uma boa continuação. Ele conseguiu, inclusive, estragar o primeiro filme dando respostas que podiam muito bem não existir e que contribuiam para cultuar a produção original.
Mas isto é só minha opinião.
Luciano
BRASIL
Luciano,
Estás oficialmente desculpado. Respeito e percebo que não tenhas gostado. O desafio do filme foi precisamente procurar dar respostas, e para que houvessem respostas, alterações tiveram de ser feitas. O primeiro filme consegue sobreviver sozinho, não precisa de se apoiar na sequela. Pode muito bem funcionar como um filme único. Mas porque é que temos de sacrificar o primeiro em prol do segundo? Acho que não há necessidade disso, a não ser que seja interessante explorar a continuidade. No meu caso achei interessante, e uma excelente sequela. Mas ei, Fantasporto é Fantasporto! É como ir já meio bêbado para a discoteca, onde a diversão é duas vezes melhor x).
Cumprimentos*
Concordo em absoluto Diogo, apesar de ser muito menos tenso que o original é uma excelente sequela. Adorei o pormenor refrescante das multi-cameras, muito bem pensado mesmo! Isto quando pensávamos que já tínhamos visto tudo neste género de ficção em ‘handycam’ (pouco há que ver, seguem sempre o mesmo modelo), Jaume e Paco surpreendem neste pequeno pormenor que parece agora (depois de visto) o mais simples possível, e como se fossem os próprios realizadores a gabarem-se ‘como é que ainda ninguém pensou nisto?’. Uma delicia!
Não sei até que ponto, com a lista de filmes em competição na categoria do Fantástico, se REC não ganhará de novo.
Abraços,
Não desiludiu nem um pouco, antes pelo contrário!
Sem dúvida, um filme de culto para muitos anos!
Atrevo-me a dizer que merece outra sequela
Frederico, o terceiro filme já foi confirmado. E com aquele final, ai ai…
Sérgio e Frederico,
Obrigado por comentarem! =p Já está confirmado um terceiro filme? Eheheheheheh vai ser brutal! Acho que nunca estive tão entusiasmado para ver uma terceira parte de nenhuma outra saga. Que venha, e de preferência no Fantasporto! x)
Cumprimentos*
Diogo, esperemos que daqui a 2 ou 3 anos lá estaremos de novo no Rivoli para a terceira parte eheh
Fique parvo com este filme, sem expectativas, sem qualquer tipo de ideia do que ia ver e saiu-me aquilo. Adorei o filme, a forma como construíram a história … muito do que já foi dito por aqui!
Um terceiro filme, torna-se essencial e concordo que não está ao nível do 1, mas não falhou por muito.
Sérgio,
Se tiver de esperar 3 anos não sei se aguento! eheheheh =)
André Amorim,
Completamente. Fiquei mesmo muito surpreendido, e o terceiro filme é essencial, nem que seja só para os fãs terem mais uma valente dose de [REC]!
Cumprimentos*
Foi um banho de sangue a maneira que nós levamos!
Que venham mais! Aposto quase tudo que o terceiro já passou da fase de pitching para pre-produção.
Boladão,
Já tá em pré-produção ao que parece! Se estrear ainda este ano, pode ser que esteja no Fantas na próxima edição. Esperemos que sim.
Cumprimentos*
Olá pessoal.
Pah depois de ter visto este filme nem sei como fiquei. Perdoem-me a expressão mas este REC 2 é uma espécie de AVATAR do terror. No que toca a história, pah axo que não está má e sinceramente no que toca a vírus acho que tudo já foi explorado e o argumento deste é só mais uma maneira de explicar um vírus. Agora no parte técnica fiquei deliciado. Com aquele pormenor das multi câmaras que já falaram aqui a elevarem o filme a outra dimensão. Com um fim a anunciar claramente um REC3, fico na expectativa de ver como estes 2 grandes senhores o vão por na rua.
Porque uma coisa é quase certa, no apartamento já não vão ficar muito tempo.
Abraços a todos
Sou do Brasil e não tenho a oportunidade de participar deste evento, mas com certeza Rec 2 ganhará.
Simplesmente amei o filme, ficou muito bom. Me lembrou bastante o virus demoniaco Croatoan que a na série Supernatural.
A perspectiva que você tem do primeiro filme não mostra em nada o que realmente se passa por trás da Menina Medeiros, simplesmente incrivel e pelo o que estou sabendo (só não sei se é confiavel) já foram confirmadas mais duas sequências para Rec que se chamaram: Rec Genesis(2011) e Rec Apocalipse(2012), algo assim e espero que continuem fazendo um otimo trabalho como fizeram no primeiro e no segundo.
Até mais
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